Chapter Text
Esta noite Ninguém deveria ser uma das flores de Madame Bellore, a cortesã mais famosa das cidades Livres, uma mulher que nomeou sua barcaça do amor em Jardim e as suas meninas em flores, Ninguém havia escutado nas vielas de Braavos que Madame Bellore fez sua fortuna através dos prazeres e por já estar em uma idade em que não despertava mais os desejos dos marinheiros decidiu criar o seu próprio prostíbulo.
Ninguém informou-se através dos marinheiros bêbados que uma de suas meninas havia fugido com um comerciante de tapeçaria e que se fazia necessário uma nova menina para trabalhar em sua barcaça.
Mas, não seria a velha que ganharia o presente do Deus de Muitas Faces, ela apenas seria o caminho mais fácil e seguro para se aproximar de um certo mercador que frequentava seu bordel, este homem sim, seria o que receberia o presente.
O h omem Bondoso havia dado a ela a missão de descobrir 3 verdades sobre o tal homem e na noite anterior foi-se traçado o plano de como seria entregue o presente do Deus de Muitas faces.
- Diga me menina o que descobriu? - havia lhe perguntado o homem Bondoso enquanto caminhavam por entre as gigantescas estátuas dos diversos Deuses que haviam na Casa do Preto e do Branco
A menina lhe sussurrou:
- Descobri que o homem se chama Orys Sand, um bastardo das terras quentes de Dorne que construiu sua fama como o melhor mercador de vinhos e escravos sendo conhecido de sua terra natal até as longínquas terras de Sothoryos...Dizem que ele é um frequentador assíduo da barcaça do Amor de Madame Bellore sempre quando está em Braavos a trabalho do Banco de Ferro.
- E o que mais?
- Descobri também que ele está hospedado em uma estaleira próximo aos canais do lado Oeste de Braavos. - disse Ninguém com um sorriso de triunfo por saber seu paradeiro
- Você tem feito um bom trabalho Ninguém... O Deus de Muitas Faces tem reconhecido seus esforços e sua dedicação ao servi-lo. Desde que chegou à Casa do Preto e do Branco vem se dedicando em todas as suas missões… Amanhã você deverá ofereça seus serviços a Madame como uma de suas flores, deverá ser uma menina órfã em busca de trabalho.
- Devo escolher o rosto da menina ruiva?- perguntou Ninguém
- Não, este já foi usado há pouco tempo, precisamos de um rosto que chame a atenção dos homens.
- Qual devo usar ?
O homem Bondoso a observou através do archote que banhava fracamente o templo e com um sorriso disse:
- Use seu rosto Ninguém, deixe ele ser apreciado, há muito que não o vemos andar pelas ruas da cidade...
- Meu rosto?- perguntou Ninguém espantada
- Você já não é mais a menina faminta e suja que implorou à nossa porta, você se tornou uma mulher muito bonita. Uma beleza bem incomum para este lado do mar Estreito.- disse o homem que segurou-a pelo queixo e mostrou seu reflexo na piscina do templo-...Vá descansar Ninguém e amanhã seja um colírio para os olhos cansados dos pobres homens de Braavos....Valar morghulis
- Valar dohaeris .- respondeu ao Homem Bondoso, mas antes que a garota se virasse para partir ele a puxou pelo ombro e perguntou, como sempre fazia todas as noites:
- Quem é você?- E ela respondeu - Ninguém!
Quando Ninguém chegou ao Porto, já era tarde e o horizonte já anunciava que mais tarde haveria chuva, algo comum nas terras chuvosas de Braavos. O Porto Púrpura era reservado apenas para os Bravosi, era ali que se encontrava as melhores tavernas e bordéis. Ela notou que o porto estava em sua frenética movimentação diária, com seus mais diversos tipos de barcos que ancoravam e zarparam, com seus marinheiros que se sentavam nas tabernas e gastavam suas moedas de ouro com putas e vinhos, com gangues de órfãos que tentavam furtar os bebados e a constante e irritante gritaria de comerciantes que vendiam suas mercadoria em língua bravosi, antigo valiriano, Dothraki e até um pouco na língua comum de Westeros. Mas, bem mais à frente de toda essa agitação se encontrava o Jardim de Madame Bellore algo fácil de ser reconhecido, pois era uma barcaça grande ancorada, decorada com delicadas flores coloridas pintadas a mão e uma quantidade considerada de lampiões acesos com cheiro de citronela para espantar os mosquitos para não atrapalhar sua clientela. Ninguém já haviam visitado este bordel como Cat para vender suas ostras, mas hoje ela não seria Cat, esta noite ela seria o que a Madame Bellore ordenasse.
Por dentro a barcaça de Madame Bellore era famosa por todo seu luxo, de tão luxuoso beirava o excêntrico, algo incomum para um prostíbulo, mas esse era um dos comércios mais lucrativos da cidade, então qualquer esforço para chamar clientela, nunca era demais. As paredes do barco eram em um tom verde claro imitando uma vasta folhagem e as flores pintadas eram tão delicadas e coloridas quanto as que enfeitavam o barco na parte de fora.
Ninguém foi bem recebida e levada a um gabinete para aguardar a chegada da prostituta. Madame Bellore chegou em pouco tempo, ela era uma mulher alta, com um longo pescoço todo adornado em joias, com um sorriso reconfortante e com um belo vestido de seda amarela, Ninguém tinha que reconhecer que a mulher mesmo em uma idade avançada era muito bonita para seus cabelos brancos e ela também tinha que admitir que putas de cabelo branco era uma coisa difícil de se achar.
- Diga-me menina porque vem ao meu barco?- perguntou Bellore lhe oferecendo uma cadeira para se sentar
- Ouvi uma conversa através dos pescadores de caranguejos que está contratando meninas novas para seu jardim....Eu gostaria de poder trabalhar.- disse Ninguém fazendo uma voz doce e relutante
- E qual a sua história?
- Meu nome é Mercy, perdi minha mãe ainda criança e meu pai era de Westeros, um remador do navio "Sol Poente", ele faleceu há um tempo atrás e agora eu não tenho mais ninguém...
- Não tem mais ninguém? Nenhum irmão ou irmã?
Mercy não tinha ninguém, nenhuma família, nem irmãos, muito menos amantes... Mas havia uma pessoa que ela conhecia que há muito já estava morta que gritou nas profundezas do seu coração de forma desesperadora “ SIM, EU TINHA, MAS TODOS FORAM MORTOS!”.
- Não, não tenho mais ninguém!- disse Ninguém reprimindo o coração
- Você é uma jovem muito bonita...Uma beleza selvagem, os homens irão enlouquecer quando te virem...Mas, devo inspecionar o produto antes da compra não é mesmo? Diga-me continua com a virtude intacta?
Ninguém balançou a cabeça
- Poderíamos ter ganho um bom dinheiro com sua donzelice... Não estou julgando minha flor, o mundo tem de ser bem cruel com as meninas solitárias. - a mulher bebeu um longo vinho e admirou o horizonte pela janela - Trabalhe para mim, seja uma das flores do meu jardim, aqui não importa seu nome ou sua história triste, será bem vinda se trabalhar corretamente.
Ela olhou em seus olhos e mexeu em seu cabelo.
- Agradeço Madame. - disse Ninguém sorrindo amplamente
- Tens uma voz linda, darei o nome de Jasmim.-..."Voz linda ou belas mentiras?" pensou Ninguém... - Pois, então será Jasmim a nova moradora do barco do prazer de Madame Bellore... No começo tudo é um pouco difícil...mas, irá se acostumar e ouso até dizer que apreciará...-disse rindo-...Principalmente na época em que a maré fica baixa em Braavos e o Jardim muda de águas e conhecemos outras cidades...
- Sim, madame.
- Ótimo, agora vá... tome um banho para tirar esse cheiro de peixe e apronte-se para sua estreia...Felizmente, o Jardim hoje esta cheio e não haverá muito o que lhe ensinar...-disse a mulher a empurrando para fora da porta
Ninguém queria responder que já havia tomado banho há 3 luas atrás...Mas, a garota que fedia a peixe era a Gata dos Canais, já Jasmin deveria cheirar a flores.
Madame Bellore ordenou que 2 mulheres mais velhas a levassem para ser esfregada e banhada. Ninguém foi empurrada para uma casa de Banho com banheiras fumegantes e cheiros extremamente doces de óleos e flores, as mesmas mulheres a esfregaram para tirar o fedor de Cat, mas esta era uma missão difícil...Levou-se horas para que as mulheres conseguissem tirar o fedor de peixe de sua pele e quando Ninguém saiu do banho sua pele estava vermelha de tanto ser esfregada, no fim vestiram na um vestido de seda amarelo claro e em seus suas tranças foram colocadas lindas flores brancas.
Quando os clientes chegaram Madame Bellore liberou as flores para irem atender seus clientes.Por algum motivo desconhecido naquele momento Ninguém estava nervosa com a quantidade de homens no convés, ela não podia deixar os sentimentos de insegurança surgirem bem no meio da missão…“ O medo corta mais profundamente do que a espada ”...
Ela deveria guardar o medo no fundo da sua mente e prestar atenção no seu objetivo que era dar a dádiva do presente ao mercador e sair, mas antes deveria encontrá-lo.
Ninguém subiu as escadas que davam para uma visão ampla de todos no convés, o prostíbulo estava cheio e barulhento… Porém, enquanto observava sua atenção se voltou para uma briga que se iniciou mais a frente entre dois homens.
Ninguém reconheceu que um dos homens que ali brigavam era o mercador de Dorne e o outro era uma coisa difícil de não se notar.... Uma coisa pequena...Pequena e de pernas tortas...e loira.
"O QUE ELE ESTAVA FAZENDO AQUI?"- perguntou-se ferozmente
Ela reconheceria um Lannister de longe, ainda mais se fosse irmão daquela maldita mulher.
Então, com uma voz de comando ela se obrigou a lembrar que Jasmim não tinha nenhum problema com aquele homem....Que a Gata dos canais era de Braavos e ela também não conhecia nenhum viajante de Westeros...Que Mercy nem irmãos tinha...Aquele homem não era absolutamente ninguém, assim como ela. Que aquele não era um conhecido e que a família a qual ele pertencia não destruiu a família de uma menina perdida há muitos anos... Você é Ninguém, termine sua missão e não deixe seus sentimentos lhe controlar....Quem é você? - mas quando ela menos percebeu já estava próxima a discussão assistindo a tudo.
- ...Você está se aproveitando do seu tamanho homem.- berrou o mercador jogando as peças do jogo de Cyvasse que o anão estava jogando
- Já lhe disse que não!- resmungou o Anão limpando a bebida que caiu em seu colo
- Madame Bellore deveria lhe cobrar o dobro por sua repugnância, as pobres meninas aqui não deveriam ser castigadas a olhar para você.
- Estou apenas bebendo e jogando Senhor...
Quando o homem que Ninguém identificou ser Orys Sand estava puxando a espada de seu cinto, a garota viu um vislumbre de como se aproximar...
- Senhor...-disse ela puxando seu cotovelo e plantando o sorriso mais simpático em seu rosto
- Olha...Veja....Uma menina nova no Jardim...Diga-me qual o seu nome, flor?-perguntou o homem que a princípio não gostou de ser interrompido
- Jasmim...
- Linda garota...Madame Bellore não havia me dito que havia novas flores ao recinto. - disse lhe acariciando o rosto e guardando a espada
- Cheguei hoje meu senhor...- disse ela olhando para o chão-... Madame Bellore me mandou como presente por sempre visitar a casa!
-Ora...Ora já não era sem tempo! Bem, antes de partimos deixe-me ensinar uma lição a este anão! - disse ele e Ninguém o puxou para ela e o abraçou sussurrando em seu ouvido e lhe implorando
- Não meu senhor, por favor...Se Madame ver esta situação ela brigará comigo e me colocará na rua...é meu dever cuidar de você, meu senhor...Por favor, deixe este homem e venha comigo.
- Bem eu não posso colocar a flor em uma situação ruim em seu primeiro dia...Calma não chore...Vamos...Vamos...Me mostre um sorriso...Isto! Linda garota. - então ele se virou e apontou para o anão- Agradeça anão a pobre menina, se não fosse por ela você já estaria virado do avesso!
- Obrigado senhora.- agradeceu o anão não a reconhecendo
Ninguém puxou o cliente pela mão a caminho da saída do barco quando ele a puxou para um abraço e beijou o seu pescoço
- Para onde vamos? Não iremos para o quarto? Tenho pressa em vê-la por inteira.
- Madame Bellore me mandou servi-lo em sua casa a noite toda.- disse ela sorrindo e piscando e ajudando o homem pelas ruas sinuosas de Braavos
Seus beijos eram úmidos e seu hálito era forte por causa do vinho e isto a estava deixando nervosa, já estava chovendo quando chegaram à pousada em que ele estava hospedado. Ao entrarem no quarto o homem forçou o idioma de Braavos e disse:
- Lembre me de enviar através de você um bom punhado de ouro à sua senhora…
- Claro meu Senhor. Gostaria de um pouco de vinho?- perguntou Jasmim aproveitando que o homem estava distraído e depositando veneno em sua bebida
- Sim!- disse ele tomando de suas mãos e dando apenas um gole
-Senhor, quem era aquele homem?- perguntou Jasmim
- Qual homem?- perguntou entre outro gole da bebida
- Aquele homem pequeno na Barcaça.
- Aquele ser nojentinho.- disse ele cuspindo de ódio-... Ele trabalha para o Banco de Ferro e eu forneço certas mercadorias à eles. Aquele anãozinho me acusou de estar roubando do banco e agora eles não querem que eu preste mais meus serviços à eles. Por causa daquele anão perdi um negócio de uma vida inteira…- disse terminando de virar o copo de vinho
O homem cambaleando um pouco para o lado e sentou-se na cama para tirar as botas disse com a voz um pouco embargada por causa do veneno: Posso te contar um segredo menina? Doce menina bela menina?- disse a puxando pelo braço para a cama
- Claro me conte...- disse com um sorriso doce, esperando como um lobo o tom marrom da pele de sua presa se tornar lentamente púrpura como resultado clássico do veneno
- Aquele homem pertence a família mais rica de Westeros... Ele é Tyrion Lannister e amanhã o levarei de volta para sua querida Irmã, assim ela poderá cortar sua cabeça e me pagar uma boa quantia...E se fores boa hoje à levarei comigo através do mar estreito ... - disse a abraçando e subindo em cima dela com seu peso morto
- Você mente! Aquele homem não é esse tal senhor...-disse tentando se soltar do homem roxo
- Estou...cof...cof..-disse tossindo-...dizendo a verdade. Ele está sobre a proteção do Banco de Ferro....cof...cof...Ele está mais magro e até com cabelos brancos, mas continua sendo um leão... um filhote, mas um leão...cof...cof. Vá garota, não vês que estou engasgado, sirva-me mais vinho.- disse apertando a garganta e tossindo descontroladamente
- Vou lhe contar um segredo também...- disse Jasmim fora da cama e se aproximando da presa -... No vinho que o servi havia veneno...
Ele a olhou enfurecidamente e avançou para ela, mas Ninguém apenas deu um passo ao lado para que ele alcançasse apenas a barra do vestido e com um último ataque de tosse sangrento morreu
- Valar morghulis- disse Ninguém jogando o corpo do homem no canal
Naquela noite
Ninguém
sonhou um sonho que há muito tempo não sonhava, nele ela liderava uma alcateia de lobos na mata quente com o luar brilhante.

