Work Text:
Quando Cyno entrou naquela nova empresa jamais imaginou que iria se apaixonar pelo carinha do RH. Seu ar etéreo fazia com que Cyno o encarasse mais do que o recomendado, mas logo percebeu que era um acontecimento normal com quem trabalhava ali.
Claro que a beleza não foi o único fator da paixão de Cyno, ele não era tão fácil assim. Com as próximas semanas, Cyno notou várias coisas em Alhaitham. Ele não era apenas muito organizado e inteligente, também resolvia as coisas de maneira muito eficaz e direta — o que tornava um problema, socialmente falando.
Alhaitham era reservado e um tanto difícil de se aproximar, Cyno viu vários de seus colegas serem cortados e até mesmo ignorados quando tentavam puxar conversa fiada. Até mesmo na hora do almoço, onde ele aproveitava para ler um dos seus muitos livros, Alhaitham nem se dignou a olhar para quem quer que viesse conversar com ele.
Com isso, Cyno decidiu deixar sua pequena paixonite diminuir e sumir, era melhor do que quebrar a cara e tornar o ambiente de trabalho estranho. Porém, não esperava que sua piada fora de hora, numa interação cotidiana deles, fizesse o outro rir daquela maneira encantadora. Qual é! Cyno tinha noção que elas eram ruins, mas estava tão acostumado em fazê-las que sua boca foi mais rápida que o cérebro.
Por sorte não tinha se envergonhado tanto assim e ainda permitiu que criassem uma pequena amizade, com algumas conversas aqui e ali. E então um dia Alhaitham começou a almoçar consigo. Um outro dia ele o convidou para sair. Dois meses depois, Alhaitham o pediu em namoro.
Mas claro que nem tudo foi tão maravilhoso e fácil assim. Alhaitham era uma pessoa transparente, durante um dos seus encontros, ele simplesmente disse:
— Eu sou um vampiro.
E continuou a comer sua salada normalmente. Cyno o encarou, seu garfo parado no meio do caminho à boca, procurou qualquer traço de brincadeira e não achou nenhum, mas talvez essa fosse a graça, não? Alhaitham provavelmente faria uma piada com cara séria.
— Um vampiro? — repetiu.
Alhaitham apenas concordou com a cabeça. A ideia não era tão absurda, todos sabiam da existência dessa espécie, embora em pouquíssima quantidade. Talvez agora fizesse sentido a pele tão pálida e os caninos charmosos. Entretanto, isso significava que Alhaitham iria querer o sangue de Cyno e ele não sabia como se sentir sobre.
Eles não tocaram mais no assunto durante o jantar, o que Cyno presumiu que Alhaitham falava sério. Ele era alguém difícil de fazer piadas e muito menos de manter uma brincadeira daquelas. Sem dormir à noite, Cyno colocou na balança seus sentimentos e o novo fato descoberto.
Afinal, vampiros precisavam de sangue, o que provavelmente Cyno deveria fornecer no futuro, mesmo que um pouco, isso sem falar na imortalidade. Quantos anos Alhaitham tinha?
Depois de pensar muito, chegou a conclusão que não tinha problema, o passado não importava e ele queria dar uma chance para eles . Cyno aceitaria todas as partes de Alhaitham, e isso incluía a vampiresca.
Portanto, foi uma surpresa quando Cyno praticamente aceitou o pedido de namoro instantaneamente. Ele estava tão feliz e apaixonado, e Alhaitham não era muito diferente dele, embora achasse que seria rejeitado, após contar seu segredo.
Erguendo Cyno, Alhaitham deu um sorriso que fez o mundo parar de girar, prendendo os dois no momento deles. Cyno não pode deixar de embalar o rosto de Alhaitham, a pele fria fazendo suas mãos calorosas formigarem. Aproximou seus rostos e colou seus lábios timidamente, e Alhaitham correspondeu.
‘;...;’
Agora Cyno estava aqui, no apartamento de Alhaitham, com três meses de namoro e decidido . O assunto de Alhaitham ser um vampiro nunca mais surgiu, mas Cyno tinha certeza que era verdade, juntando todos os hábitos do namorado. O principal era sua alimentação, ele sempre comia saladinhas e frutas — principalmente pêssego, ele tinha um estoque na geladeira. Cyno concluiu que provavelmente eram alimentos que não afetavam tanto Alhaiham, já que o principal da sua alimentação deveria ser sangue.
As mãos de Cyno suavam frias, ele estava pensando nessa ideia faz muito tempo, mesmo assim não podia deixar de se sentir nervoso. Era um passo importante para o relacionamento deles na sua visão, ele queria que Alhaitham pudesse contar consigo para qualquer coisa. Embora ele não tivesse plena certeza das consequências que suas próximas ações trariam.
Respirando fundo, se virou para encarar Alhaitham muito mais sério do que sua simples pergunta sugeria.
— Você… está com fome?
Demorou alguns segundos para que Alhaitham terminasse de ler a página e virar sua atenção para o namorado. Quando o fez, franziu a testa para a postura de Cyno.
— Sim? — respondeu em dúvida, não sabia se era alguma piada nova ou uma pergunta genuína.
Desviando o olhar, Cyno apenas acenou com a cabeça. Respirou fundo de novo e soltou sua choker , oferecendo o pescoço para Alhaitham. Suas mãos tremiam levemente.
— Pronto — falou.
— O quê? — Alhaitham perguntou confuso.
— V-você pode me… morder — Cyno fechou os olhos, sem saber se era de vergonha ou nervoso.
O silêncio seguiu e dominou o ambiente por tempo suficiente para Cyno ficar irritado com a demora. Era tão difícil assim aceitar o sangue dele? Ele só aceitava de um tipo? Por que não dizia nada? Criou coragem para abrir os olhos e quando olhou para Alhaitham, ele estava com um sorrisinho bobo no rosto.
— Por que você tá rindo?! — esbravejou — Você não é um vampiro? O que tem de engraçado seu namorado oferecer o próprio sangue? — Sua irritação apenas fez o namorado rir.
— Desculpa, é que foi muito fofo — Alhaitham observou Cyno virar o rosto irritado, então acariciou a coxa dele como forma de desculpas — Mas é que, Cyno… eu sou vegano .
A informação fez o garoto virar a cabeça tão rápido que Alhaitham teve medo dele machucar o pescoço. Os olhos esbugalhados e incrédulos completavam o pacote.
— VEGANO? Como assim? Você não é um vampiro ? Como diabos um vampiro pode ser vegano, Alhaiham?
Depois do choque inicial — e Cyno colocando sua choker no pescoço de volta —, Alhaitham conseguiu explicar que os vampiros não eram obrigados a se alimentar de sangue, aquilo era apenas um estereótipo. Eles precisavam da energia vital dos seres vivos, mas sangue era o mais prático de conseguir para sua espécie nos séculos passados. Hoje em dia ele podia adquirir seus vegetais e outras coisas facilmente, sendo seu estilo de alimentação.
— Eu sou o que chamam de crudívoro . Por isso você só me vê comendo saladas e frutas quando saímos. Não sabia que isso era um assunto que te preocupava, desculpa — Alhaitham parecia claramente decepcionado consigo mesmo, quebrando o coração de Cyno com a cena.
— Ei, tá tudo bem — Cyno fez um carinho no rosto do namorado — Só pensei que você talvez não soubesse como falar que queria, mas se não precisa, então estamos bem! — Sorriu, seu pescoço estando a salvo.
Alhaitham concordou e envolveu Cyno com seus braços, escondendo o rosto no pescoço e sentindo Cyno abraçá-lo de volta. Ele se sentia tão grato pelo namorado se preocupar com ele a ponto de oferecer o próprio pescoço. Provavelmente estava corado agora, céus.
— Vou ir pegar um pêssego para você — Ouviu Cyno dizer, mas sem soltá-lo, apenas afagando seu cabelo.
Respirou profundamente o cheiro de Cyno e se recompôs, se afastando do namorado. Ele sorria para Alhaitham e seus olhos brilhavam. Se aproximou novamente, um de seus dedos puxando a choker.
— Não é porque eu não me alimento de sangue que eu não mordo , Cyno — sussurrou em seu ouvido.
— E não é porque você é o vampiro aqui que não pode ser mordido, Alhaitham — devolveu.
É, aquele homem era a ruína de Alhaitham.
