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Noiva

Summary:

Yoo Joonghyuk, known for his strength and imponence, made a serious mistake. Unfortunately for him, he was caught red-handed. Luckily for her, the most criticized woman in Victorian high society exhibited an opportunistic glow in her eyes whenever the subject arose between them. Still, the lord was reluctant to call her by the title that circumstances had imposed: "Bride".

Notes:

Hi, how long! Well, I only came here at the beginning to be able to warn you that, although I really like the couple, I didn't want this to be my first fanfic of theirs. The idea of gender exchange contains a narrative motif, but even so, I don't particularly like it.

Despite everything, this serves to show a new beginning here in the profile. I will retire a little from the AOP/EDM fandom and go to something that, although new, has become my new passion, which is ORV. I'm CRAZY for Yoo Joonghyuk and Kim Dokja and I feel that this love tends to last for a long time.

Anyway, that's it. Good reading!

Work Text:

No solstício de inverno, Lord Yoo Joonghyuk usou um fraque branco para matar o Duque — uma decisão amarga e incomum, se é que se pode dizer. O escarlate vívido manchou o tecido caro sem pudor, com gotas quentes respingando e se acomodando na veste. Um fim predestinado desde a sua costura.

Ter uma mente que acomodava uma riqueza de detalhes era uma tortura nesses momentos. Era perturbador ainda escutar, no abismo do subconsciente, o barulho infernal do crânio sendo esmagado contra aquela árvore escura de calcário, com as súplicas e promessas vazias se tornando gemidos de dor e engasgos a cada golpe, e o último suspiro sendo algo próximo a uma tosse úmida e fraca.

O corpo dela estremeceu. Foi uma ação leve, despercebida. O que a preocupava eram as mãos transpirando por debaixo das luvas brancas, com um temor revolvendo-lhe as entranhas diante da possibilidade de que uma simples mancha de suor chegasse ao campo de visão dele. Segurou as camadas do vestido com mais força que o habitual, firmando o corpo para mantê-lo ereto enquanto se reverenciava com sutileza para a figura imponente à sua frente.

O olhar rancoroso dele estremeceu, vibrou. Era como se quisesse quebrá-la com essa ação simples — fazê-la desaparecer em uma queima lenta e torturante.

E, de alguma forma, para ela, era perfeito.

— Não creio que devamos manter tais formalidades, senhorita — A voz grossa e imponente pareceu sair com uma certa delicadeza. Não por graça ou ternura, mas como uma forma de reprimir instintos que se debatiam fortemente dentro de seu ser. — Ao menos, não quando estamos a sós. — A porta se fechou por trás dele, e um som estrondoso ecoou pelo recinto, de uma maneira que aparentemente não foi intencional.

— É sempre bom preservar as aparências, Lord Yoo — um sorriso fino era perceptível em seus lábios. O homem, mesmo perdendo a sua lógica para sentimentos fulminantes, não consegue deixar passar despercebido quão bom havia sido para o seu ser escutar a sonoridade de seu nome em sua voz tão serena. Ele ouviu sua voz na cor de seus lábios — um vermelho vibrante. — Afinal, as paredes por vezes possuem ouvidos.

— Nesse caso, asseguro-lhe que toda e qualquer palavra proferida nesta sala não passará de suas paredes. — É uma mentira, apenas mais uma coisa que intensifica a tensão contida naquele lugar originalmente espaçoso, tornando-o tão pequeno. Um jogo psicológico atemporal. — Contudo, creio que já tenha compreendido a razão de eu tê-la convocado aqui tão logo no início deste festejo.

Essa foi a resposta pela qual Yoo Joonghyuk ansiou a ponto de revirar-se na cama durante três noites inteiras: silêncio. Foram longos segundos inquietos, nos quais os ponteiros dos relógios pareciam mover-se de forma arrastada e sofrida. O homem, tão ignorante quando o assunto era emoções e gente, viu-se tomado por uma tentativa desesperada de recuperar o tempo perdido e desvendar, apenas com o vislumbre, todos os segredos obscuros daquela figura feminina e arcana.

O nome de Milady Kim Dokja tinha o mesmo sabor de um doce importado, pois estava constantemente na boca da nobreza. No início, sua fama era majoritariamente positiva: filha de um dos apotecários mais respeitados do reino, conhecida não apenas por esse título simplista, mas também por sua beleza incomum. O lord jamais a vira de perto, e tais boatos pareciam tão fúteis que nem chegavam a seus ouvidos. Entretanto, aquele momento lhe permitia observar e conjecturar, em suas próprias perversões e ingenuidades, o quão fervorosa aquela mulher podia ser.

Sua pele era branca e leitosa, e até mesmo os traços da idade, insinuando-se sob os olhos, perdiam destaque diante das sardas delicadamente espalhadas pelo rosto. Os traços, fascinantes de se contemplar, podiam ser a perdição de qualquer homem — sobretudo dos artistas. Seu cabelo sempre fora exageradamente curto, o que constituía seu primeiro ato de rebeldia e, ao mesmo tempo, de popularidade. Os fios, escuros como a noite, caíam sobre o rosto e o dorso com uma maciez que convidava qualquer um, ao fitá-los por tempo demais, a acariciá-los.

Toda essa estrutura, ainda que não tivesse sido intencional, formava uma belíssima máscara: convidativa, chamativa e casta — tudo o que um homem nobre buscaria em uma esposa. Porém, havia algo de fatal ali, venenoso. E a única prova dessa teoria — aparentemente absurda — estava nos olhos. Orbes negras, semelhantes às trevas de um mundo em ruínas, cercadas por um brilho resplandecente, fitavam-no com tamanho propósito que ele percebeu que quem estava lendo e analisando, desde o princípio, era ela.

— Adiantou este momento o máximo que pode, milord. — Ela lhe encarava nos olhos, com a cabeça firme, reta. Sua postura, apesar de rígida por conta do espartilho apertado, tinha uma plenitude louvável, em comparação ao homem à sua frente. — Seria relutância em dirigir-me a palavra, ou apenas aproveitar o instante em que a conversa entre um grande lord e uma nobre difamada passasse ilesa aos olhares curiosos? — Os saltos brancos produziram um som baixo com a pequena proximidade dela.

— Por obséquio, Milady, poupe-me de rodeios. — Em um passo brusco, ele também ousou um movimento avante. Os punhos ainda estavam rígidos, a voz aumentava e diminuía o tom perante a frase, sendo emitida pelo corpo levemente trêmulo. — Nós sabemos o que ocorreu naquela floresta, e é precisamente por tal razão que a convoquei. Se me importasse com os rumores e títulos ultrajantes que lhe atribuem, não estaríamos a travar esta conversa.

— Se é assim, o que deseja, milord? — Um largo curvar de lábios se fez em seu rosto. Os dentes da frente apareceram de relance, escondidos pelos músculos e uma ação voluntária. — O resto de minhas riquezas? Meus filhos ilegítimos? Uma dança? Uma receita de remédio?

— Seu silêncio, Dokja.

Uma gargalhada alta foi emitida pelo recinto. Kim Dokja ria com ironia e descrença, como se estivesse vendo um bobo da corte pronunciar um dos maiores absurdos sobre a sua presença. O Yoo Joonghyuk ficou surpreso e desacreditado perante tamanha reação, apesar de saber o motivo exato de tamanha hipérbole.

— Não me faça rir, por favor. Alguém poderia escutar minhas gargalhadas e deduzir absurdos a nosso respeito. — As mãos foram à sua face, cobrindo a boca levemente, sem desviar o foco dele. O sorriso permanecia, com tanto divertimento, que parecia não haver justificativa plausível para tamanha felicidade por circunstâncias tão macabras. Ele permanecia incrédulo com a ação, olhando para ela em confusão. — Yoo Joonghyuk, nós dois sabemos que, se você quisesse apenas meu silêncio, o faria me levando a um descanso eterno. — Os centímetros consideráveis que os separavam tornaram-se meros milímetros. Estavam tão próximos que um sussurro melódico era capaz de chegar aos ouvidos do Lord. — Você quer muito mais de mim. Muito mais.

Os rumores começaram a se tornar amargos na medida em que sua vida “declinava”. Seu pai morrera por culpa de sua mãe, que o assassinou de maneira fria. Logo após, fora condenada, apodrecendo na prisão. Apesar de sua herança considerável por uns bons anos, aos dezoito, Kim Dokja começou a fazer pequenos serviços como uma apotecária, herdeira legítima nos negócios de seu pai, começando a sua atuação na área sem nenhum pretendente, mesmo com a idade se estendendo e a distanciando cada vez mais desse critério. Apesar de ser incomum uma mulher atuar em uma área comum aos homens, seria uma mentira ultrajante acusá-la de um mau profissionalismo — com até mesmo duques aceitando seus cuidados regularmente.

Porém, começaram a descredibilizar e a aumentar o nível de comentários hostis assim que a presença de um marido fora ofuscada com a presença de seu primeiro filho: Lee Gilyoung, um recém órfão de sua governanta mais antiga. O escândalo se espalhou como peste, com anúncios em berros e cochichos minuciosos trazendo os mais potentes insultos sobre a mesma e a sua mais nova criança — como as esposas folgadas gostavam de ironizar sempre que a viam carregando o menino para cima e para baixo, como se fosse uma boneca de porcelana, fruto de seu ventre.

Logo após isso, a sua presença necessária tornou-se um incômodo coletivo. Os convites para bailes se tornaram raros, pediam os seus serviços apenas pela sua habilidade ser tão única e excepcional que se tornou árdua a tarefa de buscar outro apotecário tão bom quanto Dokja naturalmente é. E com essa mancha na nobreza, a coisa que mais desejavam sobre a sua pessoa acabou se tornando o destino do Duque.

Algo que o Lord poderia e pode realizar nessa sala, sem intervenções ou tumultos.

— Você está certa. — Ousado. Essa foi a descrição mais certeira na mudança que em sua postura. Os músculos, outrora tonificados, mostravam-se um esforço para manter-se relaxado. Atreveu-se a mexer as suas mãos sobre o ar, aproximá-las o suficiente da curvatura de seu pescoço, mas sem encostar nele. Naquele momento, percebeu um acessório prateado pendurado em sua orelha, com um pingente de uma estrela, brilhando sobre a sala. Uma sentinela. — Há algo que apenas você pode me informar, algo que é necessário para finalizar o que nós começamos.

Os lábios de Kim Dokja se curvaram num riso generoso, deixando à mostra o marfim perfeito de seus dentes. Como quem acaba de receber uma dádiva rara — e, para a dama, Yoo Joonghyuk era a sua mais prestigiada benção.

— Claro. Você quer garantir que todos os rastros daqueles vermes nem cheguem perto de sentir o gosto de seus planos em funcionamento, é um ótimo plano… — A pele dela é surpreendentemente quente, ele percebe isso assim que ela acomoda o seu rosto na palma de sua mão. O Lord sente o seu rosto ficar levemente avermelhado no momento em que percebe a maciez da pele da moça fazendo atrito direto com a mão cheia de cicatrizes e calos. Um movimento que transborda libertinagem, confusão. — No entanto, nada vem de graça. Eu preciso que você me conceda um favor que seja do nível da minha informação.

Sentia que, se tentasse formular qualquer palavra naquele momento, sairiam apenas balbucios sem sentido. E, apesar de jamais querer admitir isso, sentia que isso se dava pelo fato de seu polegar ter feito um leve carinho na bochecha dela, sentindo o rubor vermelho na ponta do dedo. Sem saber como, tomou um certo espanto ao ouvir seus próprios lábios emitirem:

— Diga o que quer, Milady.

Kim Dokja suspirou em alívio. Não um desses suspiros logo após uma mera irritação, mas sim, um suspiro do fim de uma longa jornada torturante. O ar abafado que saiu de sua boca bateu no Lord, fazendo-o ter arrepios espalhados pelo corpo.

— Case-se comigo, Yoo Joonghyuk. — Seus olhos piscaram, atordoados em segundos. — Torne-se meu marido.

As orbes serenas do Lord se arregalaram lentamente, com as suas pupilas se dilatando minuciosamente, preenchendo o contorno dos olhos negros. A respiração dele parecia diminuir a cada segundo, na mesma medida em que a mão sobre o rosto da mulher parecia aumentar de temperatura. Sua mente entrou em branco, no que parecia ser um transe. Cogitou que uma alucinação se fizesse a partir daquele momento, questionando-se até mesmo do calor que emanava do próprio corpo; quente e lascivo.

A milady, por outro lado, não deixou que isso a cortasse.

— Como você demonstrou, é notável que tem conhecimento da minha má fama. Apesar de não ligar para isso, chega um ponto que isso começa a afetar aspectos distintos de sua crítica originária. Não posso deixar que meu ofício e o meu filho se afetem por algo que deveria ser de minha escolha. Por isso, caso milord queira qualquer informação, terá que jurar lealdade à minha pessoa no altar. — Os pés se arrastavam lentamente, para mais perto. Porém, com uma certa insegurança da velocidade daquela ação, retirou-se tão rápido quanto se colocou tão íntima em seu ser.

O que não havia adiantado muito, levando em conta que as duas mãos em seu espartilho, apertando com possessividade a cintura fina, puxou-a com agressividade, chocando ambos os corpos. O vestido não tinha tantas camadas, já que a sua intenção nunca havia sido ficar na festa. Era possível sentir o calor da pele de ambos se misturando naquela atmosfera densa e pesada, uma urgência sendo parida em meio a toda aquela tensão preliminar.

Kim Dokja não se permitiu baixar a cabeça, mesmo pudesse sentir as sardas de seu rosto sendo tocadas pela quentura que emanava do mesmo. Nem mesmo quando os seus corpos estavam tão próximos, que conseguia sentir a respiração desregulada de Yoo Joonghyuk batendo sobre a sua face, enquanto dizia em uma voz rouca:

— Se são assim as suas circunstâncias, pois que assim seja, Milady.