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Beauty of evolution

Summary:

Richard and Henry navigate the trials of their first year as parents. Amidst the scent of linden trees and pizzas scattered across the grass, the lingering heartaches of the Lancaster family are put to the test. A short, sweet story about what it truly means to be 'living proof' of love.

Notes:

Yes, everyone here is one big family. Henry, Margaret, and Edward are siblings from the same wealthy family.
The English version will be available SOON.
I added some original characters.

Work Text:

“Ah, pela coroa, Albert!”

“Não fale da coroa em vão Olivia! um dia você será presa e acabará levando todos contigo!” Exclamou o homem alto, de cabelos morenos e olhos verdes, vestido de maneira formal demais para a situação, com camisa social azul branca, calça e sapatos sociais, o que era engraçado, visto que estava sentado displicentemente na grama de um parque público.

“Bem, eu não estaria gritando e falando sobre a coroa se você não fosse tão egoísta!” A mulher de cabelos ruivos cacheados se virou bruscamente, direcionando seus olhos verdes à única pessoa que detinha autoridade e poder ali. “HENRY! Peça para seu primo idiota parar de monopolizá-lo!”

“Controle sua língua na frente do bebê, sua vulgar!” respondeu Albert, atraindo um olhar mortal de sua atual adversária, a senhorita Sullivan.

“EU estou a um passo de tomá-lo de vocês, já que estão dando um péssimo exemplo ao MEU sobrinho!” ameaçou Edward com um sorriso de deboche no rosto.

A briga entre os três continuava a todo vapor no meio do parque. algumas pessoas que ali passavam os olhavam com curiosidade que, logo em seguida, se transformava em diversão, afinal, não era todo dia que viam dois adultos brigando igual a duas crianças por, bem, um bebê. O que eles não sabiam era que apesar das brigas e cutucadas os três eram amigos de longa data – na verdade, todos que estavam sentados debaixo daquela grande árvore eram.
Henry apenas abaixou a cabeça, disfarçando a gargalhada que estava presa em sua garganta pela cena que seus ex-companheiros de faculdade causavam à sua frente. Já havia se passado sete anos desde que se formaram na prestigiada Universidade de Oxford. Alguns continuavam atuando na academia, agora como pesquisadores e cientistas buscando títulos de pós-graduação, outros escolheram seguir caminhos alternativos e descobrir novas aventuras. Apesar do tempo ou da distância, eles prometeram que sempre manteriam contato e que, ao menos, tentariam se ver uma vez a cada trimestre.

Normalmente eles se encontrariam em um bar ou em algum festival na cidade, mas hoje estava sendo um verdadeiro dia de verão inglês. Junho trouxe com ele uma brisa fresca, um sol radiante e um lindo azul no céu; todos concordaram imediatamente em se encontrarem em um parque com grama e sombra vasta. Cervejas, bebidas, salgadinhos e algumas pizzas estavam espalhadas na grande toalha estendida no chão, onde Edward estava confortavelmente deitado. O dia do reencontro começou agradavelmente animado, e conseguiu ficar ainda mais quando Henry e Richard trouxeram uma pequena surpresa.

“Todos terão a chance de pegá-lo, não se preocupem.” Richard disse com uma voz calma e um educado sorriso no rosto. Eles estavam sentados próximos à uma grande arvore de Tília que havia no parque. Richard estava repousando sua cabeça tranquilamente no ombro de Henry, que observava tudo – divertido demais, se alguém perguntasse a ele. Apesar da calma que transparecia, Henry conhecia bem demais seu parceiro, o conhecia como a palma da mão. Ele sabia que aquele leve apertar de dedos, os olhares prolongados que Richard direcionava para as três pessoas (que estavam brigando pelo seu filho),e o leve – e quase imperceptível – franzir de sobrancelhas eram sinais externos. Revelavam o que a conexão de amantes já o contara – Richard estava incomodado com o filho deles.

Não que Henry o estivesse julgando, Richard sempre fora muito protetor. Não era surpresa para ninguém que, como pai, ele continuaria do mesmo jeito. Mas eles estavam trabalhando nisso, para que Richard aprendesse desde já a diminuir sua superproteção, afinal ser pai é ensinar seus filhos a serem livres e, por mais que doesse, essa era a verdade. Naquele momento ele sabia perfeitamente que este era o único motivo para Richard não ter finalizado aquela briga boba, tirando Demmie dos braços dos seus amigos para acolhê-lo em seus braços protetores. Com orgulho e o amor transbordando em seu peito ele se inclinou e beijou a testa do parceiro suavemente, o que atraiu um olhar curioso de seu amante, que logo fora recompensado com um leve sorriso.

Demetrius, ou Demmie, como era carinhosamente chamado, era um menino de oito meses sorridente e animado, mas apenas com as pessoas que seu jovem cérebro de certa forma reconhecia, com estranhos, no entanto ele poderia ser comparado a um gatinho assustado. Seu sogro costumava dizer que as singularidades de Henry e Richard se entrelaçaram e moldaram não apenas a personalidade de Demmie, mas sua aparência física. Desde então Henry não conseguia olhar para seu filho com um olhar diferente da mais singela admiração e adoração, desde seus cabelos loiros ondulados e sua tez pálida, até seus olhos bicolores azuis e roxos.

Como o garoto curioso que era, soltava risadinhas para cada par de mãos que tentava delicadamente tirá-lo do colo de Albert. Hoje era dia de Richard vesti-lo, então seu pequeno garoto estava vestido com uma camisa polo branca, com dois pequenos botões perto da gola, completando com shorts pretos que combinavam com os pequenos suspensórios que seu sogro o havia presenteado. Nos pés, fofos tênis infantis azul-escuros para fechar.

“Eu não consigo acreditar que você é pai.” Margaret, que até então estava calada, resmunga à sua frente olhando para o pacotinho branco. “Achei que o primeiro a me dar um sobrinho seria o Eddie - e por irresponsabilidade deixo claro.” Ela riu logo em seguida e mostrou a língua, divertida, como resposta para o claro “Ei!” raivoso que Edward lançou em sua direção.

“É isso aí, Henry!” diz William com a boca cheia de pizza, engolindo rapidamente um gole de cerveja antes de continuar. “Vocês dois me deixaram MUITO mais consciente das consequências de não usar proteção.”

“Não na frente do bebê, seu i...” Com os olhos arregalados ao ver o olhar ameaçador de Richard, Olivia tentou consertar seu quase erro rapidamente “I... inepto?” Como se esperasse a aprovação de Richard, ela suspirou aliviada ao receber um leve aceno de confirmação do mesmo.
Continuando como se nada tivesse acontecido, Olivia olhou diretamente para William “Se você ousar falar alguma besteira na frente do meu pequeno príncipe de novo, eu vou garantir pessoalmente que você não precise se preocupar nunca mais com proteção, entendeu?” A ameaça em sua voz, porém, não durou muito, porque logo ela ergueu o bebê acima do rosto. Visto que realmente tinha conseguido vencer Albert pelo monopólio do pequeno — pobre e valente Albert não era páreo para a fúria da natureza que era Olivia —, ela disse com uma vozinha de bebê “Ele entendeu, não é, meu amor? Sim, sim, ele entendeu, meu amor!”

Assoprou a barriguinha de Demmie, fazendo com que ele risse, e suas risadas causavam mais risos em Olivia, o que criava um ciclo interminável de risadinhas.
Todos estavam comendo, alguns bebendo, jogando conversa fora, felizes, rindo das travessuras de Demetrius e Olivia.

“Como está sendo ser pai de primeira viagem, Richard?” pergunta Albert, encostado em Olivia, ignorando seus resmungos, enquanto brincava com a mãozinha do menino. “Não posso imaginar esse anjinho causando problemas, ele é tão fofo!”

“Demetrius é ótimo, mas ainda é um bebê. Ainda acorda no meio da madrugada e ainda estamos descobrindo o que ele gosta e não gosta de comer. Ele está começando a querer dá seus primeiros passos, quando menos espero ele está em pé tentando andar pela casa, então sim, ele cansa bastante.” Comenta, cansado, mas com um sorriso radiante. “Como um bebe anda tão rápido, pelo amor?!” Henry escuta Richard resmungar apenas para ele e ri baixinho, escondendo o rosto nos cabelos lisos do marido.

Levantando-se de onde estava sentado e abrindo um cooler que servia de mesa para alguns lanches, William distribui cerveja para alguns. Todos sabiam que Richard não estava bebendo por conta da amamentação, então sem cerveja para ele. Pulando o moreno de cabelo lisos, William estende uma mão com uma lata para Henry, que nega com a cabeça.

“Você não está bebendo Henry? Richard está te proibindo de novo?” William pergunta com um sorriso conhecedor, fechando o cooler novamente e voltando para seu lugar ao lado de sua noiva. Henry, com a cabeça escondida, responde com um leve aceno, o que arranca risadas de todos e um leve franzir de sobrancelhas de seu marido, além de uma cotovelada em sua cintura, o que o faz recuar um pouco, ainda rindo.

“Estou brincando, Richard não me proíbe de nada, apenas acho melhor ser assim. Somos parceiros afinal.” Fala, beijando a mão entrelaçada com a de seu marido. “E passar um tempo sem álcool ou cafeína não mata ninguém!”

"Nossa", Edward faz uma careta. "Eu vi Richard tomar uma cafeteira inteira de café em 30 minutos. Não consigo imaginar como você deve estar se sentindo agora."

“Estou me virando.” Richard responde, dando de ombros. “Mas agradeço a vocês por nos deixarem trazê-lo. Ter um pouco de descanso é muito bom, e o Demmie estava precisando de um pouco de ar fresco.” Ele olha para o filho com carinho, mas ainda assim se mantém encostado em Henry, como se não pudesse descansar há um tempo - o que provavelmente, é verdade.

“Claro!” exclama Olivia. "Tudo para ver essa gracinha!", ela diz carinhosamente para o bebê, que ri baixinho. Albert, ainda ao seu lado, brinca com o ursinho de pelúcia dele, fazendo-o falar enchendo o bebê de beijos. As risadas do pequeno ecoam pelo ar enquanto Albert continua com suas travessuras. O sorriso de Demetrius ilumina até a tarde mais ensolarada, e sua risada derrete o coração de todos.
Um em especial, ainda estava lidando com o bebê e tentando esconder de todos.

“Maggie?” A mulher loira levanta os olhos de sua cerveja, já quente pelo tempo em que não bebe, e se surpreende ao ver todos a encarando, até mesmo o pequeno, e mais novo membro dos Lancaster, Demetrius.
“Você quer pegá-lo um pouco?” pergunta Edward ainda deitado confortavelmente na grama, mas observando todos com um olhar curioso. Principalmente sua irmã mais velha, irmã essa que, desde que Henry chegou com o pequeno Lancaster, não parava de encarar o pequeno, mas ao mesmo tempo não parecia querer fazer nada além disso. Era a primeira vez que Margaret via Demetrius, já que, antes mesmo de ele nascer, estava ocupada com suas pesquisas de doutorado, viajando pelos países da América do Sul.

Todos sabiam da relutância que Margaret tinha com bebês, era algo pelo qual sempre fora repreendida, mas que nunca a deixou. Por ser a primeira herdeira de uma rica família e mulher, sempre foram postas expectativas sobre filhos. Falavam como se apenas com um filho ela ajudaria aquela família, talvez daí tenha nascido a indiferença pelas crianças.

“Ah vamos lá, tia Maggie!” Olivia diz, fazendo voz de bebê segurando Demetrius delicadamente e rindo “Me segure tia Maggie...” cantarola, puxando bastante o “e”. Todos riem das travessuras de olivia, mas principalmente por observarem a Professora Doutoura Margareth Lancaster corar fortemente na frente de todos.

Ela estufa o peito e cruza os braços, irritada.

"Não me chame assim", ela resmunga. "Me faz sentir velha."

“Por favor, tia Maggie?” Edward entra na brincadeira, finalmente se levantando e escondendo o rosto atrás do bebê. Henry tenta amenizar a situação. “Margareth, você não precisa segurá-lo”, afirma, dando-lhe um sorriso cansado.
Henry ama sua irmã, apesar dos desentendimentos que tiveram na adolescência, eles ainda eram irmãos e ele ainda a conhecia bem, não querendo forçar algo que poderia ser um ponto sensível para ela.

"Ah, está nervosa, tia Maggie?" Dessa vez a provocação vem de seu noivo, o que lhe arranca um olhar acusatório bem visível que gritava “TRAIDOR!!”. Richard ri, escondendo o sorriso atrás do copo de suco de laranja.

"Não estou!" Margareth cora, mas depois de alguns segundos de insistência, ela cede. "Eu seguro, tá bom?" Ela exclama, virando a cerveja de uma vez.

Todos suspiram surpresos, ansiosos para ver a mulher de cabelos loiros finalmente segurar o bebê. Eles se inclinam em seus lugares com imensa expectativa. Richard, no entanto, aperta a mão de Henry com os dedos ainda entrelaçados, direcionando um olhar preocupado em direção ao marido.

Richard e Margareth ainda tinham um relacionamento complicado, muitas mágoas do passado ainda estavam entre eles e isso, somado ao claro desinteresse da irmã de Henry por crianças, levou Richard ao que Henry imaginava ser o limite do mantra “Tenho que relaxar quanto a proteção do meu filho”.

Henry entendia, jurava por Deus que entendia, mas ele sabia que sua irmã não faria nada demais ao sobrinho, o máximo que poderia acontecer seria devolvê-lo rapidamente a Olivia com um comentário sarcástico. Em uma conversa silenciosa que somente os dois entendiam, Henry se inclinou discretamente, enquanto todos estavam com os olhares surpresos voltados para Margareth e Demetrius, e deixou um leve beijo nos lábios franzidos do marido. Sua mão livre fazendo carinho nos cabelos lisos de azeviche de Richard, e seu olhar suave dizia: “Está tudo bem. Estamos aqui. Demmie está bem. Ele está cercado de pessoas que o amam. Nada de ruim irá acontecer. Por favor, confie em mim.” O gesto relaxou Richard. Não completamente, nunca completamente, poia aquelas sobrpancelhas franzidas e olhar atento para qualquer coisa ainda estavam ali, mas Henry reconhecia uma vitória quando via uma, naquele momento, aquilo era tudo que conseguiria, e já estava mais do que ótimo.

Inclinando-se ao lado de Olivia, Margareth abre o colo, com os braços estendidos e prontos. Demetrius, sempre o bebê animado, balbucia para a recém-chegada, estendendo a mão em direção a ela.
"Só não puxe meu cabelo, garoto." A mulher suspira enquanto o bebê é erguido do colo de Olivia para o dela. Sob o olhar atento de Richard, Margareth segura Demetrius, embora com dificuldade. Ela o mantém em pé, segurando seu pequeno corpo pelo tronco e apoiando-o sob os braços. Sua pequena camisa branca está amassada depois de ter sido passado de mão em mão como uma bola de futebol, então Richard se aproxima e ajeita suas roupas.

“Ele gosta quando você o ajuda a ficar de pé, está aprendendo a dar os primeiros passos, então certifique-se de mantê-lo estável. Ele pode se agitar muito às vezes”,

Margareth olha para cima, percebendo agora o quão cansado não apenas Richard parece, mas Henry também. As olheiras e a camisa manchada são sinais óbvios de pais de primeira viagem exaustos. Apesar de tudo, o sorriso de ambos nunca sai do rosto ao verem Demmie com eles.

Ela definitivamente não vai ter filhos tão cedo.

Demetrius, por hábito, estende a mão em direção a seu pai, e com sua vozinha de bebê, diz com um sorriso “papa”. Sem conseguir agarrá-lo, seus olhos começam a lacrimejar e ele logo começa a chorar, a chupeta cai de sua boca enquanto ele se agita, arrancando um olhar preocupado e assustado de Margareth, o que por sua vez arranca uma risada de Richard. Por sorte, há um cordão preso ao seu pequeno suspensório. Sem hesitar, Richard coloca a chupeta de volta na boca dele e o conforta acariciando sua cabeça, arrumando os fios de cabelo ondulados do filho.

"Está tudo bem, Demmie, papai está aqui", ele murmura. A voz brincalhona de Henry soa atrás deles "É só a tia Maggie amor."

"Henry!", rosna Margareth, mas suas ameaças são vazias. Como ela pode ser ameaçadora enquanto segura um bebê sorridente que parece um querubim?

Richard volta ao seu lugar ao lado de Henry ignorando - COM DIFICULDADE - o olhar de adoração com que Henry o observava agora. Ele amava ser observado por seu companheiro, mas estava ignorando fortemente as implicações que ele só o estava recebendo por ter demonstrado confiança com Margareth e ter sido gentil com ela quando a mesma estava, ainda está, tão assustada. Henry se inclina enchendo de beijo a lateral de seu rosto e dizendo um doce “obrigado” que fez Richard virar o rosto para o lado oposto. Não para esconder o quão vermelho seu rosto estava, e sim porque havia um cachorro muito grande estava do outro lado do parque. Sim! Com certeza foi isso!

Com o choro já esquecido Demetrius sorria bobamente para a tia, apenas a encarando, com Margareth o encarando de volta. Assim eles ficavam por um tempo, até William se pronunciar. “Margareth? Querida?”
Com os olhos fixos no bebê, pareceu que só bastava isso para finalmente se soltar e dizer tudo que se passava em sua mente

“Você é extraordinário! Tudo em você é lindo e fantástico. Você era um amontoado de células, uma que virou duas, que viraram quatro, que por sua vez viraram oito, e que se multiplicaram ao ponto de serem incontáveis. Se diferenciaram e formaram você. Você! Um ser vivo, que respira, aprende, sente. Que logo irá andar, correr, falar e pensar por si mesmo. Você nasceu de uma noite desregrada de vinho e agora é um individuo completamente novo.” Ignorando um henry corado e o engasgo de Richard com o suco, ela continuou: “Um ser vivo.... Você ira aprender tantas coisas, coisas boas e ruins. Vai se machucar, vai rir, vai chorar e gargalhar. Irá sentir que seu coração foi despedaçado e que nunca será mais o mesmo, irá se decepcionar e vai querer desistir da vida, mas depois irá encontrar motivos para viver. Vai se alegrar e se orgulhar ao trilhar o próprio caminho, porque vai aprender que a vida é bem mais que tudo isso. Irá crescer e se tornar a mais bela criação da evolução.
“Todos os dias eu estudo seres vivos, seus comportamentos, morfologia e anatomia. Já vi muitos animais, mas a beleza da vida agora está em meus braços. Você está preocupado em quando irá saciar sua fome, quando poderá tirar uma soneca ou quando a moça na frente irá parar de falar tanto, sem saber que foi feito de poeira cósmica. Sem saber que as galáxias moram nos seus diferentes olhos, sem saber que seus órgãos estão funcionando incansavelmente como prova viva da vida. Você está experimentando o que é estar vivo! Sem saber que é extraordinário! A vida é engraçada, mas você é espetacular e sempre estarei aqui por você pequeno!

Quando Margareth acabou de falar, todos estavam em choque e quietos, de certa forma, refletindo sobre o que é a vida. Surpresos mais ainda por aquela mulher tão poderosa estar com olhos molhados, dando um beijo na bochecha redondinha de seu sobrinho arrancando risadinhas dele. Ninguém viu ou ouviu, mas naquele pequeno e curto abraço, ela falou em seu ouvido “te amo pequeno. Leve adiante o legado Lancaster.”

Afastando-se do bebê, ela o ajeitou rapidamente, arrumando sua camisa branca e seus cabelos loiros mais uma vez - despenteados pelo vento que se encarregava de bagunçá-los avidamente. Com seu sobrinho retornando a postura arrumada que todo verdadeiro Lancaster deveria ter, ela o levou para o colo de seu pai, assim retornando para seu assento ao lado de William.

No colo de Richard, Demetrius não parava de rir, alheio ao choque do pai, ergueu os bracinhos em direção a tia ao seu lado.
“Ma-” ele murmura por trás da chupeta. Richard, saindo de seu estupor, ergue uma sobrancelha. Com uma das mãos ainda o segurando, ele tira a chupeta da boca do pequeno e se inclina para frente, esperando ansiosamente. Cutucando henry com o cotovelo “Henry, acho que Demmie irá dizer alguma coisa.” Todos olham para a criança sorridente com expectativa.

"Maggie!" ele balbucia, sorrindo alegremente para o rosto agora sorridente e marejado da mulher loira.

"Ele acabou de...?" Albert engasga, e a boca de Edward se abre em choque.

"Ele disse!" Olivia junta as mãos, empolgada. Ela olha para Edward, que está, com razão, ainda, boquiaberto.

“Maggie”, Demetrius ri baixinho novamente. Ele bate palmas, imitando Olivia.

"Espera aí... O QUÊ?!" exclama Edward, finalmente saindo de seu choque. “Estou tentando fazer ele dizer ‘titio’ há séculos! Nem sequer ‘Eddie’ ele diz.” Ele se vira para o sobrinho com um olhar realmente traído. “EU estou com você toda a semana e a primeira palavra que você diz além de ‘papa’ é o nome da mulher que você conheceu HOJE?!” arrancando risadas de todos na roda. “ESQUEÇA os biscoitos você ouviu Demmie? Esqueça!”

“Você está dando doces escondido para meu filho?” Parando de rir, Henry pergunta com um olhar sério, um olhar que ele não sabia fazer até ser pai. O que deixou um Edward tremendo e ignorando, ou fingindo ignorar, a informação que ele próprio tinha acabado de vazar.

"Parece que ele prefere a tia Maggie", Margareth sorri maliciosamente para o caçula. "Não é verdade, Demmie?"
O bebê não confirma nem nega, fixando-se em sua nova fascinação: o cabelo de Margareth. Ele estende sua mão gordinha, agarrando um punhado de sua franja. Com toda a sua força, puxa, levando as mechas cor de loiras à boca.

"AI!" Margareth grita. Todos no grupo caem na gargalhada. “Eu te disse para não tocar no cabelo!”
Retirando o cabelo da irmã de Henry dos dedos do filho, Richard o puxa novamente para seu colo, sorrindo como desculpas silenciosas a Margareth, que logo o dispensa com um aceno de mão. Ela sorri docemente ao sobrinho apesar do ocorrido, o que não passou despercebido do olhar atento de Richard.
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Com o dia escurecendo e Demetrius ficando mais manhoso por conta do sono, todos decidiram que estava na hora de encerrar o encontro, voltando para suas vidas cotidianas corridas, mas animados para a próxima vez que se veriam.

Se abraçaram nas despedidas, prometendo que da próxima vez seria na casa nova de Albert. Margareth e William foram os primeiros a irem embora seu Jeep preto, seguidos por Edward que, ignorando os apelos dos irmãos para que comprasse um transporte mais seguro, partiu de moto - não sem antes deixar mil beijos em um Demetrius sonolento. Olivia e Albert foram os penúltimos, foram embora juntos oram embora juntos no sedan branco de Albert, que insistira tanto em oferecer uma carona que Olivia acabou aceitando.

Com todos partindo, os que restaram arrumando o bebê no carro fora Henry e Richard. Henry realizava os últimos ajustes na cadeirinha de Demetrius enquanto Richard guardava as últimas cestas de comida no porta-malas e, ao garantir que estava tudo ok, baixou a porta e se dirigiu ao banco de motorista. Ajeitando o retrovisor, olhando para Demmie, que dormia tranquilamente, ele sorriu. Apertou os cintos e colocou o carro em movimento pelas ruas noturnas, exausto e mais que pronto para ir para casa, tomar um banho e dormir. Com sorte o dia fora tão cansativo para Demetrius quanto fora para ele, o que garantiria uma boa noite de sono para ambos, caso contrário, era a vez de Henry de qualquer maneira.

Falando nele, o loiro estava verificando as fotos que tiraram do dia, mostrando rapidamente para Richard as imagens de Demmie. Porém não durou muito, como se tivesse lembrado de algo muito importante, Henry logo abaixou o celular e olhou para Richard - com aquele tipo de olhar. Se remexendo um pouco desconfortável Richard não aguentou o silêncio.

“Pelo amor Henry, pare de me olhar com esses olhos!” exclamou, desviando a atenção da estrada por tempo suficiente para ver o homem loiro ao seu lado levantar as mãos em rendição.

“Que olhos, querido?” perguntou com voz inocente.

“Não me venha com essa de ‘querido’, apenas.... diga logo o que você quer dizer.” Disse Richard que, infelizmente, não pôde esconder o rosto corado.

“Estou bem, amor, não há nada” respondeu rindo levemente, pegando o celular e distraindo-se com ele novamente.

Mas, se henry achava que poderia enganá-lo, estava muito enganado. Aquele sorriso injustamente lindo em seu rosto só comprovava que Henry queria sim dizer alguma coisa, mas achava que Richard deveria dizê-lo primeiro. Pois bem, dois poderiam jogar aquele jogo, e Richard não queria dizer nada. Nada!

O silencio do carro, preenchido pelo barulho suave do motor e pela música em volume baixo no rádio, durou um pouco mais da música Name do Justin Bieber (não, Richard não era fã!). Quando ele enfim não aguentou mais sua mente agitada e soltou um longo suspiro, apertando o volante com mais força ao ouvir a risada leve de seu, até então, marido.

“Okay, Henry, okay!” exclamou, relaxando os dedos do volante e recostando-se contra o banco do motorista, ele nem tinha reparado que estava tão tenso ao dirigir. “Eu não sei o que pensar da sua irmã okay?! Eu sei que ela é sua irmã e que você já a perdoou. Se você o fez, eu deveria fazer também, mas eu não consigo. Caramba, até o Demetrius gostou dela de primeira! Você viu aquilo?!”

Ele virou como se estivesse contando uma fofoca do escritório para o marido, e ignorando o sorriso dele para manter o cônjuge. “Ele falou o nome dela Henry, até entendi o pobre do Edward... e eu juro por Deus que se essa tivesse sido a primeira palavra dele, eu talvez tivesse tido um aneurisma.”

Ao ouvir isso, o homem ao seu lado, que um dia ele confiou para o chamar de amor, gargalhou, inclinando-se o máximo que o cinto de segurança o permitia. Richard, que já estava meio corado, ficou ainda mais vermelho, tentando dar um tapa em seu ombro enquanto henry desviava avidamente, ainda rindo. Ah se ele não estivesse dirigindo...

Depois de mais alguns segundos rindo, Henry se recompôs e olhou para um Richard irritado, tentando pegar sua mão no câmbio, mas recebendo apenas um tapa como resposta. Suspirando, e limpando uma lágrima que escapou de seu olho, se direcionou ao seu lindo amor.

“Desculpe amor, de verdade, mas aneurisma? Foi demais e você sabe!” disse rindo. Mas Richard continuava olhando para frente, Henry decidiu que estava na hora de ser sério.

“Olhe, Richard, eu jamais, jamais te forçaria a fazer qualquer coisa. Minha irmã nos fez muito mal, e eu não esqueci isso. Sim eu a perdoei, mas não me esqueci de nada. Não entenda mal, mas ela mudou sabe? Não é mais aquela mulher fria e egoísta. Sempre que me recordo do que ela fez, vejo o quanto ela evoluiu e não consigo odiá-la. Eu fiz isso por mim Richard, porque eu queria minha irmã de volta. Fiz porque guardar tanta raiva no meu peito estava me sufocando. Mas eu entendo, que foi mais fácil porque ela É minha irmã, e não importa o que ela faça, os anos, a distancia, ela sempre vai continuar sendo. Ela é minha família, e é mais fácil para mim perdoá-la do que para você.”

Ao examinar a expressão de Richard, Henry viu que ele estava relaxando. E com essa permissão, estava na hora do xeque-mate. “Ela te machucou Richard, não apenas a mim. Eu nunca te julgaria por ainda não gostar dela, cada pessoa tem seu próprio tempo! Mas deixo claro, que eu peço que a perdoe - não por ela, não por mim, mas por você, amor. Para esquecer isso e seguir uma vida tranquila.”
Ele disse olhando fixamente para o marido, que devolvia com intensidade, aproveitando que o carro parara em um sinal vermelho.

“Eu... eu não sei se consigo Henrie” Richard não gaguejava. Nunca. Nunca. Aquilo era mais sério do que Henry imaginara. “Não ainda.”

“E está tudo bem Richard!” disse com pressa. “você tem seu tempo. não te julgo por isso! Está tudo bem." ergueu a mão fazendo carinho em sua nuca, acariciando os cabelos lisos do marido, inclinando-se para deixar um beijo em seus lindos lábios. Richard respondeu apenas com um aceno rápido, mas seu corpo estava mais tranquilo e seu sorriso suave estava de volta em seu rosto. Estava tudo bem.

Assim eles faziam funcionar. Para que hoje pudessem ter essa família, com um filho lindo dormindo na cadeirinha no banco de trás, Richard e Henry lutaram contra vários adversários e destruíram muitos obstáculos. Demetrius era a prova viva do amor deles. E era isso que importava.
Logo chegariam em casa. Henry faria um jantar rápido, ou pediriam algo para comer. Tomariam um bom banho e iriam dormir, prontos para o dia seguinte. Tudo era possível. A vida era extraordinária — e a prova disso era o pequeno dormindo no banco de trás.