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Incidente 1
Junghoon estava deitado no sofá de casa, assistindo a uma série no serviço de streaming que o dono do apartamento, Seungcheol, pagava. O beta havia saído para ver alguns amigos, e disse que Junghoon tinha liberdade para fazer o que quiser, e que os outros dois deveriam agir como os adultos civilizados que eram, e que Junghoon tinha permissão para relatar qualquer saída de linha dos dois. Junghoon havia achado o comentário do beta mais velho engraçado, porque era obvio que Seungcheol achava que ele era uma pessoa responsável e confiava nele para relatar qualquer coisa errada que o casalzinho menos amado dele cometesse, mas ele também sabia que Junghoon costumava defender os dois e esconder certas coisas deles. O próprio Seungcheol também fazia isso.
Sumin hyung dizia que Beomseok e Jeongguk se livravam de muitas consequências porque Junghoon era uma pessoa que confrontava pouco e escutava demais, e porque Seungcheol estava sempre cansado demais para colocar qualquer limite real naqueles dois. O ômega havia dito, mais de uma vez, que era errado como aqueles dois pareciam tomar a gentileza dos dois betas como algo imutável, como algo que era um direito garantido a eles em lei, e Sumin não havia dito aquilo pelas costas dos dois. Ele disse bem na frente de Beomseok e Jeongguk. Junghoon não discordava daquelas palavras, mas ele sentia que não precisava (ou melhor, que não deveria) ser tão duro com os dois. Não era exatamente um instinto, era mais uma sensação de que as coisas seriam mais simples se ele simplesmente cedesse, não era grande coisa. Ele era gentil porque ele gostava de ser gentil.
Ou, pelo menos era o que ele dizia para si mesmo naquele exato momento em que ele se deitava no sofá, com uma bacia grande de pipoca e um copo de refrigerante barato como janta, exausto e tentando encontrar entretenimento em uma série tola de anime. Ele suspira, colocando uma quantidade grande de pipoca dentro da boca, se encolhendo enquanto agarrava sua bacia de. Ele queria um abraço quente de alguém, ele não sabia dizer quem, mas ele queria. Talvez ele devesse ligar para Sumin? Ele sabia que a ideia talvez não fosse tão boa. Jeongguk disse que seu cio estava perto, ele ficaria bem de ter outro ômega entrando em sua casa naquele período?
Junghoon coça a cabeça levemente, bebe um gole do refrigerante e olha pra a aquela série na televisão com um leve desgosto. Era mais uma dessas histórias slice of life sobre casais alfa e ômega, em que eles passavam uma grande quantidade de tempo sendo levemente idiotas, e depois percebiam que se amavam. Ele não sabe se ele deveria continuar assistindo aquilo.
O protagonista daquela história, um alfa de coração mole, tinha uma relação muito próxima com seus pais e eles eram uma grande parte da história, apoiando o jovem em tudo o que ele poderia querer. Uma cena em que ele abraça o pai, agradecendo ao homem mais velho por ajudá-lo a lidar com o personagem ômega da história, é o que acaba se tornando meio que o antígeno de Junghoon. Ele sente uma sensação desconfortável em seu peito, uma saudade daquelas que sufocam e roubam o ar de seus pulmões, uma lembrança de seus próprios pais o assombrava.
Era desconfortável. Ele se levanta, colocando a pipoca e o copo na mesa de centro antes de se levantar e ir até seu quarto, indo até um cantinho de seu guarda roupa em que ele guardava todas suas coisas que precisam ser guardadas longe dos olhos das pessoas. De lá, ele puxa uma bolsa que ele abre e pega um cobertor. Antigo, desbotado, que cheirava a tecido abafado e um aroma distante de sabão neutro para roupas de bebe. Era feito em crochê, com uma linha que Junghoon não sabia identificar e um padrão de cores que indicava a temperatura máxima dos dias do primeiro ano de vida de Junghoon. Aquele havia sido o ultimo presente que ele recebeu de seus pais, quando ele estava no ultimo ano do ensino médio. Bem, ele não havia recebido o presente deles exatamente, ele diria que ele havia encontrado o cobertos encima da cama de seus pais, e uma carta meio escrita que seus pais pretendiam entregar para ele quando ele se formasse.
Junghoon se enrola naquele cobertor, voltando para a sala e trocando de série antes de se sentar novamente no sofá, se acomodando com seu cobertor sobre suas pernas. Ele volta a comer a pipoca que ele havia preparado, agora assistindo uma série de comédia sobre um grupo de amigas betas.
O beta come toda sua pipoca, bebe todo seu refrigerante e continua assistindo a séria por algumas horas. Ele assistiu quase metade da temporada inicial da série antes de receber uma ligação no celular, ele suspira de susto quando ele ouve seu toque, ficando desesperado e com medo de ser algo que viesse de seu trabalho, ou alguma noticia ruim vinda de seus familiares ainda vivos. Ele relaxa ao ver que era apenas Sumin.
— Hyung? O que houve? — O beta pergunta levemente desconfiado, segurando o cobertor ainda mais próximo do peito. Ele estava com frio.
— Não houve nada, Hoonie! Eu liguei porque meu colega de quarto entrou no cio dele, e eu queria ficar ai com você enquanto os supressores dele fazem efeitos!
— Espera, mas você quer ficar aqui? Comigo? — Junghoon começa a olhar para o estado do apartamento que estava até que consideravelmente limpo, mas que para receber Sumin hyung ainda estava bagunçado demais.
— Claro, porque eu não iria querer ir ai ficar com você? Eu tava pensando em nós dois jantarmos juntos, quem sabe ver um filme! Vamos lá, Junghoon, é a primeira sexta feira em um monte de tempo que você não tem que trabalhar, e amanhã é o único sábado que você vai ter livre pra ficar junto do seu Hyung! — A voz de Sumin é doce, empolgada e pelo que Junghoon conhecia dele, aquele era o plano dele para a noite desde sempre, ele precisar de algum lugar para ficar para não ter que conviver com um alfa levemente afetado era apenas uma conveniência!
— Tudo bem Hyung, você pode vir… O Seungcheol disse que eu podia fazer o que eu quisesse hoje enquanto ele não ta em casa, eu acho que se eu pedir, ele fica de boa com você vindo aqui.
— Ótimo, porque eu estou na portaria do seu prédio com uma sacola de ingredientes!
— O que?! — Junghoon grita meio surpreso no telefone, não tendo tempo de fazer mais perguntas antes daquele idiota desligar o telefone. Ele se prepara para ligar de volta, mas logo percebe que havia recebido uma mensagem do porteiro do prédio, perguntando se ele poderia deixar Sumin subir.
O beta suspira, permitindo que o ômega suba até seu apartamento. Não demora nem dez minutos para que Sumin abra ele mesmo a porta, um grande sorriso enquanto ele entra, coloca a sacola com as coisas que ele havia comprado encima da mesa da cozinha e depois pula no sofá bem ao lado de Junghoon. Ele olha para o mais velho com uma expressão desconfiada, se perguntando que tipo de coisa estavam se passando na cabeça dele.
Junghoon não entende porque Sumin estava querendo perder seu tempo com ele. Mas Junghoon não entendia Sumin muito bem de uma forma geral, o ômega simplesmente fazia o que queria e o que pensava que era mais adequado e restava para Junghoon apenas aceitar, como na situação de agora.
— Junghoonie, você ta se sentindo bem? Ta aqui todo enrolado no sofá!
— Eu estou bem, Hyung. Hoje só foi um dia meio ruim, eu acho? — Junghoon fala, saindo um pouco do casulo que ele havia feito com o cobertor para se aproximar de Sumin. — Eu to com saudade de alguma coisa. — Ele sente saudade de muitas coisas par falar a verdade, mas Sumin parece que entende o que ele quer dizer. Se é pelo tom de voz, ou pela forma que ele se encolhe agarrado a uma memória física, Junghoon não sabe dizer.
Talvez fosse ambos.
— Mas assim, você ta falando de saudade normal, ou daquela saudade que aperta o peito e você fica se sentindo ansioso?
— A que eu fico me sentindo ansioso! — O beta ri um pouco de si mesmo, se achando ridículo.
— Ah! Eu vim num horário ruim? tipo… você ta se sentindo bem pra ficar com outra pessoa encima de você agora?
— Ta tudo bem, hyung. Eu acho que ficar sozinho é que seria pior agora, sabe? Você não acha que seria melhor se você ficasse aqui? — Ele sabe que Sumin concorda, mas pergunta mesmo assim.
Sumin esteve lá para testemunhar o pior do luto para Junghoon. Para muitas pessoas, a pior parte do luto era o sentimento imediato de ver que a pessoa não estava mais lá, sentir a ausência, a sensação de que seu cérebro parecia se negar a aceitar que a pessoa não estava mais lá. Junghoon admite, esses momentos foram horríveis para ele sim, mas ele diria que o pior do luto para ele foi quando ele se acostumou com a sensação da perda. Foi aceitar que ele estava sozinho no mundo, e não porque o sentimento de aceitação fosse doloroso por si só. Mas porque aceitar que você não tem mais seus pais ao seu lado causa uma dor que é inexplicável. Junghoon teve dificuldade em lidar com aquela dor de estar sozinho porque ele havia se acostumado a tal.
Ele nunca, em todos os anos que ele passou em sua bolha protegida, pensou que poderia se acostumar a uma vida como aquela. Em que ele, tão jovem em idade, não ouviria mais seus pais rindo, brincando ou cozinhando juntos. Que ele não tinha mais sua rede de segurança, para quando ele estivesse muito sobrecarregado com qualquer coisa que a vida pudesse trazer para ele. Sumin havia testemunhado essa época de camarote, e foi ele quem ajudou Junghoon a lidar com a situação de forma minimamente saudável.
Sumin sabe que Junghoon não gosta de ficar sozinho quando esses sentimentos chegam, é sufocante para ele. Por mais que ele dificilmente pedisse por essa companhia.
— Você quer me contar o que aconteceu pra esse sentimento começar, ou prefere que não?
— Ah, sei lá o que aconteceu. Eu tava por aqui, e eu comecei a sentir muita saudade deles. Eu to melhor agora, que eu tenho o cobertor que meus pais me deram e que você esta aqui, mas… não sei. — O beta fala de forma neutra, tentando mostrar para o ômega que ele esta bem. Ele não está, Sumin sabia que não, mas Junghoon ainda assim queria evitar preocupar demais seu melhor amigo.
— Você tem certeza que ta tudo melhor, Junghoon? Você não ta mentindo pra mim só pra eu ficar de boa, baixar minha guarda e não me preocupar com você?
— Oh Hyung! Perguntando assim, faz parecer que eu minto sobre meu bem estar com frequência!
— Mas tu mente sobre o teu bem estar com frequência, Junghoon! Ta se esquecendo daquela vez que tu passou mal nos bastidores duma peça e eu só vim saber depois que você já tava em casa?Pelo amor de deus, sabe! — Sumin passa uma mão pelos cabelos enquanto permite que suas costas deslizem no encosto do sofá. Olhando para o beta de canto de olho, ele vê que Junghoon estava fazendo um bico gigantesco agora, se encolhendo e abraçando os joelhos com uma expressão manhosa.
Era adorável, mas Junghoon era um marmanjo de 21 anos. Ele iria se formar na faculdade naquele semestre ainda, sabe.
— Eu to bem, mas não bem o suficiente pra ficar sozinho. Melhor com você aqui, caso qualquer coisa aconteça. — O beta suspira, ainda com um bico gigante na boca. — Ta mais feliz agora?
— Porque você não me chamou antes? Quando começou a se sentir mal.
— O Jeongguk ta no pré cio, e eu não queria incomodar ele com o cheiro de alguém que ele não conhece. Meio que vocês nunca conversaram e tal… — Junghoon escuta Sumin grunhindo de frustração, virando a cabeça para olhar para o ômega rapidamente.
— Nem fodendo que tu ia ficar sozinho, com a mente espiralando, só pra aquele cara não se incomodar! Ele nem ta tão perto do cio, se estivesse ele já teria pedido pra você sair daqui!
— Me desculpa, Hyung…
— Pelo que? Você não fez nada de errado, Junghoon! Eu só to surpreso e preocupado que você tava pretendendo tacar fogo em você mesmo pra manter aquele energúmeno aquecido!
— Eu não ia tacar fogo em mim mesmo pra manter ele aquecido, Sumin hyung, Eu só tava tentando ser legal. Mas acho que isso acabou indo pelo lado contrario, né? Não sei qual é o meu problema, que eu sempre acho que consigo aguentar uma situação que claramente vai me foder. Eu sou patético demais, não sou, hyung?— O beta ri de si mesmo, uma risada autodepreciava e melancólica que ele logo percebe que havia chateado Sumin um pouco. O ômega não gostava quando Junghoon ria de si mesmo ou se depreciava. Era nesses momentos que Junghoon sabia que havia se passado.
— Ei, Sumin hyung, o que foi que você trouxe de comida pra gente? Eu to com fome, e tudo o que eu comi hoje foi pipoca com um refrigerante suspeito.
— Ah, eu trouxe um monte de ingredientes que tinham lá em casa, e que eu queria usar! — Sumin ajeita os óculos no rosto e cruza os braços, ele parecia desconfiado. Junghoon achava que o ômega estava tentando decidir entre deixá-lo jogar essas piadas para debaixo do tapete, ou fazer mais perguntar sobre aquilo. — Tem carne, tem macarrão, tem umas frutas se você quiser fazer drinque!
— Bem… Tem pasta de pimenta na geladeira, e umas verduras que eu tenho que usar antes de estragar. Acho que tem queijo. — Junghoon olha pra Sumin com olhinhos de gatinho abandonado por seu dono, um bico tão grande na boca que chegava a ser cômico. Ele queria muito comer alguma coisa feita por Sumin, e ele sabia que seu Hyung cozinharia para ele de qualquer jeito, mas o beta adorava fazer essas manhas para cima de Sumin! Era mais forte que ele. — Eu ainda to com fome! Você não ta querendo me matar de fome, né?
— Já que é assim, o que você acha de cozinhar alguma coisa junto comigo pra gente comer? Ai a gente pode ver um filme, ou assistir aquele anime que a gente tinha falado que parecia legal aquela vez! A gente pode ver no seu quarto, se você não quiser incomodar os seus colegas de apartamento! O que você acha? — Sumin pergunta, se aproximando ainda mais de Junghoon. Sua empolgação volta toda para seu rosto, enquanto ele pega uma das mãos de Junghoon e entrelaça seus dedos nela, completamente alheio a como aquilo faz com que o beta fique vermelho de pura vergonha. — Aliás, você acha que a gente deveria fazer um pouco a mais prós seus colegas de apartamento? Sei que falei mal deles, mas não queria ser mal educado nem nada do tipo! A minha mãe me educou direitinho.
— Ah, como eu já te disse, o Jeongguk ta no pré cio dele, eu acho que eles vão ficar deitados lá na suíte mesmo. Eles também pediram comida pra eles dois, e já comeram.
Sumin fica apenas ali parado olhando para ele por alguns segundos antes de suspirar levemente, ajeitar os óculos no rosto e se levantar do sofá em um pulo. Junghoon não entendeu porque o ômega teve aquela reação.
— Então vamos fazer algo só pra nos dois e fingir que eles dois não estão aqui! — O ômega fala, puxando Junghoon para fora do sofá com um sorriso gentil no rosto. Junghoon não resiste, permitindo que Sumin faça o que bem entender com ele porque no final das contas, ele é apenas um idiota que concorda com qualquer coisa que Sumin queira.
Sumin e Junghoon estão na mesa da cozinha, comendo macarrão com carne e um monte de legumes que eles haviam preparado apenas porque eles queriam comer. Comida simples, que enchia a barriga e esquentava a alma, deixando um clima confortável entre os dois amigos que fazia meses que não tinha um tempo para ficar tão confortável assim, juntinhos.
Eles estavam comendo em silencio, aproveitando a companhia um do outro sem a necessidade de muito mais que um sorriso aqui e ali um comentário sobre a faculdade e um ato de confirmação com a cabeça. Não era como os encontros apressados e desesperados que eles tiveram nos últimos meses. Em que eles precisavam falar um milhão de coisas de uma vez em prol de se entenderem e manterem a amizade enquanto a vida adulta os engolia como as ondas frias e violentas do mar. As coisas estavam tranquilas, o ar leve e o ambiente tão adorável.
Eles haviam até mesmo esquecido o mine impasse inicial que eles tiveram mais cedo, uma harmonia silenciosa substituindo a preocupação entre o ômega e o beta. Era um dos momentos mais lentos e tranquilos que eles tinham desde que o semestre havia começado, além da conciliação com trabalho e faculdade, sabe? Um momento doce!
Até que um alfa decidiu atrapalhar a paz de Junghoon e Sumin.
Olha, não é como se Junghoon não quisesse a presença de Beomseok ali, ou que ele achasse que o alfa estivesse se intrometendo em um momento que ele não deveria estar se intrometendo! É apenas que naquele momento, o beta queria ficar em silencio escutando Sumin falar coisas aleatórias sobre musica enquanto eles cozinhavam, comiam e lavavam louça. Um momento sagrado da amizade deles dois.
Junghoon não gostou que aquele alfa havia se intrometido. Isso porque ele nem havia falado nada ainda, o cara havia apenas entrado na cozinha e visto que Junghoon tinha um convidado e que os dois estavam comendo alguma coisa.
— Quem é esse cara ai, Junghoon? — O alfa pergunta com um tom de voz raivoso, olhando para Sumin com uma expressão raivosa que chegava a ser meio assustadora. — Tu trouxe outra pessoa pra cá?
— É meu amigo Sumin, não é ninguém de mais. Eu convidei ele pra passar a noite aqui, me fazer companhia. — O beta responde, dando a mão para o ômega debaixo da mesa. Ele se pergunta que tipo de coisa esta se passando pela cabeça daquele alfa naquela hora, porque ele ri com um tom agressivo e o cheiro dele começa a ficar tão… estranho. Territorial.
Sumin não gostava quando alfas davam esses pitis.
— Boa noite, você deve ser o Beomseok não é? Você e o seu parceiro devem ter me visto algumas vezes de passagem quando eu to com o Junghoon. — Ele estende uma mão por cima da mesa, tentando cumprimentar o alfa com toda a gentileza possível. — Fico feliz de te conhecer, o Junghoon sempre fala muito bem de você e do seu companheiro!
— Então você é amigo do Junghoon? Qual seu subgênero? Ele nunca disse o que você era, mas agora que você ta aqui sem nenhum bloqueador, e ainda vai passar a noite aqui, eu acho que você deveria nos contar.
— Eu? Eu sou ômega, porque essa pergunta? — Sumin se ajeita na cadeira de forma meio desconfortável, olhando entre Junghoon e o alfa a frente dele tentando entender a situação.
— Não, não to acreditando nessa história. Você trouxe um ômega aqui pra moer na pica, enquanto o Jeongguk ta no pré cio, seu sem noção?
— Epa! Não fala assim do Sumin nem de nenhum ômega nem se for brincadeira, pelo amor de deus, cara! — Junghoon fala, rapidamente se levantando para ficar na frente de Beomseok, tentando acalmar o alfa. — Ele ta aqui só pra gente passar um tempo junto como amigos, porque é o primeiro fim de semana que eu tenho sossego desde que a temporada de Magico de Oz começou. E mesmo que ele estivesse aqui pra gente fazer sexo, não te daria direito de falar dessa forma vulgar com ele.
— Manda esse cara embora, Junghoon. Já te dissemos antes que não gostamos que você ou o Seungcheol fiquem trazendo ômegas ou alfas estranhos pra ficarem a noite aqui! — Beomseok fala, esfregando as têmporas como se a situação estivesse o deixando exausto e com dor de cabeça. Como se ele estivesse absolutamente certo, e Junghoon terrivelmente errado. —Você, mais do que ninguém, deveria saber que não é pra ficar se distraindo assim quando o Jeongguk ta em pré cio.
— Me mandar embora porque pelo amor de deus! E porque que o Junghoon não pode se distrair enquanto vocês dois estão no quarto, curtindo o relacionamento de vocês?
— Não é da sua conta, amigão, junta tuas tralhas e vai indo embora antes que incomode o meu ômega. — O alfa fala, cruzando os braços como se ele fosse o dono da casa e estivesse fazendo uma exigência completamente aceitável de um ômega problemático que estava causando problemas.
Junghoon não aprova a forma com que o alfa fala com Sumin, e ele sabe que o ômega também não gosta. Mas ele conhece Sumin, e sabe que ele preferiria engolir o orgulho e ir embora, que deixar um amigo em uma situação hostil com os colegas de quarto. Por isso, ele impede que Sumin saia, ficando atrás de dele e segurando o ombro do ômega para que ele não se levantasse da cadeira e começasse a juntar suas coisas. Junghoon não queria que ele fosse embora, então o ômega ficaria! Foi o beta que convidou Sumin ali, o dono da casa havia permitido que Sumin ficasse, eles não poderiam simplesmente exigir que Junghoon mandasse o ômega embora. Além do mais, Junghoon havia sido mais do que flexível nos últimos meses com eles dois, as vezes até mesmo no meio de seu ciclo ativo. Eles não tinham o direito de fazer aquilo com ele! Ele estava prestes a dizer algumas coisas bem pouco educadas a Beomseok quando Jeongguk entrou na cozinha, parecendo cansado e dolorido com uma expressão tão raivosa, que fez Sumin colocar uma mão encima da mão de Junghoon que estava em seu ombro.
Bem, parece que o ômega que não podia ser incomodado acabou sendo! E pela forma que ele respira fundo e range os dentes, parece que ele havia conseguido farejar o outro ômega dentro da casa. Ele cruza os braços e bufa, se aproximando de Junghoon batendo os pés parecendo um adolescente mimado, que não havia recebido um segundo Nintendo Switch!
— Que palhaçada é essa daqui, Junghoon? O que é que foi que eu e o Beomseok te dissemos sobre trazer ômegas e alfas estranhos aqui, perturbando nossos aromas que estão pela casa?
— Vocês nunca falam nada quando eu trago o Sumin quando vocês não estão em casa…
— Porque a gente não tem que ver ele, e porque quando a gente chega a gente acaba renovando o cheiro da casa. Ele estar aqui e a gente também desanda tudo!
— Bem, pois sinto lhes informar, que ele não vai sair daqui. O Seungcheol que é o dono do apartamento disse que ele pode dormir aqui, e ele vai dormir aqui.
— Qual é, Junghoon, quando que é o seu problema hoje? — Beomseok pergunta, olhando para Junghoon com um olhar perdido. Ele suspira, parecendo exausto e tão raivoso.
— Escuta, o Sumin também ta aqui porque o colega de quarto dele ta no cio total agora, e outros amigos dele estão viajando ou doentes. Eu mesmo não to me sentindo muito bem mentalmente, e não quero ficar sozinho enquanto vocês ficam na suíte, e o Seungcheol bebe até tarde com os colegas dele! vocês não podem mandar ele embora.
— Você ta dizendo que abrigar esse cara, e passar um tempo com ele é mais importante pra você que o nosso conforto dentro da nossa casa? — O ômega grita, se aproximando perigosamente do rosto de Junghoon. Seu cheiro parece ciumento, possessivo, e Junghoon esconde Sumin atrás de si, com medo do que aquele outro ômega poderia fazer. Ele sabe que ômegas ficam protetores de seu próprio espaço quando eles estão no pré cio, mas aquele apartamento não é de Jeongguk, é de Seungcheol e Sumin não havia chegado nem perto do quarto em que o casal dorme. Junghoon esta achando a situação toda tão estranha. Aquilo acorda algo dentro do beta.
— Esse apartamento não é seu e do seu namorado, Jeongguk. É do Seungcheol. Nós três pagamos aluguel pra ficar nos quartos!
O ômega bufa, batendo os pés no chão com raiva enquanto sai para fora da cozinha, se sentando no sofá com os braços cruzados. O alfa olha para Junghoon como se ele tivesse cometido o pior erro existente, claramente exigindo que ele fosse apaziguar a situação com Jeongguk. O beta sente como Sumin está nervoso e desconfortável com a situação, seu corpo inteiro ficando tenso com o cheiro de ciume e de hostilidade que estava exalando daqueles dois.
— Suminnie hyung, por favor, você pode ir pro meu quarto? Deixa que eu limpo as coisas aqui na cozinha, pode ficar a vontade lá. — Junghoon sussurra para o amigo, deixando um beijo nos nós dos dedos do ômega para tranquilizá-lo.
— Boa sorte lidando com esses dois esquisitos! Sinto muito que você tenha que morar com esse tipo de alfa e ômega.
— Como assim? — O beta pergunta, se surpreendendo com as palavras de seu hyung.
Sumin segue para o quarto de Junghoon com passos longos e apressados, sem dizer mais nada. Ele apenas dá um tchauzinho e some! O beta suspira, olhando para o alfa que estava na frente dele, colocando a cara para fora da cozinha e vendo o outro ômega emburrado e apenas respira fundo.
Que situação paia, hein!
— Vocês sabem que é errado tratar ele desse jeito só porque Jeongguk ta no pré cio não sabem? Ele não ta invadindo o espaço de vocês, e nem chegou perto da suíte.
— Eu quem deveria perguntar que papelão foi esse seu, querendo colocar um ômega aqui dentro!
— Sim, e eu pergunto de volta pra você, eu papelão foi esse que vocês fizeram? Esqueceram que essa casa não é de nenhum de nós três, foi?
— Ai, é impossível lidar com vocês betas mesmo, não é? E dai que a casa não é nossa, nós ainda somos um casal alfa e ômega, e você como beta deveria entender que nós não queremos o cheiro de ninguém estranho no ambiente que a gente fica no dia a dia durante um período tão sensível, Junghoon!
— Ai, Beomseok eu entendo o seu desconforto, mas de novo, você não está na sua casa e tem que se adaptar. Eu também não estou, e o Sumin só ta passando a noite aqui porque o dono do apartamento disse que ele pode, porque ele é meu amigo e não um estranho. — Junghoon vai falando enquanto organiza a cozinha, guardando o que havia ficado nas panelas em alguns potes, antes de colocar tudo na geladeira. — Vocês já estão com a suíte do apartamento pra vocês, porque o hyung foi gentil, mas isso não significa que vocês podem começar a tentar decidir quem pode ou não pode entrar aqui! Eu mesmo já fui muito flexível com vocês, e nunca tentei mandar em vocês. — Junghoon finaliza tudo o que ele tem a dizer, soltando um suspiro cansado e passando água nas panelas sujas e as colocando todas na lava louça. Ele fica grato que o alfa não fale mais nada.
Ele logo vai até a sala, vendo como Jeongguk estava confortável demais com seu cobertor, e ele não sabe explicar o tanto que ele se sente exausto. Ele disse várias vezes que o ômega não podia ficar se esfregando em seus cobertores, ele já havia deixado várias vezes que Jeongguk pegasse suas roupas para fazer ninhos, que ele sumisse com travesseiros e com pelúcias, mas ele traçou um limite bem claro que seus lençóis e cobertores estavam fora de cogitação para compartilhar. Ele se aproxima de Jeongguk, se coloca na frente do ômega com os braços cruzados e uma expressão séria.
— Eu nunca tinha visto esse seu cobertor, Junghoonie… Ele é macio, e seu cheiro nele é reconfortante. — O ômega fala com um olhar manhoso, fazendo um bico gigantesco. Talvez aquilo tivesse amolecido o coração de Junghoon em um dia comum, mas naquele momento? Depois deles dois terem ofendido Sumin? Sem chance.
— Eu sou sempre tão gentil com todo mundo que tu fica trazendo pra casa, e tu me paga tratando o Sumin daquele jeito?
— Nossa! Pra que falar disso desse jeito, Hoonie? Você não é de ficar esfregando essas gentilezas na nossa cara! — O ômega fala com uma vozinha chorosa e infantil, se enrolando ainda mais no cobertor de Junghoon. Aquilo não faz nada, além de irritar o beta.
— Talvez porque vocês nunca tinham sido escrotos com um amigo meu, já parou pra pensar? Porque sinceramente, eu não sou gentil esperando algo em troca! Mas depois que você colocou a sua mãe pra dormir na minha cama e eu dormi no sofá no meio do meu ciclo, eu estava esperando um pouco mais de flexibilidade de você e do Beomseok.
— Isso é diferente, a minha mãe tem problema nas costas e eu sou filho único! Você não pode comparar as duas situações.
— E eu não tenho mais ninguém no mundo, eu to mentalmente cansado e quero ficar ao lado de um amigo meu enquanto meus instintos e minha mente estão sendo um saco. E você não esta no cio ativo! Eu tava no meio do meu ciclo, morrendo de dor e mesmo assim tu me fez passar a noite num sofá minusculo.
— As coisas são diferentes, Junghoonie! — O ômega continua a usar aquele tom manhoso ainda liberando feromônios demais encima do cobertor de Junghoon e no ar. — Você é um beta, não é? Você tem que fazer sacrifícios pelos alfas e ômegas do seu convívio, seus pais nunca te educaram direito?
Aquilo ferve o sangue de Junghoon de uma forma, que ele não consegue nem sequer falar. Ele olha nos olhos de Jeongguk com um choque quase que inexplicável em seus olhos, quase querendo acreditar que ele havia escutado errado o que o ômega havia falado para ele.
— Jeongguk, eu sei que você acha esse meu cobertor muito macio, mas você não pode ficar se esfregando nele! — Junghoon decide por ignorar o que aquele ômega havia dito. Ele não iria mais discutir aquilo, não estava com cabeça para brigar. O beta pega de volta seu cobertor das mãos do ômega. Ele dobra calmamente o cobertor, olhando para o ômega com uma expressão exaurida, respirando fundo antes de começar a falar novamente.
— Agora olha bem pra mim! Eu sei que é importante pra você que o espaço do seu dia a dia não seja perturbado pelo cheiro de pessoas que vocês não conhece, e que é uma bosta sentir o cheiro de um desconhecido quando você ta no seu pré cio! Mas você tem que entender que nenhum de nós dois tá na nossa própria casa, e que você não pode me forçar a não receber os meus amigos porque você ta no pré cio, do mesmo jeito que eu não te forço a não receber os seus amigos quando eu to no meu pré ciclo. — Junghoon tem um tom de voz firme e sério, que faz com que ele soe como um pai repreendendo uma criança. Ele não gosta de se sentir assim, ao falar com uma pessoa adulta que é pouquíssima coisa mais jovem que ele. Isso é, por falta de palavras melhores, humilhante.
— Se você estivesse totalmente no cio, obviamente o Sumin não estaria aqui, mas você não tá! E não vai ta no cio até semana que vem, pelo que eu sei. Então vocês podem parar com esse bico todo por causa do Sumin! Eu sempre ajudo vocês, e cuido de vocês e agora vocês tão querendo implicar comigo trazendo meu melhor amigo pro meu próprio quarto? — Junghoon coloca cobertor dobrado no ombro e cruzando os braços com uma expressão chateada. Ele já havia aceitado tantas coisas daquele casal, já havia feito tanta coisa por eles, o mínimo que eles poderiam fazer como um agradecimento era deixar Sumin em paz.
— Você nunca tinha falado assim com a gente…
— E o seu namorado nunca tinha chamado o meu melhor amigo ômega de puta! — O tom do beta é como um ponto final na questão, incontestável e desconfortável.
Para o casal alfa e ômega, apenas resta observar o beta marchar até seu quarto e fechando a porta com uma força relativamente forte. O beta não vê, mas Jeongguk se debate no sofá de raiva, fazendo uma birra completamente ridícula apenas porque ele não teria as coisas que ele queria de Junghoon hoje.
Tudo o que aquele ômega queria, era que Junghoon estivesse a disposição dele e de seu alfa para oferecer ajuda. Junghoon sabia que isso era importante, mas era um tipo de ajuda oferecida apenas entre companheiros de matilha, ou pares alfa, beta e ômega devidamente casados, coisa que eles três não eram. Junghoon não era marido de ninguém, para estar oferecendo cuidado e atenção de um! E ele havia percebido, naquele momento, que ele poderia se negar a fazer tal trabalho emocional.
Quem iria impedi-lo, não é mesmo?
Junghoon estava deitado com a cabeça apoiada no peito de Sumin, que acariciava seus cabelos com carinho enquanto eles assistiam um filme qualquer no qual Junghoon definitivamente não estava prestando atenção, perdido demais no cheiro doce e refrescante de Sumin. Ele boceja alto em determinado momento, se acomodando no colo de Sumin com um sorriso enquanto esfrega o rosto na dobra do pescoço do ômega. Aquilo era confortável, a sensação era tão boa, ele não queria nunca jamais abandonar aquele momento.
Já fazia algumas semanas desde o cio de seu colega de quarto, o que significava que o ciclo beta de Junghoon estava prestes a começar, e seu corpo queria guardar energia. Ele estava sonolento, meio molenga, e o cheiro de Sumin não estava ajudando em nada. Era como se seus instinto estivessem desesperados para desligar seu corpo bem no colo daquele ômega, se sentindo tão cuidado e tão amado nos braços dele.
Junghoon não sabe porque havia sido tão resistente a passar seus ciclos na companhia de Sumin antes, se ele estivesse sozinho a essa altura do campeonato ele já estaria chorando de dor enquanto seu corpo não decidia se ele iria ser um cio alfa ou ômega. As vezes seu corpo simplesmente não decidia, e ele faltava desmaiar de dor e de solidão durante as ondas. E não era como se ele pudesse comprar anticoncepcional ou supressores para betas, quando ele não tinha ligação legal com alfa ou ômega nenhum que pudesse assinar uma permissão para ele.
Por conta disso, ele acabou cedendo e decidindo passar o cio com alguém e, no caso, passar o cio com Sumin! Eles eram melhores amigos, como Junghoon havia atestado antes algumas muitas vezes, mas eles também poderiam se considerar amigos com benefícios. Eles faziam sexo de vez em quando, eles apenas nunca tinham tido a ideia de passarem o cio um do outro juntos no sentido tradicionalista da coisa. Pelo menos, não até aquele cio especifico de Junghoon, que ele estava sentindo tanta cólicas que ele se sentiu incapaz de ficar sozinho.
E ele precisava dizer, era magico como somente o cheiro de Sumin parecia ser o suficiente para deixá-lo mais calmo, sem dor, e ainda por cima o deixar relaxar durante um pré ciclo. Com tanta calmaria, Junghoon poderia jurar que seu lobo escolheria o caminho de ir para um cio ômega! Que tornaria qualquer possibilidade deles terem que dar uns amassos mais fácil e menos… vergonhosa. Mas, para falar a verdade, naquele momento Junghoon estava mesmo era ficando sonolento por conta do cheiro e da respiração de Sumin! Some isso a um filme de comédia qualquer que ele e o ômega estavam assistindo num projetorzinho que Sumin tinha, e Junghoon estava a um passo de dormir de vez.
— Junghoonie, você está dormindo? — O beta pode sentir que Sumin está cutucando uma de suas bochechas, mas ele não quer abrir os olhos. — O que aconteceu, você já ta com sono? Tu nem ta prestando atenção no filme, poxa!
— Eu gosto muito do seu cheiro, Hyung. É cheirinho de chocolate quente! Me deixa com sono. — Junghoon fala com um tom manhoso, voltando a esfregar seu rosto no ombro de Sumin, resistindo a vontade de esfregar seu rosto diretamente no pescoço do ômega, diretamente na glândula dele. Seria vulgar, eles não são um casal.
— Eh? Não acredito, você ta ficando com sono por causa do meu cheiro! O meu cheiro nem é chocolate quente, é chocolate ao leite!
— Não to ficando com sono! Só relaxado. Talvez o meu lobo só goste muitíssimo de você e por isso eu esteja ficando tão relaxado com o seu cheiro. Talvez o seu lobo queira que eu durma, também, já que eu dormi mal ontem. — O tom de voz do beta é manhoso e seus olhos parecem melancólicos. Sumin abre um sorriso adorável, brilhante e angelical quando ele escuta o que o beta tem a dizer. Aquilo faz o coração de Junghoon bater de forma estranha.
—Mas será que isso realmente é o meu lobo querendo que você durma, ou o seu lobo quer descansar pra poder aguentar o ciclo mais tarde?
— Não sei. É que eu nunca me senti tão relaxado e confortável antes do meu cio, sabe? Meu lobo ta ficando meio bêbado com o seu cheiro, ele nunca tinha ficado assim antes.
— Acho que não é nem questão do meu cheiro ou do meu lobo, Hoonie, você é um beta não é? Os feromônios de um ômega que você é apegado vão te afetar bastante, e te fazer relaxar. É inevitável! — Sumin endireita os óculos no rosto, antes de deixar um beijo amoroso na ponte do nariz de Junghoon, que fica ainda mais tímido e com o rosto vermelho como brasas.
— Hyung! Eu fico tímido com isso! — O beta se afasta rapidamente, colocando uma distancia segura entre ele e Sumin, se sentando bem na ponta oposta da cama em que o ômega se encontrava.
— Só isso já te deixa tímido desse jeito, Junghoonie? Você se esqueceu que você além de meu amigo, é meu ficante que você já me comeu? — O beta não responde, apenas acertando Sumin levemente com um travesseiro macio. Eles costumavam fazer isso as vezes.
Como retaliação, o ômega pega um dos travesseiros de Junghoon e acerta o beta com uma força não muito considerável, mas que foi o suficiente para fazer o beta pender um pouco do equilíbrio. Se aproveitando do leve momento de fraqueza de Junghoon, Sumin começa a fazer cocegas no beta, que faz com que Junghoon comece a rir em êxtase, aproveitando aquele momento como se fosse a coisa mais doce do universo. Ele não deixa que o ômega saia impune, também tentando alcançar a pele macia dele para suas cocegas de retaliação. Ele não consegue, Sumin ainda é um ômega e os feromônios dele deixam o corpo de Junghoon fica sensível aos toques dele.
Ele ri que fica sem folego com os toques de Sumin, sua mente correndo para lugares que ela não deveria por causa daquilo. Seu lobo grita por conta daquilo.
Junghoon suspira por ar, ainda rindo de forma ofegante antes de pegar os dois braços de Sumin e segurar acima da cabeça do ômega, rapidamente o prendendo contra o colchão. A intenção de Junghoon era fazer cocegas em Sumin de volta, mas o beta não havia tido a percepção de que ele havia se colocado entre as pernas do ômega, e que Sumin estava usando um conjunto de pijama muito fino. Junghoon por sua vez, estava usando uma calça de moletom cinza com uma regata branca. Não seria uma situação muito favorável se eles fossem encontrados por alguém naquela posição, e aquilo nem parece ter passado na cabeça do beta. Porque passaria? Era seu ciclo beta, ele tinha um parceiro pro caso de evoluir para um cio. As pessoas não ficariam ali, ficariam?
Sumin, por sua vez, sorri gentilmente para ele, deslizando o olhar pelo rosto de Junghoon. Seu olhar parecia determinado e ele tinha um sorriso nos lábios que o beta poderia descrever como… levemente diabólico, talvez.
Sumin facilmente se solta do toque de Junghoon, tira os óculos do rosto, se esticando para colocá-los na mesa de cabeceira. Junghoon não gosta daquela decisão, não porque ele tenha algum sentimento estranho por Sumin usando um par de óculos! Longe dele ser um desses esquisitos que sexualiza coisas normais dos próprios amigos. Mas porque ele pode ver a barriga e parte da cintura de Sumin quando ele se esticou, a camisa curta e fina fazendo pouquíssimo para esconder o alongamento daqueles músculos bem treinados. Junghoon achou aquilo excitante, para não dizer que o movimento de Sumin foi bonito e muito encantador.
— Porque você tirou seus óculos? Não quer continuar vendo filme comigo?
— Você não estava com sono, Junghoon? Não vai querer dormir, depois de sair de cima de mim? Ou, talvez você só queira dormir depois de fazer alguma coisa comigo?— Ele faz um bico enquanto fala, sua voz soando estranhamente manhosa. Aquilo é o suficiente para fazer Junghoon ficar vermelho como uma beterraba, buscando palavras para responder o ômega. Sumin apenas ri, brilhante e amoroso como ele sempre seria.
— Os meus cios não costumam ser sexuais, hyung! Isso quando os meus ciclos viram cios…
— Ah, mas a gente discutiu a possibilidade de virar um cio sexual, Junghoon, e do jeito que você me prendeu contra a cama eu pensei que estava acontecendo!
— É sério? — Junghoon fica escandalizado, perdendo o ar.
— Sim, ué, você não deve ter percebido mas você tem bastante força. E você me me prendeu aqui com força também!
— Você é impossível… — O beta sussurra, fazendo um bico. Ele continua entre as pernas de Sumin, se recusando a sair daquela posição que para ele, era confortável.
— E você gosta que eu seja impossível, né? Você sempre diz que eu sou impossível, e nunca pede pra mim mudar em nada! Em que posição isso nos coloca?
— Eu… eu não sei? — A face de Junghoon ainda está vermelha, ele ainda está com vergonha mas por um momento ele não acha que o calor que ele sente na face seja por causa da vergonha. Ele se pergunta o quão vermelho ele realmente está e o que alguém pensaria quando olhasse para ele.
Sumin, vendo o impasse mental do beta, desliza uma mão amorosa pelo rosto dele. Ele da um risinho gentil e Junghoon sente algo dentro dele rugindo e desejando aquele ômega com uma intensidade que rouba seu folego. Ele se aproxima muito do ômega, se aproxima muito do rosto dele, chega num ponto que a testa dos dois estão completamente coladas e eles estão se vendo em um angulo estranho e talvez intimo demais. Junghoon se afasta um pouco do rosto de Sumin, seus olhos brilhando com um intensidade que faz o ômega se arrepiar e o coração acelerar, os feromônios dele flutuando no ar intensamente. Doce, convidativo, feito para mexer com a mente de alguém por quem o ômega se atraísse.
— O que você quer de mim, Choi Sumin?
— Que você me beije, ué, é isso que eu quero! — O ômega fala com o rosto ficando vermelho, mordendo o lábio.
Junghoon começa a beijar o rosto de Sumin com beijos demorados em cada bochecha. Ele faz aquilo porque ele sabe que esse tipo de carinho deixa o Hyung muito envergonhado, e é adorável a forma com que Sumin fica vermelho e seu cheiro fica mais doce conforme Junghoon continua deixando beijos em seu rosto. Junghoon bem que queria deixar um beijo nos lábios de Sumin, mas ele queria provocar o ômega, queria que ele ficasse envergonhado, se sentindo quente e excitado e queria…
O que ele queria? O que é que Junghoon queria, no final das contas? Será que ele estava agindo de forma correta, será que ele estava são? O que ele estava fazendo era algo que vinha da própria vontade dele de provocar Sumin, ou será que ele estava tentando suprir as vontades do espirito primordial que ele tinha dentro de si? Junghoon para pra pensar por um momento, se afastando de Sumin, suspirando pesadamente enquanto olha para o rosto vermelho do ômega.
Eram apenas alguns beijos espalhados pelo rosto dele, e Junghoon havia conseguido deixá-lo daquela forma? Será que não era a ansiedade e antecipação do que quer que eles estivessem fazendo.
A pele de Sumin era quente, macia e parecia até mesmo ser tão doce quanto o cheiro dele. Ou pelo menos é isso que Junghoon pensa quando ele começa a deixar alguns beijos mais apaixonados e intensos na linha da mandíbula de Sumin, beijos que estavam começando a ir bem mais além do que só uma brincadeirinha entre amigos. Bem mais do que só uma retaliação divertida de uma brincadeira entre amigos. E ele vem perceber isso quando ele está praticamente deixando um chupão no pescoço de Sumin, voltando a agarrar os pulsos dele o prendendo contra a cama, que estava suspirando profundamente e se contorcendo levemente,
Chega um momento em que Sumin solta um gemido necessitado quando a virilha de Junghoon roça contra a dele, assustando ambos. Junghoon para o que ele esta fazendo de maneira abrupta, sua boca pairando a milímetros da marca que ele havia deixado no pescoço de Sumin quando ele escuta o ômega gemendo levemente, assim como sente um cheiro de chocolate muito mais doce e mais intenso do que o cheiro normal de Sumin.
Quando tanto Junghoon quanto Sumin percebem o que estava acontecendo, ambos ficam tensos, o cheiro de desejo e anseio que estava pairando entre eles era sufocante e era obvio para quem quisesse ver que Junghoon estava entrando em um cio sexual alfa. O beta respira fundo, se afastando do pescoço de Sumin, pairando sobre a boca dele com desejo fervendo em seu amago, mas ele não consegue finalizar o beijo. Eles escutam um baque gigantesco na porta, assustando ambos ao ver a porta ser aberta de forma tão agressiva.
Quem abriu a porta foi Beomseok, que estava falando alguma coisa irritada que Junghoon não estava entendendo enquanto Seungcheol desviava o rosto e cobria os olhos com uma expressão muito envergonhada. Junghoon nunca havia ficado com o rosto tão envergonhado em toda sua vida, e ele nem consegue imaginar que tipo de sentimento aquilo possa estar causando em Sumin, que era a parte mais vulnerável naquela situação. Pelo menos, era assim que ele pensava.
Na hora da raiva, Junghoon se levanta rapidamente da cama, jogando uma coberta sobre Sumin e indo até o alfa, e parando bem ao lado dele na porta, tentando fechá-la de novo.
— Eu posso saber que porra é essa que tu ta fazendo aqui na porta do meu quarto? — Junghoon pergunta com um tom de voz alto, tentando passar por cima da voz do alfa, que de repente para de gritar para olhar para Junghoon com uma expressão extremamente traída.
— Eu to contando pro Seungcheol o que tu fez, e o jeito que tu jogou eu e o Jeongguk de lado pra ficar com esse…
— Se você for falar alguma coisa desrespeitosa, por favor não continue essa frase. — O tom de voz de Junghoon carrega uma finalidade fria, que assusta levemente o alfa. Ele afasta o homem da porta o suficiente para poder começar a fechar a porta, escondendo o ômega o suficiente dentro do quarto. Ele sente uma territorialidade anormal em relação a Sumin, e Junghoon sabe que aquilo é do cio ativo pronto para começar a fervê-lo vivo. Uma noticia não tão boa para seu lobo.
— Você tem uma cara de pau fascinante, né, Junghoon? Quem foi que disse que você pode trazer um parceiro de cio pra cá, hein? — O alfa grita, olhando na cara de Junghoon como se ele fosse a criatura mais criminosa que já pisou na face da terra. — Tu vai ficar fedendo a outro ômega por dias, como é que fica o Jeongguk hein? Ele vai ficar muito mal de ter que sentir o cheiro de outro ômega em um amigo próximo dele. Até eu fico levemente incomodado com isso.
— Agora pronto! Desde quando eu tenho que medir minha vida pelo que fica mais confortável pra você, e pro Jeongguk?
— Junghoon, você sabe como ele é territorial, ele não vai ficar feliz de ser lembrado que você é próximo de outros ômegas! É coisa dele. Tenho certeza que o Sumin entende. — Sumin não entende, e ele está tão confuso naquela situação quanto Junghoon. Beomseok o colocou aquelas palavras na boca dele de graça, porque Sumin jamais faria algo do tipo com alguém.
— Eu sinto muito, Beomseok, mas os meus ciclos são horríveis! Eu não consigo mais passar eles sozinho, a ultima vez eu fui parar no hospital, eu preciso do Sumin aqui! Por favor, você pode me deixar em paz agora? Eu quero voltar pro meu canto. — Junghoon sente uma vontade inexplicável de atacar o alfa a sua frente, mas ele não consegue. Ele sente quase como se estivesse adoecendo pela agressividade. Ele precisa que aquele alfa desapareça.
— Você não pensa na gente, Junghoon?
— Penso, e me preocupo também! Mas não as custas da saúde do meu lobo! Ninguém vai embora, e você vai me deixar em paz!
— Não, não e não! Você ta louco? Você tem que mandar o Sumin embora antes que o Jeongguk descubra que ele está aqui!
— Não, ele não tem! — Seungcheol interrompe, sua voz soando alta, cansada e raivosa. — Pelo amor de deus, Beomseok, tu abriu o quarto de um beta em ciclo com o corpo todo errado, sem saber se vai pro lado alfa se vai pro lado ômega! Com um parceiro ainda por cima!
— Ah, Hyung isso nem é nada de mais!
— Escuta aqui, vamos deixando o beta entrando no cio em paz, e vamos ter uma conversinha de adultos! — Seungcheol fala entredentes, puxando Beomseok pelos ombros enquanto fechava a porta do quarto de Junghoon com delicadeza.
Junghoon se afasta lentamente da porta, se sentando em seu colchão com os ombros caídos de desanimo. Sumin se senta ao lado dele, olhando para o beta com uma expressão preocupada e aquilo faz Junghoon se sentir levemente humilhado. O coitado nem sabe o que ele deveria sentir naquela situação, ele nunca havia sido territorial assim como ele também nunca havia tido alguém o fazendo sentir que ele precisava proteger seu território. Ninguém, nunca em todo o período que ele tinha sido um beta desperto, havia invadido seu quarto durante um ciclo. Por mais que eles nunca se tornassem de fato cios. Junghoon não soube como reagir a essa… situação? Ele deveria chamar aquilo de situação ou de catástrofe?
Junghoon não sabe. Ele está cansado, seu lobo estava rugindo em sua cabeça por que um alfa havia invadido seu espaço e ele não se sentia mais tão seguro quanto ele se sentia antes, e ele se sente tão… humilhado. Aquilo é tão ridículo, tão ridículo e tão absurdo. Ele quer sumir. Desaparecer.
Quanto mais a situação se estabelece em seu amago, quanto mais ele processa tão violação, mais ele sente que ele quer sumir no mundo. Ele não quer que ninguém o veja, que ninguém saiba que ele existe ou que alguém o havia visto em uma situação tão vulnerável como aquela. Junghoon se sente como um animal de circo. O beta estava odiando até mesmo o olhar preocupado e os toques amorosos de Sumin naquele momento, mas não era como se ele conseguisse se negar a receber o carinho dele. Ele apenas… fica ali, tentando processar a situação sem enlouquecer.
A sensação é horrível.
Era sufocante.
Porque era tão difícil respirar?
Sumin estava muito, muito perto de ter seu cio e havia avisado Junghoon cedo naquele dia. Ele não costumava ter pré cios longos, e seu anticoncepcional tinha como efeito colateral que seus cios batessem mais rápido e mais intensamente nas primeiras horas. Uma situação complicada. Geralmente, o ômega costumava fazer ninhos com seus próprios cobertores e algumas roupas de seus outros amigos ômega, mas dessa vez ele havia insistido que queria cobertores de Junghoon. Não era como se o beta fosse negar nada ao ômega, pelo menos não depois do desastre que havia sido o ciclo de Junghoon. Sabe, o que deveria ter sido sexo quente virou crise de ansiedade e uma viagem pro hospital!
Uma situação não muito legal.
O mínimo que Junghoon poderia fazer de agradecimento pelo ômega ter passado alguns dias o ajudando a passar pelo vale da sombra e da morte da saúde mental, era lhe dar alguns cobertores e travesseiros para colocar em seu ninho, sabe! E sabe quais cobertores levar, quais pelúcias, roupas e almofadas, porque ele havia visto quais haviam sido os objetos favoritos de seu hyung quando ele vinha para seu apartamento e ficava em seu quarto.
Ele estava, naquele exato momento, dobrando os itens de preferencia de seu Sumin Hyung com a porta entreaberta, quando Jeongguk abre levemente a porta e fica o observando. Junghoon bufa de leve irritação, e continua o que ele estava fazendo sem prestar atenção naquele ômega. Ele finge que nem sequer o estava vendo.
— O que é que você ta fazendo, Junghoon?
— Pegando umas coisas pro Sumin.
— Porque você ta pegando coisas pra ele?
— Porque sim. — Junghoon se vira de costas, abrindo seu guarda roupa bem no local onde ele guardava seu cobertor de croché.
— Você vai emprestar esse cobertor pra ele?
— Vou.
— Mas porque você faria isso?
— Porque eu quero. — O beta responde, enfiando o cobertor na mochila.
Jeongguk fica momentaneamente perplexo enquanto olha para Junghoon, se perguntando que tipo de coisa aquele beta poderia estar pensando para ousar falar assim com ele. Falar de que jeito? bem, daquele jeito condescendente de quem não se importa! De quem está querendo te ignorar porque fez algo errado, quando você sabe que não fez nada de errado. Ele não entende porque Junghoon sequer estaria irritado com ele para falar com ele de forma tão indiferente.
— Porque você esta falando comigo assim?
— Assim como? Direto ao ponto, sem enrolação? Porque se essa for a questão, Jeongguk, é porque você e o seu namorado vacilaram feio comigo e ainda não tiveram a coragem de me pedir desculpas.
— Pedir desculpas? Porque eu pediria?
— Não sei, Jeongguk, talvez porque tratar o meu melhor amigo mal e chamar ele de puta, só porque ele é outro ômega, e eu sou um beta de quem você é próximo é babaquice! — O beta não pretendia que aquelas palavras soassem tão cheias de rancor quanto elas estavam soando, mas foi inevitável. — E outra, aquele teu macho invadiu o meu quarto quando eu tava no meu ciclo, só pra me pedir pra expulsar o Sumin! Porque aparentemente eu não poderia ficar cheirando ao meu melhor amigo durante e depois do meu próprio ciclo, que eu estou vulnerável e me sentindo um lixo!
— Ah! Mas isso já tem tanto tempo que aconteceu, Junghoon, porque você ainda ta se preocupando com isso?
— Sim, tem muito tempo mesmo! É a mesma quantidade de tempo que eu to falando somente o necessário com você e o Beomseok. — O beta não fica para continuar a conversa, ele pega sua mochila e uma bolsa que ele costumava levar para o teatro em dias de espetáculo, e segue para fora de casa.
Ele se despede rapidamente de Seungcheol, explicando para onde iria e que o beta não precisava se preocupar. Logo, ele está fazendo o caminho que ele conhecia até de olhos fechados até o apartamento que Sumin dividia com mais dois amigos ômega. Ele já havia dormido lá varias vezes quando era o ciclo de Seungcheol, ou o cio de um dos integrantes do casal irritante, então ele não precisa se preocupar em levar muito mais que um pijama. Junghoon admite que, muitas vezes, ele também havia dormido lá apenas porque estava irritado com Beomseok ou Jeongguk e não queria ter de lidar com eles antes de ter um plano de ação. Yechan e Minjae eram tranquilos em relação a Junghoon ficando la a qualquer momento que ele quisesse, desde que não fosse o cio de alguém, e que Junghoon não aparecesse bêbado no meio da noite sem aviso. Ele também não podia chegar lá fedendo a nenhum alfa, e nem mesmo Beomseok era uma exceção. O que na opinião de Junghoon, eram regras razoáveis para um apartamento em que dormiam três ômegas. Era um pouco de senso comum, também para falar a verdade.
Pelo menos Junghoon sempre foi ensinado de que ele não podia agir de forma tão chula e incivilizada na frente dos outros. Se você vai visitar alguém, seu cheiro deveria estar puro!
Sumin hyung e Minjae hyung diziam que não era todo mundo que pensava desse jeito, o que para Junghoon era um pouquinho assustador. Para não dizer que era muito, muito preocupante. O beta preferia não comentar sobre essas coisas, ou mesmo se envolver nos assuntos dos ômegas e dos alfas, no entanto! Então ele necessariamente compartilha esse pensamento. Ele não compartilha uma infinidade de pensamentos com eles três, pra falar a verdade. Nem mesmo com Sumin Hyung. Ele tem medo de quais desses pensamentos possam soar errados, quais deles possam fazer parecer que ele é apenas mais um beta que não se importa, ou que é digno de pena. Ele não pode simplesmente chegar, e dar uma opinião tão dura sobre alfas e ômegas inconsiderados, ou mesmo betas para três ômegas.
Ele pode?
Será que ele pode?
Junghoon balança a cabeça com força, olhando de um lado para o outro, e atravessando a rua rapidamente para chegar até o prédio onde Sumin morava. Era estranho como era rápido chegar em um lugar andando, quando você está perdido na própria cabeça, né? O beta da de ombros para isso, entrando no prédio sem dificuldade. O porteiro já o viu entrando ali várias vezes, vezes o suficiente para simplesmente permitir a entrada de Junghoon sem pensar e até mesmo o entregar uma entrega que havia chegado para os ômegas para que ele pudesse levá-lo lá pra cima. Ele balança a cabeça mais uma vez, evitando que seu cérebro viaje demais para pensamentos que ele não queria ter, não querendo ficar ansioso demais, não querendo que seu cheiro fosse ansioso demais. Talvez aquilo incomodasse Sumin, ou outros meninos.
Eles nunca se incomodaram exatamente com isso, pra falar a verdade, mas sempre incomodou os ômegas e alfas com quem ele interagia no trabalho ou na faculdade. Então ele simplesmente evita que seu cheiro fique forte e ansioso demais perto deles. Um comportamento que, olhando agora, não parece muito saudável. Junghoon suspira, batendo levemente na porta e vendo como ele é aberta em segundos. As pessoas naquela casa estavam esperando por ele. E aquilo é estranho para o beta.
— Finalmente você apareceu, hein, Junghoon! — Yechan fala com um tom zombeteiro, arrastando o beta para dentro da casa com um sorriso que o beta não sabe como definir muito bem. — Hyung! O Junghoon ta aqui com as coisas que você encheu tanto a paciência pra ter no seu ninho!
— Ele não me encheu a paciência pra eu emprestar essas coisas pra ele, Yechan! Eu emprestei pro hyung porque eu quis!
— Não foi a sua paciência, Junghoonie! Foi a minha e a do Minjae hyung. — Yechan cruza os braços, parando no meio da sala para olhar para a expressão desconfiada de Junghoon. — Ele ficou com uma duvida genuína de se você ia, ou não topar emprestar umas roupinhas suadas e um cobertor pra ele, acredita! O Sumin acha que você tem capacidade de negar algo pra ele, impossível esse cara.
— Ele não é impossível, era uma duvida genuína! Eu sou meio possessivo com as minhas coisas.
— Não quando o assunto é o Sumin hyung! Se ele te pedir uma cueca emprestada, você empresta.
— Ei! Também não é assim! — Junghoon protesta, sentindo seu rosto esquentando com as palavras do ômega a frente dele. Ele pode ver o brilho felino e diabólico no rosto dele quando ele está prestes a falar mais uma frase que vai envergonhar o beta, mas ele é interrompido por Sumin abrindo a porta de seu quarto.
A porta do quarto de Sumin é consideravelmente antiga, e ela range de uma forma vergonhosa sempre que ele a abre, ou a fecha e não ajuda que o quarto dele fique no final do corredor! O som sempre ecoa na casa inteira. Junghoon conhecia o som daquela porta do fundo do coração, e virou o rosto para olhar para ele quase como se fosse um comando aprendido. Ele caminha corredor a dentro para ir até Sumin, ignorando completamente qualquer coisa que Yechan estivesse falando segundos atrás, irritando o ômega.
Sumin por sua vez, não esboça muita reação a presença de Junghoon. Ele vai cego na bolsa maior que Junghoon vinha trazendo, a arrastando para dentro do quarto e logo cuidando de despejar todo o conteúdo dela encima da própria cama, começando formar uma estrutura desajeitada de um ninho.
— Boa tarde para você também, Sumin hyung! — Junghoon fala com um tom zombeteiro enquanto tira a mochila de suas costas, e a colocando no chão ao lado da perna de Sumin, de fácil alcanço para ele.
— Entra no quarto e fecha a porta, por favor! — Ele não tira mais seus olhos dos lençóis ou das roupas que Junghoon havia lhe trazido, dobrando tudo de uma forma que formaria um casulo confortável para si. Junghoon segue as ordens de Sumin com uma expressão curiosa, surpreso pelo pedido do ômega.
— Você não tinha vergonha de me deixar ver o seu lado mais vulnerável, Hyungie?
— Não faz esse tipo de pergunta agora, Junghoon! Eu tenho que me concentrar nisso aqui!
O beta da um risinho malicioso, se escorando na parede com um sorriso amoroso enquanto observa Sumin montando seu ninho. Ele nunca havia visto um ninho de Sumin sendo construído e nem havia ficado tanto tempo assim com ele dentro de seu quarto, com a porta e as janelas fechadas, enquanto o ômega estava no cio. Sim, claro, Junghoon costumava cuidar de Sumin durante seus cios! Mas o que ele fazia era bater na porta do quarto de seu hyung em horários pré estabelecidos, entrar, e o fazer tomar água e comer alguma coisa. As vezes, o levar para o banheiro e ajudá-lo a tomar banho, mas não sempre! O ômega não gostava de se sentir vulnerável demais e Junghoon entendia o sentimento, mas o que ele não estava entendendo a nova reviravolta em que ele, agora, não só estava convidado para assistir Sumin a fazer seu ninho, como a fazer isso com a privacidade de uma porta fechada. Junghoon se pergunta se Sumin sentia que devia a ele o fazer um parceiro de cio, ou se ele assim como Junghoon ele estava com medo de sentir dor mais uma vez.
O beta suspira, prestando atenção no ômega na frente dele e na forma ágil e cuidadosa que ele empilhava roupas dobradas, lençóis enrolados ou torcidos, que ele dispunha as poucas pelúcias e travesseiros que Junghoon havia trazido. Sumin estava usando um conjunto de pijama esverdeado e um tanto antigo. O rapaz mais velho estava usando aquele conjunto para conforto extra, visto que aquele conjunto possui uma infinidade de marcas de amor. O beta sabe, porque ele mesmo já havia colocado botões novos naquela camisa quando eles caíram, ele já havia concertado o cós da calça, a barra e até uma manga que se soltou. Não era o tipo de coisa que você usa na frente do seu parceiro de cio, principalmente pareado com um par de óculos de armação preta e grossa e um cabelo despenteado que já viu dias melhores!
Mas Sumin a usava na frente de Junghoon, porque sabia que estaria livre de julgamentos e que o beta aplaudiria quase tudo que ele fizesse. Não só isso, como ambos já se viram em estados muito piores ao longo da vida! Junghoon cruza os braços na frente do peito com uma expressão curiosa, vendo Sumin abrir sua mochila finalmente, e de repente parecer levemente paralisado.
O ômega olha para o conteúdo que estava dentro da mochila, e o puxa delicadamente. Ele não parece interessado nas pelúcias e nas demais cobertas, Sumin parecia estar interessado unicamente no cobertor favorito de Junghoon. Ele pega o cobertor com todo o cuidado do mundo, deixando o resto das coisas cair no chão, subindo na cama e estendo o cobertor bem encima dos travesseiros do ninho. O ômega rapidamente se deita, colocando a cabeça encima daquele cobertor e respirando fundo. Ele olha para Junghoon com olhos arregalados e desesperados, seu cheiro exalando por todo o quarto com notas tão doces e tão melancólicas que fazem com que o beta se aproxime por puro instinto. Seu lobo agindo antes que ele próprio fosse capaz.
— Sumin Hyung? O que foi? — O beta pergunta com um tom preocupado, tocando no rosto do ômega com delicadeza e o olhando nos olhos.
— Deita aqui comigo, por favor? — Ele coloca uma mão sobre a de Junghoon, seus olhos ficando cheios de lagrimas.
— No seu ninho?!
— Onde mais você se deitaria, Hoonie? Fica aqui!
— Você tem certeza que quer que eu fique no seu ninho, hyung? — Junghoon respira fundo, tentando não se deixar levar pelo cheiro de Sumin, e sua voz chorosa. Ele conhece aquele ômega, sabe que Sumin tem dificuldade de aceitar pessoas dentro de seu ninho por conta de seu lobo. Ele não quer que Sumin se arrependa daquilo quando o cio passar. Ele precisa saber que Sumin tem certeza absoluta.
— Junghoon, o meu pré cio ta evoluindo muito rápido, eu to com dor e eu quero o seu cheiro! Deita nesse ninho agora! — Sumin implora, puxando o beta pelo braço com lagrimas nos olhos.
Junghoon suspira derrotado, se deitando ao lado de Sumin dentro do ninho. Ele se pergunta que tipo de reação o ômega teria no momento em que lhe caísse a ficha de que ele havia implorado para que outra pessoa entrasse em seu ninho. Durante seu cio!
Sumin não reage exatamente como Junghoon estava esperando. O ômega montou encima de Junghoon, olhando nos olhos do beta com uma expressão chorosa e cheia de lágrimas. Ele parece tão manhoso, tão emburrado mas o cheiro dele era tão leve e tão doce, que quase tira um sorriso de Junghoon. Quase! O cheiro de Sumin tinha um efeito no beta que era inebriante e o despertava sempre as emoções mais puras, mas ele não achava que era hora de demonstrar isso. Junghoon tinha que parecer firme para que Sumin confie nele, ele não quer parecer tonto e inebriado.
Sumin grunhe mais para si mesmo que para Junghoon, enxugando as lagrimas, e se endireitando para deitar a cabeça no peito do beta. Junghoon achou aquilo fofo, mas não havia esperado aquele comportamento. Para falar a verdade, ele estava esperando que o ômega iria ficar irritado, dizer que Junghoon estava esquentando demais o ninho e mandá-lo embora. Não porque Sumin tivesse mostrado qualquer sinal de ser agressivo, mas porque Junghoon assistiu romances de beta e ômega demais.
Os ômegas sempre parecem meio odiar que seus parceiros betas entrem em seus ninhos nesses romances, e eles sempre falam sobre como é horrível estar com um beta. Uma coisa meio horrível de se internalizar da ficção, mas que havia sido inevitável para Junghoon. E talvez para muitos betas também!
Sumin estava esfregado o rosto na glândula de cheiro de Junghoon, o cheiro dele estava ainda mais doce do que estava antes, e ele estava agarrando a cintura do beta com um aperto de ferro. Ele não parecia agoniado nem nada do tipo, pelo menos não mais. Aquilo deixava Junghoon feliz, ele gostava de ver Sumin tranquilo.
Junghoon infelizmente não tem a percepção de que as coisas estão tranquilas demais, uma espécie de calmaria antes da tempestade!
— Junghoonie, posso te fazer uma pergunta?
— O que foi?
— Você quer me comer? — Sumin pergunta ao ouvindo de Junghoon, deslizando uma mão pelo peitoral do beta.
Junghoon nunca havia sentido seu sangue gelar da forma que ele sentiu naquele momento. Ele olha para Sumin com uma expressão desesperada, os olhos arregalados e os lábios comprimidos de puro pavor.
— Como assim, pelo amor da Lua?
— O que foi? Você sempre me ajudou com os meus cios!
— Eu não tava esperando que você iria querer eu como parceiro de cio nesse sentido! — O que é contraditório, já que Junghoon quis Sumin como seu parceiro de ciclo quando ele estava naquela posição vulnerável! Por qual motivo Sumin não iria querer que Junghoon fosse seu parceiro de cio depois?
— Você é impossível! — Sumin bufa de frustração, pegando uma das pelúcias que Junghoon havia trazido, e batendo levemente no beta com ela. — Porque eu não iria querer que você fosse meu parceiro de cio nesse sentido? Você tava bem animado pra me comer no seu cio! Porque eu não iria querer que você me comesse no meu cio?
— Bem… porque eu não consegui fazer nada com você no meu cio? Tipo, a gente tava junto, e ai o meu colega de quarto entrou na minha toca, e eu fiquei ansioso! Por dias!
— Para com essa besteira, Junghoon! Me responde logo, tu quer me comer ou não?
— Claro que eu quero, Hyung!
— Então desliga o seu celular e tira a calça. — Sumin declara com olhos levemente vidrados, montado bem encima da virilha de Junghoon.
— Porque desligar o meu celular? — O beta parece levemente desconfiado, mas ele está vendo como Sumin parece sério em sua declaração. mais sério do que necessário, até. Era meio instigante.
— Hora, e tu ainda pergunta porque eu quero que você desligue esse aparelho, é? — O ômega fala com uma voz séria, indo bem no bolso da jaqueta do beta onde ele sempre mantinha o celular. Rapidamente desligando o celular do beta, dando um sorriso vitorioso. — Seremos só eu e você a partir de agora, e eu não quero interrupções. Os seus colegas de quarto ligam até demais, quando nós dois estamos juntos!
— Você é bem possessivo quando ta no cio, né? É cativante! — Junghoon fala com um sorriso, deslizando uma mão gentil pela coluna de Sumin, indo até a nunca do ômega.
Junghoon olha nos olhos de Sumin por um momento, esperando o sinal verde antes de beijar o ômega. Sumin não dá um sinal verde comum, no entanto. Ele se inclina e ele mesmo começa o beijo, permitindo que seus lábios dancem contra os do beta. E com dança, não é exatamente naquele sentido de ser uma dança erótica e cheia de êxtase entre duas pessoas que se desejam muito! Era uma dancinha de Tik Tok. Dois idiotas desengonçados tentando agradar um outro, tentando comandar o beijo, brigando pra ver quem era mais dominante que o outro! Uma bagunça!
Uma bagunça deliciosa a qual, sinceramente, eles adoravam. O beta e o ômega tinham uma boa química quando se beijavam, por mais que fosse meio feio visualmente, desajeitado mesmo! Os dois eram amigos demais para se importarem com a estética do beijo que eles compartilhavam, até porque nada ali tinha outro objetivo além de curtir o momento e se divertirem. Sumin estava vulnerável com um pico debilitante de libido, e ele estava contando com a habilidade de Junghoon para sobreviver aquele momento infernal. Eles tem o direito a serem dois bocós esquisitos, compartilhando beijos desajeitados e não lá muito polidos, e eles gostavam de agir naqueles moldes.
É com esse pensamento, que Junghoon pega Sumin pela cintura, rapidamente se virando e prendendo o ômega contra a cama. Rapidamente, os dois amigos estão na mesma posição que eles estavam semanas atrás, durante o ciclo de Junghoon. Dessa vez, eles não estavam esperando um começo de ciclo lento, nem a evolução disso em algum tipo de cio! Não, pelo cheiro Junghoon podia dizer que Sumin já estava no cio, provavelmente sentindo a primeira onda de adrenalina correndo seu corpo, se a ereção que ele tinha entre as pernas queria dizer alguma coisa.
Junghoon não estava agarrando as mãos de Sumin dessa vez como ele havia feito da ultima vez. As mãos do ômega corriam soltas pela nuca e pelas costas de Junghoon enquanto os dois se esfregavam, gemendo de forma patética conforme ambos começavam a perseguir prazer no corpo um do outro. Era fácil, despreocupado e bem mais simples que qualquer busca por ficantes que qualquer um dos dois já tenha feito ao longo de seus anos de faculdade e inicio da vida profissional. Eles já conheciam bem os limites e os gostos e desgostos um do outro, privilégios de serem melhores amigos que se pegavam as vezes. Passar ciclos e cios juntos era um curso natural para eles dois.
Junghoon desliza uma mão pela cintura de Sumin com carinho, abrindo mais a boca para permitir que o ômega pudesse se enrolar na sua ao que o beijo ficava mais profundo. Eles respiram com dificuldade, Junghoon permitindo que a mão que estava na cintura de Sumin agarrasse as costas arqueadas do ômega que estava gemendo de forma meio patética no beijo.
Eles separam da boca um do outro quando a quantidade de ar que eles estavam recebendo já não era mais suficiente, o rosto de ambos estranhamente próximo enquanto eles se olhavam de forma tão intensa. Sumin estava ofegante, as bochechas vermelhas, os olhos vidrados e o cabelo grudado na testa e não era como se o beta estivesse muito melhor. Junghoon se pergunta quantas vezes ele poderia foder Sumin, antes dos dois desmaiarem.
— Você não tirou a calça como eu tinha pedido, sabia? — Sumin aponta com a respiração ainda pesada, dando um tapinha no ombro de Junghoon.
— Eu fiquei nervoso e esqueci!
— Tira essa calça nesse exato momento, ou eu não vou chupar seu pau mais tarde!
— Ai, ta bom ta bom, calma! Não é como se eu quisesse enrolar pra te comer também! — Junghoon se levanta da cama rapidamente, tirando a calça e a cueca de forma desajeitada enquanto Sumin olha para ele com uma expressão de julgamento que era meio engraçada.
— Não lembrava que seu pau tinha uma veia bem no meio dele, parecendo aquela seta do Aang! — Junghoon olha incrédulo para Sumin por uns trinta segundos, antes de respirar fundo e começar a lutar contra o riso.
— Porque você ta dizendo isso! — Junghoon suspira, permitindo que uma gargalhada passasse por seu corpo enquanto ele se sentava de volta na cama ao lado de Sumin, que ainda estava completamente vestido.
— O que? Você ta parecendo tão nervoso! Eu quis dar uma aliviada no clima!
— Obrigada, Sumin Hyung! — Junghoon ri levemente, retirando a jaqueta e a camisa e ficando completamente despido na frente de Sumin, olhando para o ômega com um sentimento que ele não sabia como nomear.
Não era vergonha, ele gostava de estar sob o olhar de Sumin. Era outra sensação, uma sensação mais quente e mais aconchegante. Quase como se a presença e o olhar de Sumin fossem capazes de esquentar seu interior sem ao menos tentar.
— Você não precisava me chamar de Hyung agora!
— Porque? Você acha isso impessoal demais, ou algo assim, Suminie? — Sumin bufa meio frustrado com a fala de Junghoon, se sentando na cama e começando a desabotoar a camisa que ele estava usando. O beta observa enquanto Sumin se despe, vendo o alongar daqueles músculos que o ômega buscava definir, encantado com a cintura fina de Sumin. — Você tem uma cintura muito bonita. Pernas também!
— Eu sei! Eu estou vendo essa sua opinião refletida ai embaixo! — O ômega sorri, se sentando no colo de Junghoon e deixando um beijo na ponte do nariz do beta antes de beijar a boca dele. Eles se beijam com mais calma dessa vez, de uma forma delicada e gentil.
Junghoon desliza as mãos pela cintura e pelas costas de Sumin, sentindo a textura daquela pele macia com muito prazer. Ele poderia descrever aquela ação daquela forma? Existia sim, uma espécie de êxtase de estar lá, sentindo a pele quente de Sumin em suas mãos enquanto o ômega tinha a linguá em sua boca e as mãos acariciavam seus cabelos. Junghoon descrevia o sentimento que aquela situação o causava como prazer, porque nada era mais prazeroso para ele que alegrar Sumin de alguma forma. Ele beija o ômega, acaricia o corpo dele e atende a todas as vontades dele silenciosamente e aqueles são os momentos mais felizes da vida de Junghoon.
E ele não sabe dizer o porque. Ele apenas sente intensamente todas aquelas coisas, e Junghoon abraça aquelas coisas. O beta abraça aquele sentimento com todo o amor que ele tem dentro de sua alma, porque ele acha que é isso que Sumin merece, porque Sumin é seu melhor amigo. E se Sumin é seu melhor amigo, Junghoon quer que ele se sinta amado e cuidado. É o que todo mundo merece, especialmente seu Sumin Hyung
Durante aquele dialogo interno, Sumin aproveita que Junghoon havia agarrado sua cintura e havia começado a esfregar seu pau no de Junghoon, finalmente se entregando ao momento de seu cio. Eles rompem o beijo, e Junghoon já começa a morder o pescoço de Sumin, lambendo e marcando a pele quente da mesma forma que eles haviam feito naquela vez, durante o ciclo do beta. A diferença é que dessa vez, o ômega também estava mordendo o pescoço e os ombros de Junghoon. Se deliciando no ato de provocá-lo, tirando diversão genuína nos gemidos que suas mordidas poderia tirar de Junghoon. O fascina, genuinamente!
E o fascina ainda mais a facilidade com que o beta o segura, o prende contra a cama e o olha de perto daquela forma quase que selvagem. E a pior parte? Sumin sabe que ele também está olhando para Junghoon de forma selvagem. Ele pode sentir a fervura dos feromônios do cio, ele podia sentir a própria selvageria, e ele sabia que Junghoon era um reflexo de si mesmo. Eles riem um para o outro, o beta deixando um beijinho gentil na boca do ômega apenas porque ele podia, aquilo sendo o suficiente para fazer Sumin gemer.
Junghoon desce lentamente seus beijos, passando pelo pescoço os ombros e as clavículas de Sumin, parando no peito dele e começando a chupar o mamilo de Sumin. O ômega geme, sentindo uma quantidade vergonhosa de lubrificação descer por entre suas pernas. E o cheiro dela era tão doce, tão fértil, era ridículo e aquilo deixava Sumin a ponto de gritar.
Sumin estava frustrado.
Sumin queria que Junghoon o fodesse até que ele ficasse sem folego.
— Junghoonie! Você pode me foder logo de uma vez? — O ômega implora, logo soltando um gemido alto quando Junghoon não apenas chupa um de seus mamilos, mas aperta o outro mamilo, e o rola entre os dedos. Não ajuda em nada que Junghoon tenha mordido o mamilo que ele tinha na boca. Sumin estava desesperado, e ele queria tanto que Junghoon parasse de brincar e o fodesse de uma vez! — Por favor!
O beta escuta o pedido choroso do ômega, afastando a boca do peito dele para olhar bem nos olhos de Sumin. Junghoon respira fundo, sentindo o cheiro do ômega o intoxicar completamente, mas mesmo assim sentindo uma duvida atrás da orelha sobre aquela situação. É então, que ele percebe que eles haviam esquecido uma coisa muitíssimo importante!
— Você tem camisinha ai?
— Tenho, mas você pode me foder sem!
— Epa, pera ai também né Sumin! Ta querendo que eu goze dentro? Porque eu não sei se eu tenho o autocontrole pra tirar na hora! — Junghoon arregala os olhos, momentaneamente parecendo com um gatinho assustado.
— E qual é o problema? Eu tenho que tirar proveito daquele concepcional caro que eu pago um absurdo pra não ter cólicas durante o cio!
— Você tem certeza? Você não ta falando isso porque o tesão do cio ta fritando seu cérebro?
— Absoluta!
Junghoon olha bem para a expressão determinada de Sumin, olha bem para o olhar esperançoso dele e para como ele parecia tão… Etéreo naquela posição. Sumin estava com o cabelo preto esparramado na cama, o comprimento com certeza já estava incomodando o ômega, mas era uma obra de arte quando ele estava deitado na cama. Ainda mais etéreo quando Junghoon olhava para cara centímetro dentro daquele ninho, e via que era tudo feio de roupas e cobertores seus. Aquilo despertava uma necessidade primitiva dentro dele, por mais que ele estivesse longe de ser um alfa, e de ser do tipo de gente que cede a vontades do lobo. No entanto, Junghoon era do tipo que cederia as vontades de Sumin.
Ele concorda com o pedido do ômega, voltando a beijar o pescoço dele. Junghoon já estava entre as pernas de Sumin a muito tempo, então aquilo meio que facilitava seu trabalho, quando ele penetrou um dedo no ômega facilmente. Ele levou um tempo brincando com Sumin naquela posição, se Sumin queria ser fodido, ele iria estar confortável quando o fosse! E o beta poderia dizer que Sumin gostava daquilo, com o quanto ele gemia conforme ele movia o primeiro dedo dentro dele. Não demorou até que Junghoon introduzisse mais um dedo, tirando um gemido alto e choroso de Sumin. Junghoon acha graça do ômega soluçando de prazer abaixo dele, deslizando os dedos fundo o suficiente para estimular a próstata do ômega, fazendo Sumin soltar um grito quando sente a estimulação repentina.
Para um ômega no cio, aquilo era quase como ter o sistema nervoso completamente atacado, e o pior é que Junghoon não para de esfregar a próstata de Sumin, nem quanto o ômega está genuinamente chorando de prazer. E não é como se Sumin quisesse que ele parasse.
Sumin quase pode sentir o calor do orgasmo o percorrendo, quando Junghoon tira os dedos, olhando para ele com uma expressão neutra. Esperando uma reação. Sumin, é claro, fica com raiva. Não é pouca raiva, Sumin queria esganar Junghoon, mas não o faz porque o beta logo beija sua boca, dominando o beijo em segundos preciosos. O beijo é mais desajeitado e desesperado que primeiro que eles compartilham, com Sumin segurando o rosto de Junghoon contra o seu coço se estivesse segurando o rosto de uma santa.
Sumin quebra o beijo quando sente o pau de Junghoon entrando dentro dele, e acalmando algo dentro dele. Acalmando seu lobo, se assim ele pode dizer. Junghoon acha a visão perfeita, começando a se mover lentamente dentro de Sumin, observando a expressão no rosto dele para saber se ele estava fazendo tudo certo. Sumin estava gemendo e choramingando como se estivesse tendo o momento mais prazeroso de sua vida, então o beta continuou o que ele estava fazendo. Ele começa a acelerar lentamente as estocadas, indo mais rápido e mais forte a cada tantas vezes, do jeito que Sumin gostava. Uma crescente previsível, fácil de se adaptar. Algo que eles haviam aprendido juntos por tentativa e erro. Junghoon começa a morder a glândula de cheiro de Sumin, lambendo e estimulando a glândula até que Sumin estivesse choramingando de novo. Caminhando perto do orgasmo de novo, desesperado para ter o êxtase que ele tanto queria. Tudo estava indo bem, bem até demais para o par de amigos com benefícios.
Até que eles escutam um alarme bem alto vindo do celular de Junghoon, que estava bem na mesa de cabeceira de Sumin. Junghoon para o que ele estava fazendo quase que imediatamente, ele estava no meio de uma estocada, seu pau bem pressionado contra a próstata de Sumin. Para a infelicidade do ômega, ele pega o celular que estava previamente desligado em mãos, vendo que o aparelho havia sido alarmado por um sistema de chamada de emergências que tanto ele quanto Sumin conheciam, mas que só haviam visto no celular de betas com matilhas formadas.
— Quem é que foi que instalou esse aplicativo satânico no seu celular, pelo amor de deus! — Sumin reclama, arranhando a pele de Junghoon, enquanto o beta continuava com sua extensão muito bem enterrada dentro dele.
— Eu acho que nós dois sabemos bem quem foi! E é a versão premium, que não da pro beta desligar a chamada se não atender antes. — Sumin rosna de raiva com as palavras de Junghoon, sentindo o corpo ainda tremendo com a antecipação do orgasmo. Ele estava no cio e desesperado, e aquilo deixava Junghoon triste. — Eu vou atender, mas eu preciso que você fique bem caladinho agora, tudo bem! Só pra gente não ter que ouvir esse alarme insuportável!
Sumin concordou a contra gosto, suspirando e batendo a cabeça no travesseiro em frustração. Ele nem sabia como ele era suposto de ficar quieto numa situação como aquela, mas ele tenta, assistindo Junghoon atender o telefone.
— Jeongguk? Porque você ta me ligando agora? Não sei você mas eu to bem ocupado! — Junghoon responde, retomando suas investidas em Sumin em um ritmo bem dolorosamente lento.
— Você quer que eu volte pra casa? Agora? Não vai ta dando não, e nem é da sua conta porque eu desliguei meu telefone. Não to nem ai que você e o seu namorado brigaram! E eu odiei saber que vocês instalaram o alarme beta no meu celular! — Ele continua com o ritmo lento, vendo que Sumin estava mais calmo, ao mesmo tempo que parecia a beira de começar a chorar de soluçar.
— Não, não gostei mesmo que vocês instalaram essa porra no meu celular, e eu não vou voltar pra casa agora! Quer que eu deixe o meu amigo ômega sozinho no cio dele, só porque você brigou com o seu namorado? Nem aqui e nem na puta que te pariu! Vai você resolver seu relacionamento! — Junghoon fala com um tom de finalidade total, vendo que finalmente ele tinha atingido o tempo mínimo de ligação no alarme beta para desligar a chamada. Rapidamente jogando o celular de volta encima do criado mudo, e voltando a foder Sumin com tudo o que ele tinha.
O ômega agradecia.
Ele não aguentava mais estar por um fio da própria sanidade, e apenas o ato de poder se entregar sem preocupações o havia deixado no céu. Sumin fecha os olhos e se deixa levar, sentindo cada estocada de Junghoon ficando mais forte, o calor do orgasmo voltando a crescer dentro dele. Junghoon parecia tão desesperado quanto ele, e aquilo faz Sumin se questionar quanto tempo levaria até o beta se derramar dentro dele. A ideia de ter aquele beta gozando bem fundo dentro dele fez algo com a mente de Sumin, porque ele solta um grito alto enquanto o calor do orgasmo o varre de maneira devastadora. Ele fica completamente ofegante, cego no prazer. Sobrecarregado com o sentimento, quase chorando enquanto Junghoon continuava perseguindo o próprio prazer.
Quando Junghoon se derrama dentro dele, Sumin geme mais uma vez, arregalando os olhos com o quão a sensação é peculiar para seu lobo. Como se uma peça tivesse se encaixado no lugar, e aquilo havia sido uma sensação meio magica.
Bom, pelo menos havia sido magico enquanto a realização do que eles haviam feito e do que havia de fato acontecido não caia sobre eles. Porque veja bem, tem uma natureza mortificante no fato de alguém que não é mais do que seu colega de quarto colocando um programa de chamadas de emergia para betas problemáticos no seu celular! E mais, existia uma natureza mortificante no fato de que um programa desses existia, e que essas pessoas com quem Junghoon dividia um espaço haviam encontrado um momento e uma forma de pegar seu celular, desbloqueá-lo e instalar e programar algo assim.
Mas Junghoon não conseguia pensar em mais nada, além do ômega ofegante embaixo dele e no calor aveludado que estava envolvendo seu pau. E no momento, talvez fosse melhor assim.
Aquele não era um bom momento para que Junghoon pensasse sobre qualquer tipo de violência sistêmica que ele enfrentava, não porque ele não queria estragar o humor de Sumin. Ou por ser o cio de Sumin.
Mas porque estar deitado no ninho de seu melhor amigo, passando um tempo agradável com ele enquanto o ajudava em seu cio era algo que deixava Junghoon feliz. Um momento de calmaria que o beta segurava perto do coração com todas as forças que ele tinha. E Junghoon não queria que seus momentos de felicidade e de calmaria no meio da rotina puxada de um estudante que trabalha, estuda e cuida de si mesmo sem nenhum tipo de apoio deveriam ser manchado pelo pavor constante de ser visto enquanto uma posse. Uma coisa. Uma criatura que tinha somente um papel, um motivo de existir.
Ele não queria pensar na forma de existir que lhe foi atribuída por um subgênero que ele não tinha controle, ele quer se concentrar na existência que ele conhece e ama com Sumin. A existência que ele escolheu para si.
Eles estavam algumas boas semanas depois do cio de Sumin, quase dois meses depois. Junghoon esteve com um bom humor persistente e muito característico por conta daquela… experiencia. Ou, pelo menos era isso que os colegas de quarto dele estavam pensando. Seunghcheol havia achado aquilo engraçado, louvável até! Ele ficou rindo malicioso para o outro beta quando ele voltou para casa com um monte de lençóis que cheiravam a ômega e um amaciante que eles não tinham costume de usar, usando um conjunto de roupas que claramente não eram dele. Ele parecia realizado naquela posição, e aquilo irritava Jeongguk. Nada
Junghoon era amigo dele, não era? Era colega de quarto dele, colega de trabalho e até de curso na faculdade. Eles estavam escalados na mesma peça para a proximal temporada, e eles até mesmo iriam juntos para um casting de um papel pequeno de televisão na próxima semana! Então porque que nessas circunstancias, o beta olhava para ele e decidia que iria colocar qualquer coisa acima dele? E veja bem, não é que Jeongguk estivesse apaixonado por Junghoon nem nada do tipo, ele nunca poderia se imaginar namorando com um beta.
É que… ele estava acostumado a ter outra relação com Junghoon. O beta costumava ser a pessoa com quem e seu namorado mais contavam, a pessoa imparcial que sabia como resolver os problemas entre eles dois, e que cuidava deles. E agora Junghoon não fazia mais isso. Ele parecia ter encontrado pessoas mais importantes para cuidar, e amigos melhores com quem passar o tempo. Ou, pelo menos era assim que Jeongguk e Beomseok pensavam por falharem em perceber uma coisa bem importante na relação deles e de Junghoon.
Junghoon não devia nada a eles, e tudo o que ele fazia antes, era pela bondade do próprio coração, mas infelizmente até o coração mais gentil de todos chega no limite. E Junghoon havia chegado no limite de ter que fazer tudo por eles dois, de ter coisas que eram esperadas dele. Junghoon havia percebido que o próprio valor não estava na utilidade que ele poderia ter um alfa ou um ômega, ou o quanto ele poderia prestar assistencial a um casal de alfa e ômega de quem ele era próximo. Aquela, que era a medição comum do valor de um beta no ambiente que eles estavam.
Parecia que os dois estavam se recusando a ver que o que Junghoon queriam era ser visto como igual. E não como o mediador beta de alguém, mas os dois não sabiam como tratar Junghoon de uma forma diferente do papel que eles haviam imposto a ele, e isso fazia com que qualquer ação desviante desse papel fosse vista com hostilidade. Como uma espécie de ofensa. Especialmente pelo auto proclamado alfa da casa, Beomseok! Já que havia sido ele que tomou a decisão de instalar o alarme beta no celular de Junghoon e de Seungcheol quando eles estavam dormindo! E havia sido ideia dele pagar pela versão mais cara do aplicativo, em que o beta em não tinha opção, a não ser atender a ligação de seu "alfa líder" ou de seu " ômega luna" se não quisesse ter seu aparelho bloqueado por tempo indeterminado.
Ele não pensou, em nenhum momento, que o motivo pelo qual esse tipo de aplicativo existia era para controle de betas em matilhas. Que o aplicativo só funcionava se você declarasse perante o sistema que aquele beta era sua posse. Beomseok não parecia ver nada de particularmente errado em declarar que seu amigo, seu colega de apartamento e de trabalho, era uma posse sua somente por achar que ele andava fora da linha de um papel que Junghoon nunca havia se inscrito para interpretar. Era nesse cenário que, olhando friamente, qualquer um pode começar a entender o porque que eles dois começam a ver na figura de Sumin, uma ameaça. Porque nesse cenário de uma imposição de um papel, da expectativa de cumprimento de algo que nunca foi acordado, a pessoa que desafia esse status quo se torna uma puta.
Porque para eles, não era Junghoon que estava deliberadamente escolhendo ficar com Sumin porque ele se sentia acolhido e um igual. Não era Junghoon se integrando ao circulo de Sumin, porque ali ele não era esperado a agir como mediador e como cuidador. Não, para eles era Sumin roubando e enfeitiçando Junghoon e roubando a posse deles. E a parte mais assustadora, é que esse sentimento que vinha deles dois, era completamente desprovido de amor. Eles não amavam Junghoon romanticamente, nenhum dos dois jamais se apaixonaria por um beta, como muitas vezes eles haviam dito. Mas eles sentiam uma necessidade de controlar Junghoon.
Eles foram criados dentro de matilhas, afinal, e eles sempre viram a forma com que betas de matilhas eram tratados e, lá no fundo do inconsciente deles, eles esperavam que Junghoon se tornasse um. Eram tentativas e escolhas conscientes e inconscientes para fazer com que ele agisse que nem um beta de matilha.
Não era isso que Junghoon queria.
Junghoon não foi feito para agir como um beta de matilha. Mas na visão de quem achava que o único destino que um beta tinha, o de se tornar um beta de matilha, o comportamento de Junghoon demonstrava que ele queria agir como um beta de matilha para outra pessoa. E eles não poderiam deixar isso acontecer, poderiam?
Foi com este pensamento que os dois tiveram uma ideia muito infantil. Eles se sentiam machucados pelas ações de Junghoon, e acharam que Junghoon os devia algo, então eles decidiram pegar o pagamento da pior forma possível. Porque sinceramente, quem acha boa ideia roubar um cobertor querido de alguém sem permissão, e colocá-lo em seu ninho? E o pior, transar encima do cobertor? Tudo isso que eles não suportavam a ideia de que Junghoon tivesse o cheiro de outro ômega em seu quarto, e que ele trouxesse outro ômega para casa? Isso era uma tolice gigantesca. Era ridículo, para falar a verdade.
Porque sinceramente, o que é que eles dois estavam esperando quando Junghoon chegasse em casa da faculdade a tarde, procurando seu cobertor com o cheiro de seu melhor amigo e encontrasse seu guarda roupa aberto e o rastro do feromônio de Sumin levando até o quarto deles dois? Eles achavam que Junghoon iria entender aquilo como algo, além de uma violação de sua privacidade?
Bem, difícil dizer.
Até porque, eles estavam esperando que Junghoon iria chegar em casa, e ter todo seu humor destruído por aquela situação. Eles estavam esperando causar em Junghoon, a mesma frustração que Junghoon os causou. Mas não foi isso que eles receberam. Muito pelo contrario, na verdade. Junghoon havia chegado em casa já cansado, já frustrado e simplesmente impossível de moldar.
Talvez fosse por isso que os dois estivessem agora, parados como dois servos nos faróis, vendo Junghoon escorado no batente da porta com uma expressão neutra. Aquela havia sido a gota d'água para o beta. O casal havia ultrapassado todos os limites possíveis e impossíveis, e Junghoon não tinha mais paciência para aquilo.
— Uau! Eu não sei nem porque é que eu estou surpreso com o que eu estou vendo diante dos meus olhos, eu deveria ter esperado isso de vocês dois! — Junghoon cruza os braços, soltando um bufo frustrado. — Vocês não só tão com o meu cobertor, como fizeram questão de deixar ele todo gozado e fedendo a suor! Parabéns, viu!
— Qual o problema? Você emprestou ele pro Sumin no cio dele, e ainda deve ter comido dele encima desse cobertor várias vezes!
— Eu não devo satisfação pra você sobre o que eu faço com as minhas próprias coisas! Muito menos sobre o que eu faço com um cobertor que eu ganhei da minha mãe! Mas agora você me deve a decência básica de não entrar no meu quarto, abrir o meu guarda roupa e revirar tudo atrás de um cobertor que você sabe que tem valor emocional.
— E o que é que tem se eu quiser pegar um cobertor, ou todos os seus cobertores pra colocar encima da minha cama, hein, Junghoon? Você é um beta! Eu posso pegar o que eu quiser das suas coisas pra fazer um ninho, a hora que eu bem quiser, e o que é que você vai fazer? — Jeongguk pergunta, se levantando da cama de queixo erguido, olhando bem nos olhos de Junghoon. — Você ta morando na casa de um casal alfa e ômega, você deveria estar preparado para se comprometer com as responsabilidades disso!
Junghoon nem sequer se digna a responder a aquela declaração, ele apenas revira os olhos e vai para seu quarto, nem se importante de fechar a porta quando ele pega sua mala velha e surrada e começa a jogar todas suas roupas limpas encima da cama. Ele está com a mala aberta, dobrando suas roupas dentro dela com uma expressão ainda neutra e que não denunciava nenhum pensamento especifico, quando Beomseok entra no quarto dele. Ele parece surpreso, ele não acha que Junghoon vá participar de nenhuma peça fora da cidade para ele estar fazendo as malas.
— O que você ta fazendo, Junghoon?
— Indo embora, não ta vendo não? Porra! Ta achando o que, que eu to fazendo a mala só pra levar as roupas pra passear na rua, e voltar!
— Nossa, não precisa falar assim! — O alfa da um passo para trás, olhando para o beta com uma expressão apreensiva. — É desrespeitoso.
— E quem é que se importa, hein, cara! Eu não me importo! Tu não me respeita de jeito nenhum, nem respeita os meus amigos. Eu acho que eu to podendo falar com você, como se você fosse uma barata!
— Eu ainda sou o alfa da casa, Junghoon! Eu exijo que você me respeite!
— Você não pode ser o alfa de uma casa que não é sua, seu moleque inútil! Não é o seu nome que ta na compra desse apartamento, não é você que paga a água, a luz, a internet! Você só compra comida quando o Seungcheol pede, e paga o aluguel pelo seu quarto! Como que você é o alfa da casa, hein? Me explica! — Junghoon reclama, jogando uma pilha de calças dentro da mala com mais raiva do que ele precisava. Ele grunhe de frustração, olhando para o alfa com uma expressão tão cansada, tão exaurida. Aquilo é um grande choque para Beomseok, ele nunca havia ouvido uma reprimenda tão grande de Junghoon, nem nunca havia ficado debaixo daquele olhar dele. — Você não é o alfa da casa, e você também não é meu alfa! Nós não temos uma relação mais do que só uma amizade de colegas de trabalho e de apartamento! — O beta fala com um tom alto e levemente assustador, jogando algumas jaquetas e casacos dentro da mala agora.
— Meu deus, eu nem sequer tenho interesse em alfas! Nunca me submeteria a um, e com certeza nunca me submeteria a você! E mesmo assim, você sempre vem pra cima de mim com essa merda de ser o alfa da casa e fica esperando um monte de coisas de mim, que você não deveria esperar nem se eu fosse seu parceiro!
Beomseok estava levemente assustado, ele nunca havia visto Junghoon verdadeiramente enfurecido. Ele nem sabia que um beta podia ficar com tanta raiva assim.
— Mas você tem certeza que quer ir embora agora?— Essa pergunta é tão idiota, que aquilo faz com que Junghoon bata o pé no chão e rosne de raiva. aquilo é assustador.
— Eu não só tenho certeza, como no que dependesse de mim eu me teleportava pra longe de tu, e to meu namorado agora!
— Mas porque você ta querendo ir embora agora? Foi só um cobertor…
— Você quer saber de uma coisa, Beomseok? Eu cansei! Cansei das tuas gracinhas, cansei das merdas que o teu namorado apronta! Tem meses que eu falo pra vocês me deixarem na minha e vocês não deixam, não ta nem com um mês que vocês fizeram meu celular apitar um alarme beta! Eu to indo embora porque eu cansei! Não é pelo cobertor. — O beta fecha a mala com mais raiva do que era necessário, colocando ela no chão quase a deixando cair bem no pé de Beomseok. Junghoon empurra o alfa para o lado, pegando uma mochila pra começar a juntar alguns itens pessoais mais emergenciais para que ele possa passar uns dias na casa de alguém.
No caso, na casa de Sumin.
Beomseok sabia que Junghoon estava indo para a casa de Sumin. Ele se sente derrotado com a ideia de que a reação de Junghoon, foi correr até Sumin ao invés de se adequar as exigências deles dois. Não era isso que ele esperava que fosse acontecer. Não era isso que havia sido incutido no fundo de sua mente através dos anos e de sua educação. Ele não queria que Junghoon fosse embora, queria que Junghoon voltasse a prestar atenção apenas nele e em seu namorado. Ele queria que seu relacionamento com Jeongguk fosse o centro da existência de Junghoon.
Ele vê Junghoon andando até o quarto que ele dividia com Jeongguk com uma sacola plástica grande na mão, seguindo o beta rapidamente para e chegando a tempo apenas para ver o beta jogando o cobertor dentro da dita sacola plástica.
— Vamos lá, Junghoon, você não precisa ficar assim, a gente pode resolver as coisas agora! Tenta esfriar a cabeça antes de tomar qualquer decisão como essa, por favor! — Jeongguk fala, tentando segurar o braço de Junghoon, mas o beta desvia rapidamente das mãos do ômega. Ele tem um olhar frio quando se vira para ele, uma expressão de puro nojo.
— Eu passei o dia todo no hospital com o Sumin, por causa de um assunto sério! Eu vim em casa só buscar umas roupas e um cobertor pra passar a noite com ele, e eles tão com a porra de um circo armado só pra me aborrecer? Eu não tenho mais paciência pra isso, não! — O beta tem um tom mais controlado agora, olhando nos olhos do ômega a frente dele como se estivesse vendo a fonte de todos os seus problemas. — Eu vou mandar um colega meu da faculdade buscar o resto das minhas coisas pra mim, não contem comigo pra absolutamente mais nada! — ele sai do quarto batendo os pés, voltando até seu antigo quarto onde sua bagagem estava, apenas para juntar tudo e rumar para fora do apartamento. Saindo ao bater a porta com força, derrubando um espelho que Seungcheol gostava de manter lá.
Eh.
Junghoon não iria voltar mais, e com razão.
E não porque ele havia escolhido Sumin acima de Beomseok e Jeongguk, mas porque ele havia escolhido a si mesmo.
Written by a human in Ellipsus.
