Work Text:
Mikege Reo sempre teve uma vida fácil, era popular, se dava bem com todos e possuía uma pontuação perfeita nas provas do colégio, era bom em todos os hobbies que experimentava, seja tocar algum instrumento ou praticar qualquer esporte, ele sempre se saía bem em absolutamente tudo. Sem nem mesmo precisar se esforçar para conseguir o que queria por vir de uma família milionária onde o que ele pedisse aos seus pais, eles o davam.
No entanto, mesmo que ele tivesse tudo, ainda sentia como se algo em sua vida tivesse faltando, de uma maneira que o causava um vazio que persistia não importava o que fazia. Algo que o mesmo não sabia o que era, só tinha a sensação de que era alguma coisa que o dinheiro não poderia comprar.
Mas havia um lugar específico em que esse sentimento se intensificava – a escada do colégio. Toda vez que descia por ela se sentir como se tivesse algo errado, como se algo tivesse faltando ali – ou alguém, – naquele momento degrau. Os herdeiros Mikage pensam que primeiro descobrirão a qualquer custo, como se fosse uma necessidade, como se sua vida dependesse disso, por isso passando pelos intervalos naquela mesma escadaria, todos os dias.
O garoto desceu as escadas como toda vez, mas dessa vez havia algo diferente, algo que ele sentiu que esperou por toda sua vida. Não, alguém que ele espere por toda a vida mesmo sem saber quem, como se sua existência fosse apenas para aquele momento, para conhecê-lo.
Naquele mesmo degrau ele pode ver um garoto com cabelos brancos que aos seus olhos transmite uma calma como os dos anjos, que o fez ficar encantado com a visão. Os cabelos roxos possuíam uma expressão surpreendente no rosto, mas logo ela se transformou em uma alegre, um sorriso que ia de orelha a orelha por ter finalmente encontrado o que, até minutos atrás, estava faltando em sua vida.
"É ele! Tem que ser ele!" , o que a convenção dessa conclusão foi apenas sua intuição, e só precisa disso para comprovar. Seus olhos brilharam ficando surpresos ao vê-lo, sentindo uma enorme empolgação, tanto que desceu rapidamente as escadas para ficar de frente para o outro.
No entanto, seu sorriso logo ficou aos poucos junto com a imagem do albino como se tudo fosse apenas uma memória, uma memória inexistente que não pertence a este mundo, que sua mente criou somente para preencher o vazio. Mas ainda sim Reo tinha certeza de que era real, que não era apenas uma ilusão que seu cérebro projetou, que o que realmente aconteceu.
Logo após isso, Reo andava pelos corredores pelo caminho da sala onde estudava, ainda tentando entender o que acabou de acontecer.
“Um garoto… Acabou de sumir na minha frente…?”. Ele não entendeu o que acabou de acontecer, simplesmente não tinha lógica que explicasse o que viu, o desaparecimento arrependido de alguém que tinha certeza de que era real, ou pelo menos parecia ser real .
Parou na porta da sala por seus pensamentos foram interrompidos ao ver o garoto de cabelos brancos sentado em um assento que se localizava no fundo da sala com sua cabeça deitada na mesa baixa que estava dormindo calmamente.
“Isso não é possível…”, suscitou de uma maneira que só ele mesmo conseguiu escutar. Caminhou rapidamente até o outro. "Isso é real. Tem que ser." Parou ao lado do albino levando a mão até seus fios para tocá-los, para provar se aquilo era realmente de verdade ou apenas um cenário que sua imaginação criou – um cenário bem real por sinal.
Quando sua mão finalmente tocou os fios brancos – ou pelo menos achou que tocou – pode ver novamente aquela pessoa desaparecendo, desta vez como uma névoa se deixando ir embora.
"Reo? O que está fazendo na mesa do Nagi de repente?", o garoto a quem a pergunta foi direcionada se surpreendeu e virou bruscamente para o colega de classe que falou consigo.
"Nagi?! Você conhece ele?! Como?!", avançou empolgado que finalmente saberia quem era o garoto que em um piscar de olhos desapareceu de sua frente duas vezes naquele dia, "Seria assim que ele se chama?" , questionou-se se inclinando em direção ao colega, se aproximando em busca de respostas.
"Ué, cara? Todo mundo conhece ele depois que... Você sabe.", o garoto saiu em falar com medo de deixar um clima mais desconfortável do que o silêncio em que estavam.
"Eu realmente não sei. Me diga!", a vontade de saber mais sobre o albino só se intensificava.
“Cometeu suicídio.”. Reo pode ver o garoto desviar o olhar para a esquerda, ou para qualquer outro lugar que não fosse para si.
Os cabelos roxos sentiam uma intensa dor na cabeça, pensavam que tinha algo de errado, tinha que ter. Mesmo que apenas tenha o visto duas vezes – ou pelos menos acha que viu –, sentiu uma dor no coração e em seguida caiu lágrimas de seus olhos juntamente com a visão do mesmo ficando turva.
"Não. Não é verdade." Até que vi tudo escurecer lentamente até ficar totalmente escuro.
Aos poucos sua visão foi clareando, foi notando o espaço em que dormiu e teve aquele sonho, que em seu ponto de vista foi muito real apesar de fazer cerca de dois anos que se formaram no colégio. Ao observar mais o ambiente logo notou que era o sofá da sala de seu apartamento, descubra que já estava na realidade, a realidade em que seu tesouro estava vivo, notando também um peso sobre seu ombro – um peso familiar – que pertencia ao garoto de cabelos brancos de seu sonho, que possuía a Seishiro Nagi. No entanto, para ele não foi um sonho, foi um pesadelo estar num mundo onde o melhor amigo não existia, não mais.
Seu olhar se fez para o garoto ao seu lado, erguendo seu braço esquerdo para levar a própria mão até os cabelos brancos e acariciá-los com seu olhar se apertando.
“Eu realmente não consigo imaginar uma realidade sem você, Nagi.”, sussurrou para apenas si mesmo ouvinte, mas não esperava o garoto que estava com a cabeça deitada em seu ombro se mexesse e acordasse.
“Hm… Reo.”, gemeu ainda sonolento, "O que foi?”
Reo arregalou os olhos rapidamente em surpresa, mas logo se suavizou e deu um sorriso gentil. “Não é nada, meu tesouro.”
