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– Muito obrigada mesmo, Richas! Se não fosse você eu ia tá lutando até agora pra chegar aqui. - riu desajeitada no final, tinha "chegado" na ilha a horas e já havia explodido em, no mínimo, umas 10 bombas espalhadas por aí chegando a precisar da ajuda de uma criança pra pegar seus itens de volta. E como se já não bastasse esse constrangimento todo quem lhe ajudava era seu possível filho. Pois é, as coisas ali eram estranhas.
– Que isso Tia, não foi nada! Cê tá sofrendo mais do que Jesus não podia só ignorar. - fez graça conseguindo arrancar uma risada da mulher agora ao seu lado. - Quer fazer alguma coisa? Tipo algum lugar que cê queira ver, não sei. - sugeriu antes que o clima ficasse estranho de novo. Ele não podia julgar Bagi, também estava um pouco tímido presença dela.
– Ah... pode ser! Na verdade, você não devia tá dormindo não, garoto? Já é quase uma da manhã! - Richas deu uma risada que deixou Bagi confusa e mais tímida do que já estava.
– Tia, Tia, cê não sabe de nada... não sou muito de dormir cedo, então se tu quiser uma boa companhia agora saiba que eu vou ser a melhor! - Bagi puxou o comunicador vendo quem ainda estava acordado e encontrando apenas BBH. - Viu a melhor mesmo, a concorrência tá fraquinha hoje. - a moça riu mais uma vez da graça do menino aceitando um tour dele, que comemorou e abriu o mapa marcando os melhores lugares pra irem.
Após horas sassaricando pra lá e pra cá na ilha Bagi conheceu diversos lugares, invadiu algumas propriedades e achou um cantinho pra construir sua base. Também ganhou alguns itens muito úteis com Richas e outros conseguiu no Lucky Ducks, um dos vários lugares por qual a dupla passou.
Já quase amanhecia quando Richas a guiou para Favela e depois de subir algumas escadas e escalar outras coisas, as quais Bagi nem sequer conseguia nomear, chegaram numa vista linda e perfeita para se ver o nascer do sol. Se acomodaram um ao lado do outro e ficaram em silêncio pela primeira vez em muitas horas enquanto pensavam.
Tiveram a oportunidade de se conhecer melhor durante a madrugada e agora Bagi entendia bem porque Richas insistiu tanto para a ajudar pegar seus itens de volta, honestamente, estava muito grata. Ela não teria tido a coragem de chamá-lo para passarem tempo juntos então estava feliz dele ter tomado a atitude, havia sido mais do que bom conhecer Richas melhor. Porém ainda tinha algo que a afligia. Bagi não iria forçá-lo a aceitar como mãe mas não negaria que a possível rejeição dele a deixava triste.
– Então, - Richas quebrou o silêncio. - o que achou da ilha mã– - antes de terminar o que dizia o menino levou as mãos a boca numa rapidez invejável. Com os olhos arregalados virou para a mulher ao lado que riu de forma doce.
– Pode me chamar de mãe, Richas. - tranquilizou o menino sorrindo docemente, se sentia bem mais aliviada por ter sido aceita dessa forma pelo garoto. - Eu também tava com um pouco de medo de você, sabe, não me querer ter como mãe. - a próxima coisa que Bagi sentiu foi o corpinho a sua frente lhe abraçando forte, retribuindo o aperto rapidamente. Ficaram abraçados assistindo o sol começando a nascer, uma vista linda por sinal.
– Sabia que eu sempre quis uma mãe?
– Bem, agora você tem uma. Espero que eu esteja a altura!
– Ué mais é claro que tá! - respondeu fingindo indignação. Se afastou brevemente para olhar Bagi. - Cê é uma mulher gigante mãe, nunca percebeu isso? - a moça gargalhou alto da palhaçada, em seguida puxou Richas pro colo apertando ele por alguns segundos. Assim que afrouxou o aperto Richas catou sua mochila começando a procurar algo lá dentro, tirando uma pequena polaroid azul bebê cheia de adesivos depois de alguns instantes.
– A gente pode tirar uma foto? - questionou tímido, recebendo uma confirmação animada por parte de Bagi. Ergueu a câmera com os bracinhos e apertou o botão, o flash iluminou os rostos mas não que fosse necessário já que a luz forte e alaranjada do nascer do sol cobria Bagi, Richas e o resto da Favela.
Passado alguns segundos a foto se revelou para a dupla. As bochechas grudadas, os olhos fechados pela luz forte do sol, os sorrisos grandes e os pés do Cristo atrás deles. Richas pegou uma canetinha azul escuro do bolso do short e escreveu em letras grandes e um pouco tortas "MAMÃE >:D", Bagi sentiu os olhos lacrimejarem um pouco.
– Essa vai pro álbum de família! - guardou com cuidado a foto num bolso pequeno da mochila que parecia ter outras polaroids dentro. - Quer fazer o que agora mãe? - se virou pra Bagi que ainda o segurava no colo bocejando ao final da pergunta.
– Acho que agora é hora de dormir mocinho. - apertou o nariz de Richas que soltou um resmungo baixo. - Também vou querer descansar, não parei nem um segundo desde que acordei aqui. Sabe de algum lugar que a gente pode dormir, Richas? - bocejou algumas vezes enquanto falava, foi uma madrugada incrível mas seu corpo já começava a sentir os resultados dela.
– Ah tem a casa antiga do pai Felps aqui, a gente pode dormir nela! Ele nem usa ela mais, passa mais tempo no quadrado cavando... o que acha?! - Bagi balançou a cabeça rindo mas se levantou com Richas no colo para procurarem pela casa.
– Não acredito que vou ter que invadir uma casa pra dormir... e é minha primeira noite ainda!
– Mãe, não é invasão se a pessoa não usa mais. - disse como se fosse um grande ensinamento que um velho sábio o contou. "Deve ter sido Felps." , Pensou Bagi. - Agora vai por ali! - apontou para uma das vielas por onde seguiram rumo a antiga casa de Felps.
