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All in our veins is gold and ink (pt-br)

Summary:

É quase de conhecimento geral dos humanos que a melhor opção é ter um pé atrás quando se trata de esoteristas. Obviamente não é como se todos fossem maus, ou qualquer coisa do tipo, mas quando se vive perto de alguém que tem tanto poder, é melhor ser cuidadoso

O problema é que Roier nunca foi muito cuidadoso.

Notes:

Chapter 1: Prólogo

Chapter Text

Prólogo


 

     A primeira vez que Roier conheceu um dos esoteristas, ele tinha uns dez ou onze anos.

     Era uma feira noturna passando por sua pequena cidade, uma coleção de barcos no rio largo ancorados nas docas e conectados por longas pontes sinuosas que flutuavam em troncos.

     Havia uma multidão reunida em torno de um pequeno barco-casa que flutuava ao longo de uma das pontes, um grupo de crianças mais novas, todos segurando objetos para o homem no barco, um rapaz loiro com vestes verdes e que aparentava estar começando a vida adulta agora. Frutas, pedras, galhos, canetas, qualquer coisa pequena com valor emocional insignificante lhe eram ofertados.

     O jovem estava sentado na beirada do barco, os pés  batendo lentamente na água. "Um por vez!" Sorrindo, ele estendeu a mão e pegou uma pena de corvo, escura como a que o mesmo carregava atrelado a suas costas, de uma criança que a segurava. "Oh, linda. Espera só um segundinho."

     Ele passou a pena entre os dedos, assobiando tranquilo para si mesmo. A cada passada, a pena dobrava cada vez menos e menos, firmando-se sob seus dedos. Lentamente, ele aliviou o toque, passando delicadamente as pontas dos dedos sobre a pena até que ela perdesse toda a flexibilidade.

     "Duas moedas", disse ele com um sorriso e estendeu um chapéu listrado de verde e branco, que parecia ter pouco mais que o necessário para uma refeição bem servida.

     A mesma criança apalpou os bolsos e deixou cair duas moedas no chapéu listrado. Por um instante pareceu que dito chapéu sequer existia

     "Aqui está, rapazinho!" Ele entregou a pena.

     Sem hesitar, a criança mordeu. Ele quebrou perfeitamente ao longo da linha de seus dentes. "É chocolate!" anunciou à multidão.

     "Quem é o próximo?" O comerciante perguntou, examinando o aglomerado de pessoas à sua frente.

     Roier não tinha moedas sobrando, nem nada que estivesse disposto a abrir mão. Jaiden, sua vizinha e amiga desde do berço, se inclinou sobre a borda da ponte o máximo que pôde sem cair, observando vividamente enquanto o comerciante entretia a sua pequena multidão de crianças felizes e sedentas por doces. Ele pegou bugigangas e flores e os refez em seu meio, os devolvendo sempre com um pequeno show diferente.

     Eventualmente, alguém estendeu algo que Roier só poderia supor ser um coelho muito mal-amado, segurando-o sob as patas dianteiras.

     O comerciante puxou as próprias mãos para trás. "Desculpe, senhor, mas não usamos carne como meio aqui."

     "Isso não é permitido," Jaiden sussurrou alto para Roier.

     "Também é muito estranho", disse Roier. "Tipo, o quanto você odeia seu bichinho de estimação? Eu jamais trocaria meu bichinho" Ele pausou por um segundo e deu uma cotovelada leve em sua amiga. "Quando você for uma feiticeira, você vai fazer isso?"

     O rosto de Jaiden se fechou em um semblante chateado. "Não. Não vou. A magia é arte, não uma troca esotérica."

     "Qual é a diferença?"

     Sua sobrancelha franziu. "Ainda não sei, mas sei que é diferente." Ela sacudiu o cabelo. "Quando eu for para a escola, vou descobrir."

     Eventualmente, eles seguiram caminhando; não é como se pudessem pagar alguma troca hoje de qualquer jeito.