Work Text:
Se perguntassem para Mark o motivo dele continuar dormindo junto de Sam, ele responderia que era apenas um acordo vindo de conveniência.
Seu apartamento era próximo da delegacia onde trabalhava, porém ele era minúsculo. Suas paredes eram brancas demais, sem contar o carpete bege horroroso. Nada naquele local o trazia conforto. Nada além de uma pequena escultura de madeira que Sam havia feito como um presente. “Para parecer que alguém realmente mora aqui.” foi o que ele havia dito após ficar indignado com o fato da casa de Mark não ter nem vasinhos com plantas de plástico.
Pensar nisso o fazia sorrir e suspirar que nem aqueles adolescentes bobos de comédia romântica, Sam se preocupava de verdade com sigo, algo que Mark demorou um tempo para aceitar. Sua insegurança e seus relacionamentos passados sempre o impedindo de dar um próximo passo, de acreditar que era real.
Dormir em seu apartamento sempre resultava em dores nas costas e um sentimento de desconforto profundo. Se juntar isso com o estresse que passava diariamente no trabalho – seja com algum colega incompetente ou com a delegada o passando mais funções do que deveria ter – a cena de Mark chegando no restaurante para um café com olheiras fundas e completamente acabado não era nenhuma surpresa. Se encontrar com Sam aquele dia foi realmente uma bênção. Ver aquele homem roubando seu celular só para mentir para sua superiora, inventando que estava acamado com febre alta e uma gripe horrível só para que pudesse descansar, fez o coração de Mark palpitar de forma descompassada. Quem diria que um pequeno comentário idiota, que deveria ter se mantido como um flerte sem graça que seria ignorado logo depois, o faria acordar ao lado do loiro todas as manhãs a partir desse dia.
A primeira vez que isso aconteceu foi… interessante. Sam parecia nervoso, sempre perguntando se ele precisava de algo, se estava se sentindo confortável em sua casa, e Mark não pôde não achar fofo. A casa de Sam era grande o suficiente para três pessoas e um cachorro, o piso de taco marrom escuro dando um charme para as paredes coloridas e cheias de decoração, alguns desenhos da Olivia espalhados pelos cômodos. Flores e cactos podiam ser encontrados em quase todas as superfícies da casa, no chão, nas prateleiras, em cima da geladeira junto de um relógio pequeno de pinguim. Tudo ali gritava Sam de uma forma que somente ele poderia fazer.
Após uma garrafa de vinho Mark já sentia seus olhos se fechando, o filme que haviam escolhido se tornando som ambiente enquanto apoiava sua cabeça em uma superfície macia, suspirando quando encontrou a posição certa para pegar no sono. O ombro de Sam era extremamente confortável, assim como os cafunés e carinhos que recebia do mesmo. Quando viu já havia apagado. Só se lembra de ter acordado na cama de Sam, suas sobrancelhas franzindo e um biquinho aparecendo em seu rosto depois de perceber a falta do homem que continuava a invadir seus pensamentos. O encontrou se afastando da cama, seguindo em direção para a sala – provavelmente para ir dormir no sofá – e não sabia se por conta do sono ou do álcool, não conseguiu se controlar.
Não vai… fica aqui comigo.
Segurou o braço de Sam, sua voz estava rouca e manhosa. Sentia seu rosto queimando e não fazia ideia de como parecia estar agora, descabelado e com os olhos um pouco marejados por ter acabado de acordar. A única coisa que sabia era que Sam estava olhando para Mark com olhos arregalados, lambendo seus lábios de forma sutil. Não conseguia ver direito por conta do escuro, mas podia jurar ter visto o rosto dele mudando de cor.
Tem certeza? Eu não quero atrapalhar seu sono.
Absoluta.
Falou baixinho, o carinho que sentia pelo homem à frente aparecendo em seu rosto quando viu o olhar de preocupação que Sam estava esboçando se transformar em um grande sorriso, as covinhas que apareciam o deixavam ainda mais atraente aos olhos de Mark.
Acompanhou Sam com o olhar, vendo ele ir até seu guarda-roupa procurar por uma roupa confortável para poder vestir. Mark prendeu a respiração, em sua frente estava as costas de Sam, seus músculos definidos brilhavam sob a luz do luar. Encontrou algumas cicatrizes pequenas e se perguntou como seria traçar cada uma delas, deitado em seus braços e beijando uma por uma até finalmente chamar aqueles lábios de seus.
Piscando, Mark acordou de seus devaneios ao sentir um peso afundando o lado oposto da cama, Sam já estava vestindo uma regata velha, parecia ser da loja de materiais de construção perto de sua casa, e isso o fez pensar em como ele ficaria bonito tentando explicar como instalar uma lâmpada em sua casa. Se bem que a opinião de Mark não é muito confiável, para ele Sam ficaria bonito de qualquer jeito.
Boa noite Markie.
a voz de Sam ecoou em seu ser, eles estavam próximos demais, seu coração batia descontroladamente e se perguntou se era possível ter uma taquicardia ali mesmo. Se virou com rapidez, mesmo que não conseguisse ver seu rosto sabia que Sam estava o encarando, e ele definitivamente não estava sóbrio o suficiente para lidar com isso.
Respirou fundo, sentindo suas costas queimarem por entrar em contato com as de Sam. Podia sentir sua respiração, ela parecia acelerada, não muito diferente da sua. Não conseguiu se impedir de questionar se os pensamentos de Sam espelhavam os seus. Se quando seus olhos se fechavam tudo o que vinha em sua mente era Mark. Sua voz saiu fraca, porém naquele quarto escuro ela era a única coisa que os dois ouviram. Boa noite Sammie.
A primeira coisa que Mark percebeu quando recobrou sua consciência foi quão frio o quarto de Sam estava. Abrir seus olhos apenas para se deparar com um breu o fez perceber que havia acordado no meio da noite. De novo. Tentou puxar os edredons para poder se esquentar, piscando confuso quando não conseguiu encontrar nenhum.
Quando se virou para o outro lado sentiu seu fôlego se esvaindo, uma mistura de raiva e adoração se misturando em sua mente ainda grogue e com sono. Porque ali se encontrava Sam, embolado dos pés a cabeça com os edredons que estavam dividindo. Um sorriso se formou em seu rosto, a iluminação fraca da lua cheia permitindo que ele visse Sam escondendo seu nariz no meio das cobertas.
Em um ato impulsivo, Mark se aproximou, seu coração gritando desesperado para que pensasse pelo menos uma vez no que estava fazendo. Mas ele estava cansado de pensar, cansado de se forçar a fingir não ser um grande emocionado. Ele sentia frio e no momento Sam parecia estar tão quentinho e confortável que não conseguiu resistir.
Teve dificuldade em puxar os cobertores, mas sua irritação já havia nublado seus pensamentos. Quando se enfiou no meio dos cobertores sentiu a realidade o atingindo em cheio, havia acabado de se espremer ao lado de Sam como se morasse com ele há anos. Sentiu seu rosto queimar, precisava sair dali e rápido. Sua inconsequência realmente não tinha limites, onde é que ele estava com a cabeça?
Mark tentou se afastar de Sam, ele tentou, porém quando foi sair de perto ele ouviu um grunhido baixo vindo do homem ao seu lado, seu braço se envolvendo em sua cintura, o apertando e puxando para perto. Sua respiração batia de forma descompassada contra os peitos de Sam e se perguntava se aquilo era uma dádiva divina ou uma tentação vinda do diabo em pessoa.
Sentiu seu corpo se esquentar, o calor se espalhando como brasa e o incinerando vivo. As mãos de Sam começaram a se mover em um carinho gentil, o acalmando e o derretendo até que aceitasse seu próprio destino e caísse em um sono profundo.
Esse seria um problema para o Mark do futuro resolver, agora, no entanto, ele queria apenas aproveitar a melhor noite de sono que já teve em sua vida.
