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Turbilhão

Summary:

Zeri vai junto da sua namorada procurar o que os poderes empáticos dela tanto dizem estar nos antigos dutos de ventilação Kiramman

Notes:

Sim, Zeriphine vindo do completo nada. Assim funciona minha mente de Serafã perturbado

Work Text:

Seus passos ecoam por todas as tubulações dos antigos respiradores Kiramman, confirmando que só elas duas estão naquela profundidade perto das antigas minas onde incontáveis gerações de antepassados delas trabalharam desde a tragédia do Rio Pilt.

Usava uma voltagem baixa de seus poderes para manter ligado o antigo lampião de sua avó que ela tinha modificado, elas ainda conseguiram seguir sem ele já que de tempos em tempo nas partes mais desgastadas dos dutos vinha luz das rachaduras. Zeri realmente não queria saber o que raios podia produzir luz tão fundo no subsolo de Zaun

Sua companhia que a convenceu a desbravar esse lugar as guiava segurando forte a outra mão de Zeri, com olhar perdido como sempre que usava sua magia como rastreador de músicas únicas de cada pessoa, ou nesse caso ser, emitia.

— Posso sentir o gosto da sua dúvida esquilinha — Seraphine focou o olhar nela com começo de um sorriso atrevido

— Não me chame assim em público — isso arrancou uma risada de Seraphine — Sério Sera

— Muito injusto — se aproximou dando um beijo curto na ponta do nariz dela — você pode me dar todos os apelidos em público, e eu só posso usar quando estamos "sozinhas"

— Cantora má — deu um pequeno choque na mão que segurava que só serviu para causar um pequeno susto em mais uma risadinha de Seraphine — Não e hora nem lugar para isso

— Não se preocupe não vamos fazer isso em um buraco isolado do subterrâneo de Zaun... — deu aquele sorriso irônico que só usava com ela fazendo sua pausa dramática antes de adicionar — de novo

— Seraphine! — lutou um pouco para empurrar essas lembranças específicas para fundo da mente — você sempre começa fazer isso quando quer fugir do elefante da sala

— Certo desculpe — mesmo com pouco claridade podia ver suas bochechas coradas — e obrigado por vir até aqui comigo

— Agradeça quando chegarmos — diminuiu o passo tentando ver alguma coisa mais a frente, mas somente o mesmo padrão das tubulações ancestrais dos Kiramman — sentindo mais essa coisa?

— Tão perto e tão distante quanto no topo da cidade — Seraphine começou a gesticular como sempre que tentava descrever em palavras o que sentia com seus poderes empáticos — mas parece estar nesse caminho

— Eu sei, a merda de sempre de poderes arcanos — Deu de ombros girando o polegar pelas costas da mão de Seraphine — mas juro, se for alguma aberração química ou manequim zumbi você vai ter que me recompensar muito

— Pensei que estávamos tentando não ir por esse caminho — piscou com falta inocência para ela

— Eu sou só um pedaço de carne zaunita para você mulher — foi suficiente para a fazer rir alto e ecoar pela tubulação

Elas continuaram a caminhar em um silêncio confortável, o que provava o nível de concentração de Seraphine. Sua tagarela jamais faria uma caminhada sem no mínimo cantarolar algum ritmo de dentro da sua cabeça rosada, Zeri se pegou admirando a namorada enquanto caminhava. Ela já fazia isso com uma cidade inteira para a distrair, imagine agora onde única coisa para se olhar era a beleza de longos cabelos tingidos presos em um rabo de cavalo

— Oh — o espanto de Seraphine a trouxe de volta a realidade, tinha chegado ao fim daquela tubulação em um enorme salão que aparentemente conectada todo o sistema mas não era originalmente sua função. Pelas paredes pássaros azuis pintados de diversos tamanhos e vários estados de preservação, tudo ali parecia muito antigo, muito antes de qualquer obra do sistema de respiradores

Pichações mais recentes que só de olha sabiam a autora também cobriam alguns trechos da parede e colunas e no centro bem ao fundo um altar de pedra simples com uma pintura gigantesca da fúria da tempestade, Janna — será que pessoal do templo nas fissuras sabe que isso existe?

Ela não obteve resposta, Seraphine estava parada ali olhando para o altar estática vendo algo além do que Zeri era capaz, respiração irregular e pela experiência que tem com os poderes empáticos da namorada sentia aquele arrepio arcano passando por suas mãos entrelaçadas

— Passarinha? — tentou a chamar de volta para realidade apertando sua mão e obstruindo a visão de Seraphine tentando fazer ela focar nela — Runeterra para passarinha.

— Oi? — saiu do transe visivelmente desequilibrada, Zeri soltou seu lampião no chão e a segurou pela cintura enquanto ela piscava confusa — nossa, isso foi muito

— Sim, não te vejo tão confusa desde que seu fã-clube te atropelou — recebeu olhar de aviso — ok, sem falar mal de Serafãs, por que não nos sentamos?

Guiou ela até o altar onde se sentou com ela, Seraphine olhava para os lados provavelmente recebendo excesso de sinais de sua magia, não muito diferente de quando tem suas enxaquecas mais fortes — melhor?

— Sim, foi como um tapa na cara — gesticulou para sua volta — e como se algo enorme como uma tempestade estivesse na minha frente e um instante não mais, e ainda está por toda parte

— Talvez devemos parar de procurar — passou o polegar pela bochecha dela que curvou em sua direção como um animal de estimação pedindo mais

— Não, vamos até o fim. Isso já me tirou o sono o suficiente! — ela sentou ereta e começou

— Crianças não precisam mais procurar, estou sempre junto a vocês — arrepio atmosférico fez Zeri pular para longe de Seraphine antes de canalizar uma descarga elétrica em sua volta. Voz parecia vir de todos os lados porém ainda não existir ali junto delas

— Seraphine não faça isso — quando voltou a olhar para namorada ela já tinha se levantado encima do altar e cristais começavam a se formar em alinhamento geométrico perfeito com ela no centro enquanto ela cantarolou um tom grave baixo com sua voz

— Revela-se! — caos começou a partir daí, como se os ventiladores tivessem sido ligados vento forte começou se debater entre as colunas e paredes, Zeri começou correr de volta para o altar onde apesar dos cabelos jogados para todos os lados estava firme erguendo os braços como se sentisse a música da tempestade

— Criança devota — rosto com traços shurimanes tocado pelo sol com longos cabelos brancos se manifestou na frente de Seraphine onde sua mão fez um pequeno carinho em sua testa — meu povo novamente enfrentará as mazelas desse mundo.

— Tenha fé, aqui estarei mais uma vez para Reis e runas impedir — Zeri se agarrou no altar para a ventania não a derrubar, Seraphine por outro lado permanecia como se o vento não pudesse a derrubar flutuando alguns centímetros da pedra do altar, por sua magia ou da santa ela não sabia dizer — abençoados sejam meus devotos a proteger Oshra Va'Zaun das tempestades que virão

Do mesmo jeito que começou o vento parou e tudo se aquietou e a santa partiu como se jamais estivesse ali. Zeri pulou para trás para amortecer o pouso de Seraphine que caiu para trás sem cerimônia

— Opa — os olhos azuis olharam profundamente a alma refletida nos verdes cheios de preocupação quando foi agarrada por braços firmes e gentis — tudo bem aqui?

— Se você dizer que também viu estou bem — ela olhou em volta antes de voltar ao olhos de Zeri

— Sim, aconteceu para caralho — Zeri riu um tanto exasperada — a porra da deusa pintada na merda dessas paredes acabou de falar de forma enigmática enquanto você a invocava como uma sacerdotisa possuída pela droga do arcano passarinha!

— Olha boca — Zeri a encarou, sério que ela ia censurar seu palavreado depois dessa experiência que ela não tinha palavras para descrever

— Consegue andar? — ganhou uma afirmação com a cabeça — preciso dormir para digerir o que caralhos aconteceu aqui

— Acho que você está em choque — Seraphine riu enquanto aceita sua ajuda para levantar

— Como eu não estaria depois de ver a própria Janna? — olhou incrédula para namorada que começou a puxar ela por onde vieram — como diabos você não esta em choque?

— Parecia muito familiar, quase maternal — sorriso saudosista tomou suas feições

— Sinceramente, você e louca. E eu devo ser ainda mais.