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[Nome] acordou com o barulho dos irmãos mais novos que estavam na cozinha, tomando o café da manhã. Olhou para seu celular e viu que ainda faltavam umas boas horas para ir à faculdade. Decidiu se juntar à família para ver que confusão estavam fazendo àquela hora da manhã.
— Que gritaria é essa? Podem me explicar? — [Nome] entrou na cozinha e bagunçou os cabelos dos caçulas que estavam concentrados a ver algo na televisão.
— Estamos a ver um jogo de futebol americano que deu ontem. — Os irmãos de [Nome] estavam no primeiro ano do ensino médio e eram loucos pelo esporte e praticavam-no no clube da escola. Como tinham se deitado cedo ontem, em que a mãe de ambos brigou com os filhos para irem dormir que precisavam ir à escola no dia seguinte.
Só de olhar para o ecrã e ver os jogadores passaram a bola, uns para os outros, fez [Nome] recordar-se de um sonho que teve há uns anos atrás, quando ainda estava no ensino fundamental, junto do seu amigo: Riku.
(...)
Nove anos atrás, [Nome] e Riku caminhavam devagar pelas ruas depois do passeio escolar. Ao longe, podiam ouvir o barulho que outros jovens faziam perto do parque, onde muitos praticam diversos esportes.
[Nome], durante semanas, estava animada para participar de um esporte diferente que ia acontecer naquele lugar. Uns dias antes do passeio escolar, ela caíra da bicicleta, fraturara o tornozelo e teve que estar por umas boas semanas com muletas para conseguir andar.
— O que está acontecendo ali? — perguntou Riku vendo uma imensa multidão torcendo para alguma equipa que estava no campo a jogar.
— Não sei… Lembras no panfleto que mostrei na aula há umas semanas atrás? — [Nome] ainda se lembrava do dia que mostrou toda animada o panfleto ao melhor amigo quando chegou à sala de aula.
— Aquele do futebol americano? — Tentava lembrar-se Riku se era aquele esporte que estava no panfleto.
Todos os anos, via a amiga animada para experimentar um esporte diferente. Como a conhecia bem, sabia que [Nome] era indecisa para escolher um clube para praticar. Sempre que havia algum evento na cidade, tentava participar para ter certeza de que gostava antes de se arrepender da escolha que fizera.
— Sim. — Olhou para o rapaz e ficou feliz por ele ter lembrado.
Sempre quis praticar algo em comum com seu amigo, já que ele amava correr e era um bom esporte para fazer juntos.
Riku acompanhou [Nome] até um banco que havia ali perto do campo para conseguirem apreciar o treino que estava havendo para os iniciantes aprenderem sobre o futebol americano.
— É uma pena que tenhas se ferido. A esta hora, estaríamos ali correndo no meio do campo a jogar. — O jovem sempre se juntava nos desafios que [Nome] trazia de um dia para outro. Porque gostava de estar na companhia dela, fazendo boas memórias do tempo que estivessem juntos.
— Não sei se vou estar melhor para ir nos últimos dias que o evento ainda esteja a ocorrer. — [Nome] estava com medo de não conseguir se recuperar antes do fim do evento em algumas semanas. Os eventos esportivos duravam mais ou menos duas semanas para todo mundo na vizinhança experimentar antes de irem para outra região.
— Que tal fazermos uma promessa? — perguntou Riku. Ele queria fazer algo por [Nome], que se encontrava desanimada desde que caiu da bicicleta e não podia praticar o esporte que falou por dias antes do acidente.
[Nome] ficou sem palavras, tirou seu foco do campo e encarou os olhos de Riku e viu que estava sendo sincero. Esperou pelo que vinha a seguir, sentia-se segura ao lado do melhor amigo que sempre a animava quando ficava triste com algo. Era o único que conseguia tirar um sorriso da sua cara.
— Quando já estiveres recuperada do pé, vamos voltar de novo aqui juntos. — Riku falou o que tinha em mente, sem ser o atletismo, nenhum esporte tinha chamado atenção desde que [Nome] mostrou o panfleto do futebol americano e queria muito experimentar ao lado dela.
— Prometes realmente de entrar comigo no campo? — Ficou empolgada ao ouvir qual era a promessa que seu amigo queria fazer com ela.
[Nome] muito desejou fazer uma atividade junto do amigo depois da escola, em que podiam regressar juntos para casa em um dia ocupado.
Riku acenou que ia cumprir o prometido. Não teve tempo de dizer mais nada, porque [Nome] saltou para cima dele, abraçando-o feliz pois o sonho de praticar esporte com ele ia se realizar. Depois de terem prometido que iam jogar juntos, regressaram a casa falando como o futebol americano era divertido pelo que assistiram no parque ao ver as outras crianças jogando.
Mas algo aconteceu nos dias seguintes que os amigos não estavam à espera que acontecesse: os pais de Riku decidiram se divorciar. A mãe dele decidiu não ficar muito tempo na cidade e queria mudar para outra região com seu filho.
Os amigos tiveram que se despedir de repente.
No fim, não conseguiram cumprir a promessa que tinham feito. [Nome], mesmo tendo ficado melhor no pé, não teve coragem de ir sozinha ao evento, pois queria a companhia do amigo.
O tempo passou, [Nome] acabou por se afastar do seu amigo, porque não teve mais notícias dele, devido à correria da vida dele no novo lugar.
(...)
Um tempo depois, [Nome] despertou da lembrança quando viu seus irmãos se levantando para irem ao colégio. Ainda se encontrava meio perdida pelas suas memórias de infância; tentava ao máximo não acompanhar as coisas relacionadas ao futebol americano, pois se lembrava automaticamente do seu amigo.
Pegou em algumas peças de frutas e colocou na mochila para comer durante o caminho até a faculdade. Antes de sair, foi ao quarto mudar de roupa e buscar a mochila.
Na parte da manhã, [Nome] ficou distraída mais do que estava em casa, quando em uma aula deram um panfleto parecido com aquele que recebeu no passado, que a lembrou do Riku. Sentia saudades dele e estava triste ao mesmo tempo, por ter perdido contacto com ele.
Desde que ele foi embora no ensino fundamental, [Nome] fechou-se para pessoas e não interagia muito. Não queria magoar-se mais como no passado, em que vários amigos traíram a sua confiança ao ficar sozinha, então só se concentrou nos estudos e na sua família.
Ainda perdida nos seus pensamentos, não reparou que estava indo em uma direção diferente do costume quando voltava para casa. [Nome] parou de andar, quando os livros que trazia na mão caíram no chão, foi que viu onde estava.
O panfleto que recebeu na aula ficou por cima e algo nele chamou a atenção de [Nome]: mostrava que aconteceria um evento relacionado ao clube de futebol americano para quem quisesse entrar.
Desde que viu seus irmãos falando do esporte de manhã, não parou de se lembrar o dia todo do Riku. Decidiu sentar no mesmo banco onde fez a promessa. Olhou para as crianças e para outros jovens que estavam correndo pelo campo.
[Nome] observava fixamente para o panfleto, recordando-se da promessa que nunca iria acontecer e não sabia como voltar a ter contacto com Riku porque não escutou nada sobre ele por anos.
— És mesmo tu, [Nome]? — Alguém aproximou-se de [Nome] e tocou no ombro dela. Deu para ver que ela se assustou porque não estava à espera que alguém tocasse nela.
— Não pode ser… Riku? — Demorou um pouco para reagir ao ver quem a chamou. Ainda não estava acreditando quem estava à sua frente: seu amigo de infância.
Eles ficaram uns bons momentos olhando um para outro para ver se algo havia mudado, depois de anos sem se verem.
— O que estás fazendo aqui? — [Nome] tomou coragem de perguntar ao amigo, foi mesmo uma surpresa vê-lo ali. Não estava nada à espera de se reencontrar ali, principalmente naquele momento frágil que estava.
— Vim cumprir a minha promessa de anos atrás. — Riku pegou o panfleto que ainda estava nas mãos de [Nome].
— Pensava que tinhas esquecido dela… — Reparou que seu amigo estava vestido com o equipamento do futebol americano da faculdade que frequentavam. Percebeu pelo físico dele que praticava o esporte há bastante tempo.
— Sempre cumpro com a minha palavra.
Ele observou [Nome]. Riku, desde que fora embora no fundamental, nunca esqueceu da promessa que fez. Todos os dias enquanto praticava o esporte, lembrava-se dela. No ensino médio, tentou cumpri-la, quando veio jogar por causa da competição escolar, mas ficou triste por saber pelo Sena que [Nome] tinha se afastado das pessoas e tentava ao máximo evitar o esporte.
— Nunca mais tinha escutado notícias tuas e pensei que talvez não voltasse — [Nome] falou o que sentia em relação ao Riku desde a última vez que estiveram juntos.
— Voltei seis anos atrás por causa da competição. Tentei te procurar nos meus tempos livres. — Riku mostrou que estava sendo sincero que procurou por [Nome]. Sabia que sua amiga era teimosa e talvez evitasse ir ao parque pelas memórias que fizeram juntos.
— Sena não me contou nada sobre o reencontro de vocês naquela época. — Ficou surpresa ao saber que seu amigo tinha voltado por um tempo à cidade no passado. Quase todos os dias encontrava Sena pelos corredores da escola, mas nunca falavam sobre Riku.
— Deve ter esquecido, ele estava muito ocupado com o clube.
Se visse o Sena, de certeza o daria um cascudo na cabeça por não tê-la contado algo tão importante. Quando eram crianças, o trio andava sempre junto, porque frequentavam a mesma turma.
— Acho que se não fosse esse panfleto, íamos acabar por desencontrarmos. — [Nome] levantou-se do banco e mostrou o pedaço de papel ao amigo com um sorriso tímido.
— Ainda bem que minha ideia resultou como sucesso. — Riku retribuiu o sorriso da amiga. Ficou contente que sua ideia de distribuir panfletos pela faculdade chamou atenção a [Nome].
— Obrigada. Vamos então jogar, tens muito para me ensinar. — Mostrou-se animada ao ver que Riku nunca desistiu dela e fez de tudo para se reencontrarem no parque onde fizeram a promessa.
[Nome] pegou sua mala e começou a dirigir-se para o campo que havia ali para quem quisesse praticar algum esporte sem interromper o passeio de outras pessoas que andassem por ali. Virou-se um pouco para trás vendo se Riku a seguia. Começou a correr ao ver que seu amigo estava se aproximando; queria ver se ele ainda conseguia apanhá-la como na infância, quando fugiam um do outro.
Depois da pequena corrida, [Nome] escutou as instruções de como era o futebol americano pelo Riku, que tinha muita experiência por praticar o esporte. Quem passava ao lado do campo, podia ver que os amigos estavam muito felizes ao voltarem a conviver um com outro depois de anos sem ver-se. Ambos estavam mais em paz por saberem que a promessa que fizeram na infância finalmente foi cumprida. Parecia que nunca tinham se separado.
[Nome] e Riku iam todos os dias juntos para a faculdade e, no caminho de regresso para casa, paravam num parque para praticar um pouco mais. Mesmo que às vezes, [Nome] se arrependesse por não ter visto seu amigo jogando no ensino médio ao ouvir as histórias dos jogos que Riku esteve envolvido e de como ultrapassou os desafios que apareceram.
