Work Text:
Eu mudei.
É isso que acontece quando se é imortal.
Você muda. Você se machuca.
Você se arrepende.
Então você junta os cacos e continua a viver.
Por que sabe que a estrada a frente é interminável.
E tudo o que pode fazer é continuar... Entorpecidamente...
Para sempre.
Há muito tempo eu conheci um homem incomparável. Não era apenas por ele ser forte e por ter um temperamento facilmente irritável, ele era magnífico por que era minha alma gêmea; ele era perfeito por que quando as nuvens de cor ciano se espalharam por sobre sua pele subindo pelas bochechas, adornando os olhos e finalizando-se na testa, num contraste belo, sublime e único, meu coração quase pulou do peito; ele era único por que nos seus olhos eu vi o brilho enigmático do universo e eu amei, antes mesmo de conhecê-lo, cada detalhe sobre ele.
Nosso começo foi fácil, gentil e doce, parecia perfeito, ainda mais quando a aceitação de todos diante nossa circunstancia fora algo tão fácil e leve, era perfeito e todas as noites no meu hanshi eu não podia deixar de parar em frente ao espelho por um minuto ou dois e acariciar as flores de lótus arroxeadas que circundavam meu pescoço, vindas das costas, e desciam pelos braços adornando-os até os pulsos. Eram lindas. Eram perfeitas. Simbolizavam o destino escrito entre mim e Jiang Cheng... WanYin, como ele me pediu para chama-lo em particular. Lembrar me das bochechas róseas dele quando me pediu isso era algo que não trocaria por nada no mundo.
Aqueles dias... No começo, eram lembranças queridas, lembranças que só se tornariam mais preciosas com o passar dos anos, diante das circunstancias que o destino jogou contra nós.
Quando a guerra veio, quando GusuLan caiu, quando tive que fugir pela minha vida com vários livros da biblioteca que consegui salvar, deixando para trás meu pai e irmão feridos, e uma seita devastada pelas chamas... Eu não senti nada além de medo, um medo que me impulsionava a seguir em frente e buscar vingança pela minha casa, pela minha família. Meu medo foi o que fortificou minha determinação, eu sabia que WangJi e o Tio cuidariam de tudo em casa, sabia que as coisas correriam bem. E tudo correu como o planejado enquanto viajei nas sombras recolhendo aliados para dar inicio ao que seria a queda de QiShanWen. Meng Yao, um amigo querido, contou-me sobre o incidente da doutrinação, em como alguns discípulos das seitas foram levados a Cidade sem Noite com a finalidade de serem educados corretamente; mais tarde o incidente gerou o anuncio da morte de um XuanYu pelas mãos dos Wen’s e, após dias, veio a noticia que me tirou todo o chão e encheu-me de desespero.
YunMengJiang havia sido ataca e sucumbido nas chamas. Lady Jiang e o Líder da Seita foram declarados mortos – e seus cadáveres eram ostensivamente exibidos como troféus – sua filha estava à salva até onde ouvi, mas o herdeiro da Seita e o discípulo chefe estavam desaparecidos.
Saber de tudo isso doeu como nunca imaginei, doeu mais do que presenciar minha casa em chamas, mas mesmo que doesse, mesmo que o desespero que ansiava me consumir fosse algo excruciante, me mantive forte e segui adiante com todas as minhas forças, e o fiz por que, apesar da dor fantasma em meu peito, a marca de alma que me ligava a WanYin ainda pulsava quente em minhas costas, denunciando que do outro lado minha alma gêmea ainda estava muito viva – apesar de que sofria dolorosamente.
As semanas se arrastaram miseráveis e esperançosas, meus dias eram vividos com a esperança desesperada de que minha alma gêmea não se tornasse mais uma vitima entre os milhares que caiam nas mãos dos Wen. Então um dia, num fim de tarde quando eu e meus aliados nos dirigíamos a QingHeNie onde meu grande amigo nos esperava, eu o encontrei. Ele estava desolado e sozinho, a devastação por tudo o que havia perdido estava estampada em cada traço de seu rosto, mas ainda sim ele era a pessoa mais linda que vi e o era pelo simples fato de estar ali, vivo, respirando. E quando eu o chamei e ele virou-se para mim, quando nossos olhos se encontraram, minha respiração ficou presa nos pulmões diante das lágrimas que escorriam pelas bochechas marcadas pelas nuvens ciano.
Não hesitei em correr para ele e abraça-lo como se minha vida dependesse disso. Todo aquele desespero e preces silenciosas pareciam valer a pena naquele momento; tê-lo em meus braços, chamar seu nome e senti-lo abraçar-me eram coisas as quais eu jamais trocaria, só os céus poderiam dizer o quão desesperadamente me agarrei as lembranças dos nossos tempos juntos em Gusu. E foi naquele momento desesperado, com lágrimas de felicidade escorrendo pelo rosto, que fiz aquilo que por meses ansiava. Eu o beijei.
Beijei-o ao ponto de perder o fôlego, desejando que jamais nos separássemos. O beijei ansiando desesperadamente que aquilo não fosse nenhum tipo de sonho cruel, que pudéssemos ficar assim, somente nós dois, para sempre. Eu nunca havia imaginado, naquela época, o quão ingênuo eu estava sendo; no entanto, já naquele tempo, eu sabia o quão extenso era o sentimento que tinha por Jiang Cheng.
Eu o levei comigo de volta ao acampamento, mas o fiz apenas ao cair da noite, não permiti que ele ficasse em qualquer lugar longe da minha vista por muito tempo e, apesar do obvio desconforto e descontentamento com minhas ações, ele não disse nada contra, pelo contrario, chegara a corar diversas vezes em minha presença... Quando éramos apenas nós dois.
Foi uma pena termos de nos separar ao inicio da guerra, WangJi buscava por sua alma gêmea - o jovem mestre Wei – e WanYin se juntou a ele com muita facilidade na busca pelo rapaz, não me deixei sentir ciúmes por muito tempo diante daquilo, sabia que Wei WuXian era um irmão para Jiang Cheng e também era um dos dois únicos familiares que ainda vivia; contudo, três meses após nos reencontrarmos, três meses de buscas desenfreadas e uma esperança – mais por parte do meu irmão, mas eu entendo A-Zhan, estive muito próximo de ser como ele quando soube da queda de YunMeng – enlouquecedora, Wei WuXian reapareceu e quando meu irmão volto pude ver o quão ferido ele aparentava ante aquele que seria conhecido e temido como Patriarca Yiling.
Eu poderia dizer que a guerra sempre trás e expõe o pior de nós, humanos, mas as palavras e ações da minha alma gêmea para com toda a situação do jovem mestre Wei me fizeram relutar com tais palavras; do pouco que conheci aquele rapaz animado, senti que talvez não tivesse sido ele a retornar de onde quer que tenha estado por três meses e talvez... Talvez tenha sido esse sentimento hipócrita que me fez ocupar meu irmão o bastante para ele não encontrar mais o cultivador demoníaco, talvez tenha sido essa mesma hipocrisia que me fez manter o silencio quando meu tio pregava o quão desajustado e perigoso Wei WuXian era.
Talvez tenha sido minha hipocrisia que tenha condenado uma alma boa – uma das poucas que ainda existiam, pude notar num futuro distante depois de perder tudo – a uma morte infeliz.
É estranho pensar em como, até o período da guerra – mesmo com tantas mortes -, as coisas ainda pareciam, de certa forma, corretas; foi após a guerra que tudo começou a rachar e se destruir aos poucos. Não posso negar que WanYin e eu nos aproximamos mais depois da guerra, mas foi o que aconteceu muito depois que nos separou, mesmo que não o fizesse de forma intencional, mesmo que quem o fez não fizesse ideia de que havia um nós entre eu e WanYin.
Então os remanescentes Wen’s foram salvos.
Então o incidente de QiongQi aconteceu e o General Fantasma surgiu.
Então WanYin ficou de coração partido com a deserção de Wei WuXian.
Então Jin ZiXuan foi morto pelo General Fantasma.
E tudo se estilhaçou naquele dia na Torre Koi quando Jiang YanLi, a jovem Mandame Jin, fora assassinada por Wei WuXian.
Quando me lembro da noite, dias após o funeral da Dama, em que Jiang Cheng se agarrou a mim e chorou desesperadamente como uma criança perdida, não posso deixar de me sentir impotente e com raiva, não posso deixar de me perguntar por que Wei WuXian faria isso, não posso deixar de odia-lo por fazê-lo, por partir o coração já ferido de WanYin.
No dia em que a seita YunMengJiang liderou o cerco que pôs fim a vida do Patriarca Yiling, apesar de ninguém ter percebido, eu vi que ali não fora apenas Wei WuXian quem morrera, o ultimo fragmento de esperança no coração de Jiang Cheng havia sido completamente destruído. O que sobrou depois daquele dia foi uma casca do homem que eu amava, questionei-me por dias se estávamos errados em fazer tudo aquilo, depois de ver os corpos dos remanescentes Wen a duvido só se tornou maior; mas... Longe dos olhos, longe da mente. Voltei toda minha atenção para quem precisava de mim e deixei de lado o fato de que talvez – talvez – houvéssemos cometido um erro de proporções inimagináveis, e eu também não queria pensar nas repercussões que viriam, que cairiam sobre WanYin, se descobríssemos que estávamos errados, que Wei WuXian talvez não fosse como todos diziam.
Recusei-me a ver a verdade por muitos anos e quando ela veio à tona rasgou uma ferida profunda, não apenas em mim, mas naqueles que eu mais amava.
Depois da tragédia em que tive que tirar a vida do meu ultimo irmão jurado – o mesmo que condenou nosso outro irmão jurado – eu recuei para cultivar isoladamente, afastando-me de todos que amava, que me amavam, escondendo-me como um covarde estúpido. Isolei-me no meu hanshi desejando desesperadamente poder concertar todos os meus erros do passado; ansiando por uma redenção que sabia não merecer.
WanYin insistiu em me visitar toda vez que vinha a GusuLan. Ele não discutia comigo ou me inquiria sobre quando eu pretendia sair, ele apenas ficava comigo, me abraçava, me contava sobre o mundo – e sobre como Wei WuXian estava o levando a loucura – e em como tudo estava diferente. Ele me visitava todos os meses e os anos se passaram, viraram décadas com o mesmo sistema. E então num dia frio de inverno, enquanto eu esperava a chegada do meu amante, uma visita inesperada – mas não surpreendente – chegou.
Wei WuXian, meu cunhado – mesmo que no corpo de Mo XuanYu -, estava a minha porta, seus olhos vermelhos e inchados, a palidez quase mortal e as mãos tremulas, eram características que entregavam o quão abalado ele se encontrava; e ver alguém como ele naquele estado só podia indicar que nada de bom viria. Por um momento pensei que algo teria acontecido a meu tio, por que mesmo que o jovem cultivador demoníaco não demonstrasse – nem seu tio – eles eram família, mas isso parecia errado ainda; então pensei em meu irmão, mas se algo houvesse acontecido com WangJi eu não poderia acreditar que o jovem mestre Wei não tivesse seguido pelo mesmo caminho por escolha própria, eles haviam escolhido seguir juntos para sempre, seja em vida ou morte, e isso era notável a qualquer um; pensei no jovem SiZhui ou Jin Ling, mas não parecia certo; e antes mesmo que pudesse especular qualquer coisa mais adiante ele me contou noticias que empalaram meu coração numa dor abissal.
Eu não sei o que aconteceu depois, tudo se seguiu num borrão indecifravelmente doloroso. Fiquei tão abalado e em choque com aquilo, em negação por tantos e tantos dias, não tive coragem de ir ao funeral, e o jovem mestre Wei entendeu, ele me deu o sino do seu irmão e aquela peça está comigo até hoje, mesmo depois de milênios, preservei o sino de YunMeng como se fosse minha vida e existência, o que de fato, acabou se tornando.
Minha ultima lembrança física da minha alma gêmea.
A flor de lótus desenhada na pele em minhas costas havia enegrecido com a morte daquele a qual ela era ligada; meu coração se partiu pela morte dele e talvez... Eu tenha morrido com ele naquele dia, por que é assim que me sinto, é assim que me senti durante séculos, milênios.
Como alcancei a imortalidade – e por que o fiz – só os deuses poderiam me dizer, pois havia desistido de cultivar no dia em que meu coração foi enterrado com o homem que amava. Com a eternidade eu segui observando a felicidade discreta do meu irmão mais novo ao lado de sua alma gêmea. WangJi se tornara imortal como eu, alcançando o pináculo da cultivação ortodoxa com uma rapidez que envergonharia os imortais já existentes, mas a surpresa – de todos – veio do fato de que o jovem mestre Wei jamais havia envelhecido desde seu renascimento, ele havia teorizado que por ter sua alma forçada a um corpo que foi obrigado a ser revivido, aquele corpo havia sido congelado no tempo devido as circunstancias e ao fato de a energia ressentida ter sido absorvida por sua pele e órgãos, mais tarde notou-se a formação do que o próprio Wei WuXian nomeou ‘coração demoníaco’, que seria o equivalente a um núcleo dourado, mas em um cultivador herético. Era uma historia complexa que gerou uma polemica que se estendeu por décadas, felizmente, mais tarde, tudo se acalmou e o jovem mestre Wei tornou-se um grande mestre que ensinava crianças uma pratica herética ‘correta’ e regulamentada.
Como o tio concordou com isso até hoje ainda me pergunto, mas talvez o fato e que WangJi estava feliz com o reconhecimento do marido – e também por ter sido o próprio Wei WuXian quem conseguiu me convencer lentamente a abandonar o isolamento – tenha sido um fato decisivo.
Ainda hoje eles estão felizes juntos. Seu filho e ambos os amigos deles também estão por ai, se divertindo em algum lugar entre as estrelas e planetas. O mundo avançou e evoluiu de uma forma que nunca imaginei e, enquanto o cultivo tornou-se obsoleto e esquecido por um tempo, a tecnologia tornou-se o auge da humanidade; mas tarde nossas praticas retornaram e impulsionaram mais uma vez a humanidade. Energia espiritual e ressentida unidas com a tecnologia impulsionou a humanidade para viajar muito além das estrelas e da imaginação, proporcionou conquistas inimagináveis e aqueles como eu, meu irmão, sobrinhos e cunhado são considerados como o apogeu da própria raça humana, aqueles conhecidos como deuses encarnados.
E apesar de tudo, toda conquista, toda admiração, toda evolução humana... Eu ainda espero, desesperadamente me agarrando a crença de que almas gêmeas são eternas, que em algum momento ele vai retornar para mim e completar mais uma vez minha. Vai novamente me dar um motivo para viver. Que WanYin vai retornar para mim e tirar esse torpor do meu corpo, essa frieza do meu coração e reunir novamente os cacos da minha alma.
Eu quero acreditar.
Eu preciso acreditar nisso.
Por que se não o fizer... Não me sentirei mais... Vivo.
O amor é uma vertente estranha.
Uma entidade que trabalha tão enigmaticamente quanto o destino.
Ele é cruel e sádico.
Ele nos distorce e retorce.
Nos mostra o melhor e pior de nós mesmo.
O amor é aquilo pelo qual morreríamos e mataríamos.
O amor é o sentimento que destruiu-me e mudou-me.
Se no final valeu a pena toda dor?
Com certeza.
Todo resto pode ser compensado nos anos vindouros.
Afinal, há apenas a eternidade pela frente.
Suspirei diante do fato de que não poderia mais negar – ou enrolar – aquele pedido. Mesmo tendo um alto cargo no governo e possuindo a admiração de mais do que noventa por cento de todo o sistema estelar, meu irmão mais novo – ironicamente apoiado por meus fãs – insistia que eu deveria tirar férias.
- Eu não preciso de férias. – foi um ultimo apelo desesperado vindo de mim.
- Não. – mas meu cunhado bateu o pé contra mim de uma forma que chegava a ser perturbadora. – Você vai sair de férias sim, por que se você não for, A-Zhan também não vai, o que remete a eu ter que ficar preso nesse laboratório de merda por mais tempo! – a exclamação fora acompanhada por uma cara de terror e eu ainda me pergunto como alguém assim se tornou um dos maiores cientistas de todo sistema intergaláctico. – Eu não suporto mais ficar naquele laboratório. – e então vieram às lagrimas e eu sabia que foi uma batalha perdida quando meu irmão olhou para aqueles olhos. – Lan Zhan eu quero férias!! – e os choros.
Pelo lado bom, a guerra já acabou há alguns anos e não há muito com o que preciso me preocupar.
- Tudo bem... – e foi tudo o que tive chance de dizer antes de ter um par de anéis espaciais jogados em mim, meu terminal pessoal no pulso apitava indicando a chegada de novas mensagens e pedido de check-in para uma espaçonave que partiria para um planeta de férias ainda naquele dia... Pelo visto tudo já estava planejado e eu iria concordasse ou não.
Ao menos dessa vez eu vou estar acordado e não drogado como da ultima vez... Tento me convencer de que isso vai ser bom, espero que seja... Suspirando deixei que meu cunhado – quando meu sobrinho apareceu mesmo? – me arrastar para o veiculo aéreo. Na plataforma de embarque as coisas foram um pouco... Caóticas levando em consideração nosso status e prestigio – e o fato de que não tive tempo de mudar para roupas casuais e ainda usava meu terno oficial de marechal -, mas ainda sim, tudo deu certo e estou começando a achar que há algum tipo de conspiração aqui...
Ironicamente minha cabine de viagem era compartilhada – o que meu irmão tinha na cabeça quando fez tal arranjo eu ainda não descobri, mas talvez seja obra do jovem mestre Wei... Como sempre. Estranhamente, a pessoa que deveria dividir o lugar comigo estava atrasada e era um pouco estranho ver a poltrona ao meu lado estar desocupada, mas não pensei muito enquanto pegava um livro que havia em um dos anéis espaciais e iniciava – ou reiniciava, pois já o havia lido – a leitura.
Estava entretido lendo, mas isso não significava que era ignorante com meus arredores. Podia ouvir os passos vindos de fora da cabine, soube quando pararam e algumas palavras bruscas foram gritadas, mas não havia sido isso quem chamara minha atenção, não, pelo contrario, foi à voz.
Era uma voz que não ouvia há... Milênios.
A porta se abriu com força e quando ergui o olhar eu o vi, e apesar dos cabelos curtos e dos traços mais joviais do que me recordava, meu coração ameaçou pular do peito quando nossos olhos se encontraram, mas, principalmente, quando eu vi as manchas de macias nuvens cor ciano que marcavam sua pele.
Seus olhos se arregalaram para mim e aquelas íris violetas nunca pareceram mais lindas como naquele momento, havia um leve tom róseo em suas bochechas e seu olhar fixo em mim, ou mais especificadamente, no meu pescoço onde podia sentir o calor dos lótus que se proliferavam tal como fizeram há muito tempo – sob minha pele e também no rio onde um dia existiu YunMeng.
Meu coração batia descontrolado no peito e mesmo meu núcleo de ouro parecia pulsar em pura ânsia e saudade. E então, pela primeira vez em mais de dezoito mil e quinhentos anos, eu sorri, um genuíno sorriso.
- Olá, eu sou Lan Huan.
Fim
