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Category:
Fandom:
Characters:
Additional Tags:
Language:
English
Stats:
Published:
2025-10-30
Completed:
2025-11-01
Words:
4,509
Chapters:
2/2
Comments:
7
Kudos:
3
Hits:
37

Suindara.

Summary:

Nights in the highlands of the backlands can't even hide demons at night.

Notes:

I'm back after years, now trying to write a horror story for this Halloween. It was a small challenge, which I set myself with only two days to create a decent story. (Laughing nervously and stressed out from someone who stayed up all night writing.)

I also want to say that English isn't my native language; I speak Portuguese, and my English isn't very advanced, but I manage fairly well, so I used Google Translate to help me, as always.

But enough of that, to those who read this, have a happy Halloween, eat lots of candy, and watch lots of horror movies. And happy reading!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Suindara.

Summary:

Nights in the highlands of the backlands can't even hide demons at night.

Chapter Text

A escuridão da densa floresta no interior causava arrepios sempre que passava por ali. Mesmo na estação seca, quando a vegetação rasteira estava morta e queimada pelo sol, ainda era assustadora, mesmo à noite, com suas folhas murchas e caídas. As enormes pedras do terreno profundo e aquelas árvores grandes e robustas exceto contar histórias antigas. Ele só tinha uma lanterna, já meio vazia, um falcão com sua lâmina afiada, que fez questão de afiar antes de sair. Sua mão tremia na pedra de moer, seus movimentos tremiam quando seu pai disse que ele tinha que sair à noite para entregar quatro sacos de farinha do outro lado do pântano, na fazenda de Guimarães. O velho rabugento havia pedido que a entrega fosse feita mais tarde, mas ele sabia que era apenas a mesquinhez do velho; quem pede quatro sacos de farinha quase à meia-noite?

 

Segurando a corda com firmeza estava o burro da família, que Jacó chamava de Caju, por causa da pequena marca preta na testa que o fazia lembrar de uma castanha de caju. Mais à frente estava seu irmão mais velho, João, que segurava outro facão e assobiava; ele se encolheu com o assobio agudo, o vento soprava tão forte que o fazia tremer, assobiando através de algumas árvores ocas.

 

"Será possível parar?" Ele estremeceu ao ouvir um grunhido alto de um melro; como poderia um pássaro ter um canto tão bonito durante o dia, mas, ao cair da noite, transformar-se num som tão aterrador?

 

João deu uma gargalhada alta e estrondosa, como o relincho de um cavalo, o que irritou Jacó. Com um sorriso arrogante no rosto, iluminado pela luz do candeeiro, João virou-se para ele.

 

"Pare de ser medrosa", disse ele. "Você parece uma mulher assustada", zumbiu.

 

Jacó franziu a testa para ele, pensando em palavrões para insultá-lo, mas descartou uma ideia; isso só aumentaria sua arrogância ao pensar que poderia se medir com ele tão facilmente.

 

"Não estou com medo. Só não quero passar o resto da noite com seu assobio irritante e sua cara de cavalo."

 

João franziu a testa, suas sobrancelhas grossas formando uma careta. É, toma essa, idiota, você não é o único que sabe como irritar as pessoas. Jacó transmitiu presunçosamente para ele, deixando transparecer toda a sua arrogância.

 

"Sua bunda parece a cara de um cavalo, sua idiota. Pelo menos eu pego mulher, ao contrário daquele viadinho ali." João zumbiu, e sentiu uma vontade enorme de cravar o mesmo facão que segurava na própria cabeça e parti-la ao meio.

 

"Vai se foder, seu infeliz. Eu não preciso pular cercas para dormir com as esposas dos outros, você vai ter o que merece quando um desses caras aponta um rifle para a sua cara idiota." João zumbiu, virou-se, mas falou com arrogância.

 

"Não me incomodem. Se eles não conseguirem encontrar os buracos das esposas deles, não vão encontrar os meus."

 

Jacó sentiu vontade de vomitar; era um mistério como qualquer mulher conseguia suportar a presença do irmão. Aquela mulher devia estar desesperada por prazer se sequer cogitou dormir com um homem tão repugnante quanto ele.

 

Com a lua cheia no céu, iluminando os poucos caminhos, a esquina por onde passavam parecia ainda mais estranha. Ele ouviu o que parecia ser um arranhão atrás dele e um bater de asas acima, como se algo os estivesse seguindo.

 

Jacó olhou para trás, mas tudo o que viu foi a escuridão da noite, as árvores caídas no caminho e a terra seca coberta de poeira. Então, olhou para cima e viu apenas o céu negro coberto por algumas nuvens escuras, a lua enorme com um brilho amarelo que as penetrava. Olhou para os galhos das árvores nos quatro cantos, mas não viu nada.

 

Mas uma sensação gélida começou a tomar conta de seu corpo, um mal-estar o atormentava. Até que foi atingido por um facão. Jacó deu um pulo para trás, assustado; até Caju se assustou e quase arrancou a corda de sua mão para escapar, mas o segurou firme, virando-se para acalmar o animal rapidamente.

 

Então ele olhou com raiva para o irmão.

 

"Que porra é essa? Qual é o seu problema?" Ele gritou, mas se encolheu com o barulho horrível que fez ao redor deles.

 

"Eu? Estou te ligando há séculos, e você fica aí parado me olhando como um idiota, e a culpa é minha?"

 

"Você o assustou, idiota. E se ele tivesse derramado a farinha? Você sabe a bagunça que teria feito para nós?" João apenas revirou os olhos e bufou.

 

"Como se quatro sacos de farinha fossem fazer alguma diferença para aquele velho miserável."

 

"Tenho certeza de que nossa cabeça, ou a cabeça do nosso pai, estaria em apuros. Não vou causar problemas para nossa família só porque você está sendo um idiota."

 

"Covarde", zombou ele.

 

"Vai pro inferno. Eu não causei problemas tentando dar em cima da filha do cara. Você tentou fazer a garota transar com você, seu verme nojento. O pai devia ter deixado o velho cortar seu pau e enfiar goela abaixo." Jacó o empurrou com raiva; todo o frio e medo que sentia o estavam estressando e o deixando furioso, e ter alguém como seu irmão era um saco.

 

João também o empurrou, mas como era mais alto e mais forte, o empurrão o fez cair de costas. Ele se levantou ainda mais furioso.

 

"Claro, a filhinha rica do papai tinha que ir chorando para ele. Eu nem fiz nada, só queria um beijo, e ela estava fazendo birra porque não queria dar. Não é como se eu tivesse pedido para ele tirar a roupa."

 

Jacó sentia nojo; às vezes se perguntava se eles eram mesmo parentes de sangue. Ou como alguém como João podia ser tão repugnante.

 

"Ela certamente não gostaria de beijar a cara de um cavalo. Ou dormir com um porco nojento e cheio de merda como você."

 

"Ah, claro, como você? Como se ela fosse olhar para esse caubói bonitão aqui e dizer: 'Me coma, meu herói.' Quantas vezes ela já olhou para você?"

 

"Chega, ela não terá medo de mim. Ao contrário daquele idiota que tentou estuprá-la", gritou ele.

 

O som de tecido rasgando ecoava no vento frio, e com ele um grito alto e arrepiante, uma mistura de grito e tecido sendo rasgado.

 

Jacó e João taparam os ouvidos e, infelizmente, Caju escapou de sua mão. O burrinho assustou-se com o grito horrível e empinou, atirando os sacos de farinha para o lado e arrastando o outro pelo chão de terra, deixando um grande rastro de farinha nos cascos.

 

Um silêncio horrível os envolvia. Jacó sentiu o coração quase saltar do peito; um medo gélido o dominou. Olhou para o irmão; João já não parecia tão arrogante. Desejou não ter medo para poder zombar dele agora. Mas aquela sensação gélida o oprimia ainda mais; sentia olhares fixos nele como se algo o estivesse caçando.

 

Lentamente, ele ergueu os olhos e lá, num galho, estava o que só poderia ser descrito como um pesadelo. Olhos negros o encaravam de cima; a criatura estava de costas para ele, e ele virou a cabeça na direção deles como se seu pescoço tivesse sido quebrado e torcido para trás. Ela abriu o bico e soltou outro grito horrível, fazendo seu coração disparar.

 

Eu nunca tinha visto uma, mas ouvira seu grito ao longe, e os lamentos dos pobres coitados após um amanhã. A última coisa que Jacó queria ver na vida era uma mortalha.

 

Então ouviram outro som, este vindo de trás deles, como terra sendo raspada e galhos secos sendo quebrados; o som era alto e próximo. Ele tremia ao se virar, a lanterna tremeluzindo em sua mão. E ali, no canto, viu o que pareciam ser dois olhos amarelos, como uma luz desprovida de sentimentos, repleta apenas de pura maldade e perversidade.

 

Ele paralisou. E começou a rezar.

 

Ele não se mexeu, mas a criatura também não, porém ele sentiu que ela o observava, que sentia seu medo e que gostava disso.

 

Jacó não conseguia se mexer, nem parar de tremer e suar. Sentia frio, calor e tontura ao mesmo tempo. Tinha vontade de correr, chorar e rezar para Deus e para todos os santos que o ouvissem naquele momento. Não percebeu que estava murmurando uma oração; parecia achar graça, algo em seus olhos demonstrava isso.

 

Então ele abriu a boca, num sorriso horripilante e macabro. Uma fileira de dentes brancos e afiados como navalhas brilhava à luz da lua cheia e da lâmpada. Ele não emitiu um som, mas seu sorriso se alargou até alcançar a altura de seus olhos amarelos. Então ele se ergueu e cresceu, crescendo em meio à vegetação rasteira seca, quebrando galhos e ameaçando folhas mortas ao seu redor.

 

Ele era imenso, alto e largo, com pelagem negra que parecia absorver toda a luz ao seu redor; tinha um focinho que lembrava o de um cachorro do mato, alongado e robusto, mas que parecia deformado por aquele sorriso.

 

Jacó deu um passo para trás, depois outro, e outro, até sentir que havia batido num tronco seco de árvore do outro lado da estrada. Seu facão escorregou de sua mão, caindo no chão com um baque surdo. Ele não ouviu nem sentiu nada; estava entorpecido, só restava o medo. O medo que estava lhe causando um ataque de pânico.

 

Por alguns segundos, todos ficaram em silêncio. João continuava paralisado, encarando aquela coisa. Ele não se mexia, tremia, mas não se mexia, com os olhos arregalados, chorando.

 

Então ele correu, correu, e Jacó deixou cair a lamparina no chão com um estrondo, o óleo derramando-se junto com o fogo aceso. Jacó disparou desesperadamente, pulou uma cerca velha e se espremeu por entre os arbustos, os espinhos rasgando suas roupas e sua pele, então ouviu os gritos do irmão, altos e estridentes. Ele chorava e gritava, e Jacó conseguia ouvi-los, mas não conseguia parar de correr, fugir e chorar.

 

Era pequeno e apertado, mas ele se espremeu em uma fenda entre duas grandes pedras. Encolheu-se ali, naquele pequeno canto, o máximo que pôde, cobriu a boca, tremeu e chorou de medo e ansiedade. Não queria mais ouvir os gritos; imaginava que seu irmão estivesse morto e que ele poderia ser o próximo vítima daquela coisa.

 

Passos pesados ​​se aproximavam, ele se enrijeceu, estavam chegando cada vez mais perto, seu coração batia forte no peito, ele temia que aquela coisa pudesse ouvi-lo, ouvia como se algo o estivesse farejando, fungadas altas e respiração pesada, se aproximava lentamente, arrastando algo consigo. Então tudo ficou em silêncio, nenhum som, exceto sua respiração, que ele tentava controlar a todo custo, e a pulsação frenética em seu peito.

 

A cabeça do irmão foi atirada a seus pés, o rosto desfigurado ainda reconhecível, marcado por um grito de horror e lágrimas de desespero. Jacó gritou, e quando olhou para frente, dois olhos amarelos e um sorriso demoníaco o encararam. Uma mão peluda tentou agarrá-lo, garras negras rasgando o ar enquanto tentavam puxá-lo para longe. Agarrou sua perna, mas em vez de arrastá-lo, rasgou-a até o osso; talvez esse fosse seu desejo, mutilá-lo lentamente, arrancar dele cada grito de desespero. Jacó gritou e rastejou o máximo que pôde, encolhendo-se no canto mais estreito que encontrou, soluçando e chorando, começando a rezar e implorar a Deus. Apertou o terço de São Bento que usava no pescoço e começou a desejar que aquele pesadelo terminasse.

 

Então parou. A coisa que tentava agarrá-lo parou. Não se moveu nem fez barulho, mas Jacó ainda a sentiu ali, olhando-o. O medo o dominou, mas algo o impeliu a olhar. Aquilo o encarava com aquele sorriso, e Jacó sentiu terror porque estava rindo. Era uma risada rouca, áspera, estridente e profunda ao mesmo tempo, e zombava dele, ria do seu desespero, deleitava-se com o seu medo. Ele se encolheu, escondeu o rosto e apenas chorou. A risada ficou mais alta, como se um pá estivesse sendo golpeada com força contra a terra oca, despedaçando-a.

 

Jacó chorou sem parar até sentir a coisa se afastar. Mas ele não se mexeu, não foi embora, nem parou de chorar até o sol nascer; ficou ali agarrado à cabeça do irmão, abraçando-o como se fosse uma tábua de salvação, até ser arrastado por homens que carregavam cães para encontrá-lo. Encontraram apenas um menino magro, com o perna apodrecendo, cheio de larvas e vermes se contorcendo em sua pele, com um olhar morto, vidrado, vazio, assombrado por um pesadelo, ou um fantasma, como se tivesse visto o próprio diabo.

 

Mesmo depois de anos, aquele dia ainda o marcava como as chamas do inferno. Uma lápide foi colocada à beira da estrada, para que todos que passassem por ali vissem o triste fim de um jovem.

 

Agora mais velho, com os cabelos despenteados como os de um louco, sem uma perna e apoiado apenas por uma muleta de madeira, ele ainda encarava a mesma pedra. As marcas ainda estavam lá, não apagadas pelo tempo, assim como seu pesadelo e suas cicatrizes. Nas noites mais frias, ele sente as garras rasgando sua carne, ouve os gritos do vento. E toda vez que fecha os olhos à noite, ele ouve tudo.

 

O grito de uma mortalha. E a risada de um demônio.