Chapter Text
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PARTE I
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Era uma vez uma garota apaixonada por coisas cintilantes que gostava de colecioná-las, porque ela era brilhante, e o mundo precisava ver isso. Possuía uma personalidade forte, era intensa, determinada, e não se deixava abater pelas dificuldades ou provocações alheias, estando sempre radiante. Poderia ser o próprio sol, mas se dedicava a apagar o brilho do corpo celeste com sua ousadia.
A jovem de pele negra e cabelos castanhos, sempre refletia sua personalidade através das roupas e acessórios que usava. Poderia costurar vestidos com caudas imensas cravejadas em pedras preciosas, e com fios bordados em pura magia refulgente. Mas todo esse brilho e esplendor, não passava de uma tentativa de ofuscar um desejo oculto dentro de si: ela ansiava em encontrar o mais precioso resplandecente bem: o verdadeiro amor.
Morava num vilarejo encantador chamado de Arvoredo da Alegria, construído dentro de uma floresta mágica, com feras encantadas, animais mágicos, e uma variedade quase infinita de encantos. A cidade era governada pela família de mesmo nome, conhecida por sua grandiosa generosidade, amor, carinho e, principalmente, alegria. A garota dessa história, era a lady herdeira da família Arvoredo da Alegria, conhecida como Ariel.
Ariel considerava ter uma vida brilhante, quase de conto de fadas. Conhecia o amor principalmente de duas formas, a começar com a ligação de sangue, através de seus pais e irmão mais velho, Lyric. Por intermédio de Lyric, conheceu outra forma de amor, nascida de uma amizade tão forte, que ultrapassava o vínculo sanguíneo, para se tornar uma união de almas, leais além da morte. Lyric compunha o famoso Trio do Arvoredo da Alegria, junto com seus amigos Jacks da Grota e Castor Valor.
A garota audaciosa, gostava de escapar da rotina que às vezes parecia monótona, para passar um tempo com o Trio do Arvoredo da Alegria. Dedicava-se a ouvir suas conversas, analisar aquele vínculo mais de perto, ansiando viver um pouco daquela relação preciosa. Em alguns momentos, sentia-se pertencente ao grupo, e podia imaginar que o amor romântico, que constantemente via em livros de contos encantados e tanto ansiava, deveria se assemelhar àquela conexão.
Um belo dia, Ariel decidiu explorar a mais alta colina do Arvoredo da Alegria, onde era possível encontrar cristais brilhantes raros, escamas de dragões, flores mágicas cintilantes, e talvez, se tivesse sorte, linhas de aranha-de-fogo — que quando bordadas em tecido, brilhavam como chamas e era um verdadeiro tesouro. Ela passou a tarde explorando a colina, procurando entre arbustos, grutas, e mesmo se arriscando à beira de poços encantados de água, onde vez ou outra aparecia uma espécie de ninfa d’água com uma pérola rara.
Ariel conseguiu encontrar pouca coisa naquele dia, e para sua frustração, nenhum fio de aranha-de-fogo à vista. Era seu sonho bordar um vestido que se assemelhasse a estar em chamas, para sua coleção pessoal. Seria tão espetacular, que poderia usá-lo como vestido de noiva. Enquanto pensava sobre o tipo de bordado que poderia fazer no tecido, seus olhos avistaram algo vindo no céu, pairando tão alto e lentamente descendo, girando em círculos sobre sua cabeça: um enorme dragão de escamas na cor de cobre, com um inebriante efeito, similar a incendiar-se ao sol do crepúsculo.
A garota ficou tão fascinada com aquele brilho, que só compreendeu que o dragão estava próximo em demasia, ao sentir as garras do animal fincando em seus ombros, erguendo-a no ar. A cesta que carregava com o que havia coletado ficou caída no chão, se afastando cada vez mais à medida o dragão voava mais alto. Ariel se debateu inutilmente na tentativa de escapar. Os dragões eram conhecidos por acumular tesouros, um fato extremamente irônico, já que a jovem capturada compartilhava de um hábito similar. Devido ao sol, a criatura confundiu o brilho de Ariel e a raptou para si, como um valioso tesouro.
Após alguns minutos, se dando por vencida, a jovem apenas aguardou o fim que a esperava, até o dragão finalmente pousar. Para sua surpresa, a criatura parecia ter uma inteligência singular, não a devorando quando percebeu que era humana, e muito menos a soltou levianamente. Com minucioso cuidado, depositou a brilhante jovem no chão de uma clareira, ao centro da Floresta da Alegria, e em seguida pousou à sua frente, fixando o olhar acobreado aos dela. Em uma fração de segundos, uma chama se apoderou de todo o dragão com um brilho ofuscante, que não emitia qualquer calor. Quando o brilho se foi, no local em que a criatura deveria estar, se encontrava um homem alto e corpulento. Seu rosto possuía traços marcados com um sorriso brutal no canto dos lábios. Tinha cabelos com grossos cachos castanhos, e o mesmo olhar intenso pertencente ao dragão. Ele se aproximou com passos confiantes, percebendo que seus instintos confundiram a bela lady com um tesouro. Seu tesouro recém descoberto.
— Príncipe Dane Valor. — ele se apresentou, estendendo a mão de forma galante para segurar delicadamente os dedos de Ariel, e a beijar.
E assim, Ariel Arvoredo da Alegria, a garota que sonhava com um amor cintilante, acabava de encontrar o seu primeiro amor.
