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O corpo de Poseidon cai no chão da arena destruída, seu sangue se espalhando pelo chão como a água. No rosto de Sasaki brilha um sorriso triunfante, o lado humano da plateia grita com toda a força.
— O vencedor do terceiro embate do ragnarok é... — Heilmen anuncia. — A HUMANIDADE... SASAKI KOJIRO!
Em seus respectivos camarotes, os deuses observam com horror.
Em uma das salas de espera, perdida entre os corredores, as nereidas fazem companhia à sua irmã e rainha, Anfitrite, ao assistir ao combate de seu marido – ex-marido –. Ele morreu. Ele realmente morreu. Proteu, o fiel servo de Poseidon – seu fiel servo –, solta um suspiro exasperado de onde está. Delfim, o melhor amigo de Poseidon, se aproxima da tela quase rindo, como se tudo não passasse de grande piada e Poseidon fosse levantar e matar esse humano miserável de vez.
Ele não vai.
Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele morreu. Ele-
Tétis, uma de suas irmãs, toca em seu ombro, abafando seus pensamentos.
— Minha rainha, se me permite a opinião. Alguém precisa recolher o que sobrou do tridente, ele é um dos tesouros do mar, afinal. — Seu toque se transformou em um leve carinho.
— Sim, você tem razão. Proteu, faça isso.
Proteu se curva e murmura o que poderia ser qualquer coisa, Anfitrite não ouviu, e sai. A sala cai em um silêncio desconfortável, ocasionalmente interrompido por um fungado ou soluço das nereidas mais jovens e, aparentemente, mais abaladas com a luta. Faz sentido, apesar de tudo, Poseidon era um bom rei que prezava pelo seu reino e pela harmonia no mar acima de tudo, e um bom marido, gentil, caridoso e-
Anfitrite sente os dedos de Calipso, outra de suas irmãs, enxugando suas lágrimas antes mesmo de perceber que estava chorando.
— Minha rainha. — Ela chama e Anfitrite levanta a cabeça, que não notou abaixar, para olhá-la. — Acho que seria adequado falar com os outros deuses. Esses humanos miseráveis criaram uma dívida para a Grécia, precisamos pagá-la.
— Eu vou! — Delfim grita antes mesmo de Anfitrite formular uma resposta, em seguida se encolhe, envergonhado. — Se for de seu agrado, minha rainha.
— Vá, Delfim, e fale com meu cunhado... — E ele sai sem esperar que ela termine, mal fechando a porta atrás de si.
Mais uma vez, a sala caiu em um silêncio desconfortável, Anfitrite levou seu olhar para a tela. A arena estava vazia, de alguma forma, a água que antes a enchia escoou para fora e agora, os que pareciam escravos do panteão egípcio, reconstruíram a arena praticamente do zero. O corpo de Poseidon já desintegrou e o paradeiro de sua alma é desconhecido. Esses humanos miseráveis não estão usando armas normais, völundr são quase iguais a armas divinas, não há como saber o que aconteceu com as almas após a morte.
— Irmã. — Chama Eurídice, suas mãos sobre as da irmã. — Acho que uma caminhada pode ser benéfica. E ao pequeno Tritão.
Os olhos de Anfitrite disparam pela sala, repentinamente consciente de que seu filho também estava presente e assistindo a tudo. O jovem deus, que embora tenha seus séculos de vida, não é para os deuses mais que uma criança e sua forma lembra tal, jazia nos braços de seu primo, Aquiles, filho de Tétis, ela reconheceu.
— Tritão. — Ela chama. Ele não reage. — Tritão, meu filho.
Aquiles dá uma tapinha gentil no braço de seu primo e sussurra algo em seu ouvido, o pequeno deus funga um pouco mais e então se afasta, indo para sua mãe enxugando os olhos azuis.
— Venha. Eurídice tem razão, uma caminhada nos será benéfica. Respirar um pouco de ar fresco.
— Sim, minha mãe.
Ela coloca a mão sobre o ombro do filho e o guia para fora. Eles caminham sem rumo, sem propósito.
Em algum lugar ao longe, o mar ruge refletindo a ira, mágoa e confusão de todos os deuses do mar e d'água. Anfitrite olha irritada pelas janelas no corredor, o céu está ofensivamente limpo e calmo. O deus das tempestades acaba de morrer, o céu deveria chorar em retaliação, mas não.
Ele está azul-claro e vívido, como se essa grande piada em formato de competição não tivesse acabado de ir longe demais.
