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Um Pequeno Mistério - Guapoduo AU

Summary:

Onde a caminho de casa Cellbit encontra uma pequena bebê, novo mistério

ou

Onde a pequena Esperanza é encontrada e muda complementa a vida da guapofamily como eles nunca imaginaram

Work Text:

Chegará mais uma vez a noite, na grande cidade que nunca dorme, Cellbit caminhava exausto após passar o dia inteiro na rua, buscando pistas sobre um novo caso que investigava, sendo um famoso detetive seu trabalho era reconhecido principalmente no submundo, onde ganhava fortunas por cada caso, nunca deixando nada sem respostas.

Entre as escuras ruas Cellbit andava tranquilamente a caminho de sua casa quentinha, onde seu marido Roier e seus dois filhos Bobby e Richarlyson o esperavam para o jantar. Imerso em pensamentos Cellbit sente seu celular vibrando e uma mensagem de Richas aparece na tela do aparelho, seu filho pedindo pra ele comprar um refrigerante para o jantar, aquela criança estava viciada em bebidas com excesso de açúcar, toda refeição tinha que ter pelo menos um copo acompanhando. Com um suspiro cansado, Cellbit muda sua rota fazendo um pequeno desvio até o mercado mais próximo, o bairro mal iluminado com postes queimados e poças de água, davam um clima úmido e gelado na noite, o céu coberto por nuvens pesadas que indicava mais chuva noite adentro, a maioria dos estabelecimentos já fechados davam um ar sombrio ao local, o completo oposto de sua aparência durante o dia.

Ao entrar em um pequeno beco, para cortar caminho Cellbit escuta um barulho baixo como o vento, mas ao prestar um pouco mais de atenção percebeu o som vindo de um lugar específico, um amontoado de caixas, curioso ele se aproximou com cautela, imaginando ser algum animal mas ao olhar direito viu entre aquelas caixas jogadas como lixo uma pequena mãozinha, seus olhos duplicaram de tamanho com o que via a sua frente, um bebê.

O pequeno estava dentro de uma caixa de papelão suja, usando apenas uma fina peça de roupa, mas o pior daquela cena era uma chupeta amarrada em sua boca, para evitar que o choro fosse ouvido, um bebê que não sabe nem engatinhar jogado como lixo e silenciado, para não ter nenhuma chance de sobreviver.

Não perdendo tempo Cellbit tira a chupeta do pequeno, que solta um murmúrio mais alto já exausto de tanto chorar, verificando as condições do bebê, Cellbit retirando a luva de uma de suas mãos e checa com cuidado a temperatura do pequeno, um pouco mais gelado do que deveria mas provavelmente não estava ali a muito tempo. Cellbit se afastando um pouco retirando seu casaco e o usando para embrulhar o bebê, como um burrito, comida que aprendeu a fazer em seu primeiro encontro oficial com Roier que agora era seu marido.

Pegando o bebê no colo ele o segura rente ao seu corpo, compartilhando o calor corporal, tentando manter aquela pequena coisinha viva. Deu uma última olhada na caixa não encontrando nada e seguiu a passos ágeis em direção ao hospital, mudando seu caminho pela segunda vez naquela noite.

Ao chegar no hospital, rapidamente entregou o bebê para uma das enfermeiras explicando a situação, ela o levou direto para a sala de exames onde um médico fez séries de exames, esquentando e alimentando o bebê, uma menina Cellbit descobrirá enquanto ajudava a trocar as roupas da pequena, por outras que o hospital disponibilizou, um lindo conjunto rosa que a dava um ar adorável. Apesar de um pouco desnutrida, o bebê de aproximadamente 8 meses já havia passado pelo pior.

-Bem agora ela precisa dormir- disse a enfermeira entregando o bebê para Cellbit que a segura, ninando a pequena em seu colo. -Vou te dar algumas coisas do kit maternidade, você vai precisar. - vendo a cara de confusão do homem à sua frente a enfermeira complementa - -Você não deve saber, mas o dinheiro destinado aos orfanatos foi cortado pela metade e muitos foram fechados, esse deputado Cucurucho acha que orfanatos são um gasto desnecessário e as crianças neles são apenas futuros bandidos. Como não temos para onde mandar as crianças, os lares temporários são a única opção, no seu registro mostra que você tem uma família estável, então você é a melhor e a única opção para essa pequena.

Bem, certamente não foi assim que Cellbit imaginou terminar seu dia, ao sair pelas grandes portas do hospital com um bebê, que dormindo tranquilamente em seu colo e uma enorme sacola que ganhara do hospital no ombro. Ele teve certeza que pelo menos teria uma boa desculpa sobre o porquê de ter demorado 3 horas para comprar um refrigerante, droga o refrigerante! ele havia esquecido completamente. Seu celular desligou sem bateria assim que chegou ao hospital e não conseguiu avisar ninguém sobre onde estava. O bebê em seu colo, embrulhado em um cobertor macio era a única coisa que dava um pouco de alívio para seu peito.

-Bem vamos para casa agora pequena - ele disse mais para si mesmo do que para ela, a chuva acabará de passar e seu marido deve estar preocupado com sua demora, pegando um táxi ele foi em direção a sua casa, sem mais nenhum desvio na rota.

Era oito horas da noite, quando Roier e as crianças cansados de esperar Cellbit chegar, foram vencidos pela fome e jantaram sem ele, que provavelmente esqueceu mais uma vez de carregar o celular enquanto investigava.

Bobby e Richas que tinham aula pela manhã, então foram logo para a cama, Roier tentava fazê-los dormir contando uma história, mas as duas crianças estavam muito animadas e cheias de energia, interrompiam a história com perguntas incessantes que Roier não sabia responder, em momentos assim era bom ter Cellbit por perto, seu marido era um sabe tudo, ótimo em responder todas aquelas perguntas, mas ele havia sumido no meio da noite e não dava sinais de vida a horas.

Os pensamentos de Roier são interrompidos pelo barulho da porta de entrada sendo aberta, as duas crianças que discutiam entre si sobre um fato qualquer da história nem havia ouvido, mas quando Roier levantou subitamente, quase correndo em direção da sala, claro que Bobby e Richarlyson o seguiram, até o fim do corredor, onde puderam ver Cellbit no meio da sala segurando uma bolinha rosa, junto de uma enorme sacola no ombro.

Cellbit e Roier não eram homens pequenos, na verdade eram bem atléticos e enforma, o que fazia a imagem na frente de Roier ainda mais fofa, seu marido um homem grande cheio de cicatrizes por todo o corpo, segurando um pequeno bebê de cabelos brancos e roupas rosa, era sem dúvidas uma das coisas mais comicamente lindas que já viu. Um bebê certamente não era o que ele esperava, mas agora estava curioso de como as coisas sucederam de apenas um trabalho de investigação, para um bebê no meio de sua casa, claro que seus dois filhos não perderam tempo em começarem a fazer as perguntas.

-¿Qué trajiste? [o que trouxe?] - Bobby é o primeiro a perguntar, Cellbit sem saber por onde começar a explicação apenas mostra o bebê em seu colo para os dois pequenos que ficam boquiabertos.

-Como eu peço pra você me trazer um refrigerante e você me aparece horas depois com uma irmãzinha ??????? - foi a primeira coisa que Richarlyson pensou e acabou por falar em voz alta e clara, todos na sala travaram no mesmo instante, quando a pequena se remexeu nos braços de Cellbit, mas por sorte logo voltou a dormir, Richas levou apenas um leve cutucão de Bobby e olhares de advertência de seus pais.

-Creo que nos debes respuestas Gatinho [acho que nos deve respostas gatinho] - diz Roier voltando o olhar para Cellbit, curioso de como o marido iria se explicar, às crianças apenas balançaram a cabeça e cruzaram os braços imitando Roier.

-Bem … eu estava indo comprar o refrigerante que Richas me pediu, quando encontrei essa pequena e acabei como responsável legal dela por um tempo hahah - Cellbit estava envergonhado com a situação em que se encontrava, mas Roier acabara de descobrir o porque Richarlyson havia pedido para mexer no celular antes do jantar e havia sido muito contrário a ideia de comer sem Cellbit, decidiu deixar pra lá, dando apenas um olhar de reprovação para o pequeno, já que nesse momento ele tinha outra pessoa para dar bronca.

-Culero, embarazó a su amante y ahora quiere que yo críe al bebé [Idiota, engravidou sua amante e agora quer que eu crie o bebê] - fala roier em tom de brincadeira, enquanto seu marido o olhava espantado, logo persebendo ser apenas uma piada. -Sé que no traería un bebé a casa sin ningún motivo, hablaremos más después [sei que não traria um bebê para casa sem motivo, conversaremos mais tarde] - Roier disse baixo para seu marido enquanto se aproximava para ver melhor o pequeno embrulho rosa.

-Bem crianças essa é a nova integrante da casa, ela ainda não tem um nome, mas é para tratarem ela como uma nova irmãzinha. - falou Cellbit com um grande sorriso estampado no rosto, enquanto entregava com cuidado a pequena bebê nos braços do marido, para ir procurar o antigo berço das crianças.

Roier segurava aquela pequena bebê nos braços, se recordando da primeira vez que pegou Bobby no colo, ele era maior que ela mas a sensação foi a mesma, era como sentir o primeiro raio de sol depois de tanto tempo nublado, quentinho e aconchegante, com certeza amor à primeira vista, sempre que tinha essa sensação sabia que aquela pessoa iria ser parte da sua família, foi a mesma coisa de quando seus olhos se encontraram com os de Cellbit pela primeira vez, a sensação avassaladora de querer saber mais sobre aquela pessoa.

Quando Cellbit volta para a sala com o berço já limpo, ele encontra Roier sentando em uma das poltronas, com as duas crianças muito próximas de si, que falavam animadamente sobre sua nova irmãzinha.

-Ella parece un conejito, a diferencia de Richas que parece un hipopótamo [ela parece um coelhinho, diferente do Richas que parece um hipopótamo] - disse Bobby, mostrando a língua para o irmão, que o respondia fazendo uma careta.

Com o berço já montado no quarto do casal o bebê é colocado com cuidado, em seu novo lugar de descanso.

-Está na hora de vocês dois dormirem rapazinhos - diz Cellbit pegando as duas crianças e as levando para o seus quartos.

-Pero papá, ¿comó voy a dormir si aún ni siquiera me he presentado a mi nueva hermanita? [mas papai, como posso dormir se ainda nem me apresentei a minha nova irmãzinha?] - fala Bobby com olhinhos pidões, apenas usando a bebê como desculpa para ficar acordado por mais tempo, Cellbit ignora o drama da criança, coloca os dois nas camas e apaga as luzes, apesar de o quão animadas estavam eles já haviam passado do horário de dormir, então caíram no sono rapidamente.

Voltando para o seu próprio quarto, Cellbit encontra Roier sentado na cama próximo ao berço lhe esperando, ele se aproxima do marido o dando um suave beijo, logo se sentando ao seu lado.

-Encontrei ela em uma caixa, no meio de um beco, com uma chupeta amarrada na boca, quem a abandonou não queria que ela fosse encontrada, quando a levei para o hospital me informaram que os orfanatos estavam lotados e não tinha ninguém que pudesse ficar com ela, eu era a única opção, então aceitei ser o lar temporário dessa pequena. - conta Cellbit com um pesar na voz - sei que devia ter te avisado, mas meu celular descarregou, desculpa. - ele diz olhando para o marido com aqueles olhinhos de filhote, a mesma cara que Richas e Bobby usam quando fazem algo errado, Roier solta um suspiro cansado e sorri para o marido, parece que Cellbit encontrou um novo mistério para desvendar.

-Como siempre, eres un culero ¡olvidaste cargar tu teléfono, otra vez! Así que ve a comer, la cena ya está fria. Yo cuido al pequeño. [como sempre, você é um tonto. esqueceu de carregar o celular de novo! vá comer, a janta já está fria. eu cuido da pequena] - Roier não podia negar que seu marido, um ex-assassino e o melhor investigador da cidade era horrível em lembrar das coisas mais básicas, pelo menos a sacola que o hospital entregou iria ser muito útil.

Depois de um jantar gelado, Cellbit volta para seu quarto encontrando seu marido e filhos esparramados na cama dormindo, parece que os dois pequenos intrusos havia pegado no sono enquanto olhavam a nova irmãzinha, sorrindo Cellbit checa a pequena no berço e apaga a luz do abajur, indo se deitar na cama junto de sua família.

As seis em ponto da manhã o despertador toca, acordando a pequena bebê e por tabela até mesmo Bobby e Roier que quase nunca acordam no horário certo, Cellbit foi o primeiro a levantar indo acalmar o bebê, enquanto o resto da família ainda meio sonolentos, foram se trocar para começar o dia.

Quando todos já estavam alimentados e prontos para sair, a família se dirigiu até o carro na garagem, Cellbit carregava a bebê em um sling (um pedaço de tecido utilizado para carregar bebês junto ao corpo de um adulto), que ganhara do hospital, enquanto Roier carregava a bolsa com as coisas da bebê, as duas crianças já estavam subindo no carro e sentando-se no assento elevado, Roier seria o motorista da vez, já que Cellbit há poucas semanas atrás havia mandado o segundo carro da família para a mecânica, após um pequeno acidente onde colidiu contra uma casa.

Após deixar as duas crianças na escola, Roier seguiu caminho até o shopping enquanto pensava junto ao marido em um nome para a bebê, já que mais tarde naquele mesmo dia teriam que ir até o hospital para finalizar a papelada pendente e registrar um nome para a pequena.

Assim que chegaram no shopping foram direto para as lojas focadas em coisas infantis, não demorando em encher as mãos com compras e presentes para Bobby e Richarlyson, voltando ao estacionamento apenas para guardar as compras.

-Talvez a gente tenha exagerado um pouco. - foi o que Cellbit concluiu ao não conseguiu fechar o porta malas do carro, ele teria que tentar de novo usando toda sua habilidade em tetris, a pequena bebê estava agora em seu carrinho, umas das inúmeras coisas que ganhará, enquanto Roier cansado de esperar o marido se distraiu com uma máquina de pegar bichinhos, o lindo coelhinho rosa foi o prêmio que o atraiu.

Quando finalmente conseguiu encaixar todas as compras no porta malas, Cellbit foi até seu marido, que já estava irritado de perder para a máquina tantas vezes, xingava e socava o ar, tentando pegar o maldito coelho, a bebê soltava gargalhadas fofas olhando para ele, concerteza dezenas de fadinhas acabaram de nascer em algum lugar.

Enquanto olhava sua família Cellbit pensava em como apesar do primeiro encontro caótico com a pequena, a simples atitude de olha-la o dava uma sensação de plenitude, nunca pensou em ter outra criança além de Bobby e Richarlyson, era muito feliz com apenas eles quatro, mas agora imaginava sua vida com três crianças, e a simples ideia de ter que se despedir da pequena o causava angústia.

Quando viu Richarlyson pela primeira vez não foi amor à primeira vista, apesar de ter uma criança para cuidar ele não se sentia um pai, o carinho e afeição foi algo que cresceu e se fortaleceu com o tempo, com erros e acertos até que em algum momento aquela pequena criança havia se tornado a coisa mais importante da sua vida, ele não sabe ao certo quando isso aconteceu, mas teve certeza disso quando Bobby, que na época ainda não era seu filho, sofreu um grave acidente, foi a primeira vez que Cellbit sentiu tanto medo e angústia.

O acidente ocorreu dois anos atrás, Cellbit se lembra perfeitamente do dia, ele e Roier haviam levado as crianças para brincar, tudo ia bem, as crianças se divertiam com uma bola, enquanto os adultos conversavam, Richas se afastou um pouco para ir beber água e em questão de segundos a bola nas mãos de Bobby rolou para o meio da rua, a criança de 6 anos na época, correu para pegá la, sem perceber um carro se aproximando, tudo pareceu ocorrer em câmera lenta, Cellbit apenas segurou Richarlyson contra si, tampando os olhos do pequeno, enquanto diante de si via a pior cena que já presenciou, seus anos na guerra não eram nada comparado a aquilo, sangue manchava o chão com o pequeno Bobby inconsciente no meio da rua, Roier se aproximou do pequeno sem saber o que fazer suas mãos tremiam no ar; depois disso tudo se tornou um borrão, só quando a ambulância afastou levando Bobby e Roier, que Cellbit percebeu Richas se remexendo em seu colo, instintivamente segurou a criança mais forte, tentando protegê la.

Quando Cellbit chegou ao hospital, depois de deixar Richarlyson na casa de outro pai, encontrou Roier andando de um lado para o outro na sala de espera, seus olhos que antes sempre eram brilhantes e alegres agora se encontravam opacos e distantes, Cellbit apenas se aproximou e o abraçou, não fez nenhuma pergunta, sequer falou algo, apenas ofereceu sua companhia e ficou ali ouvindo as piadas sem graça de Roier. Pouco tempo depois Jaiden chegou, como um furacão ela foi até eles, segurou Roier pelos ombros e o chacoalhou, ela tinha os olhos marejados enquanto repetia a mesma pergunta.

-Como? c-como isso aconteceu?! como … - sua fala que começou estrondosamente alta foi ficando mais baixa a cada palavra, até que não se podia ouvir nada além dos soluços, ambos desabaram sem forças para se manterem em pé, Cellbit apenas ficou com os dois e apesar dos olhos úmidos não deixou nenhuma lágrima escorrer, os três ficaram ali esperando as notícias dos médicos, que só vieram na manhã seguinte quando Bobby foi finalmente mandado para um quarto de descanso, onde ficou mais de um mês em coma, Jaiden e Roier estavam devastados, Cellbit não ficou muito diferente deles, tendo que responder para Richarlyson o porquê de Bobby não poder mais brincar com ele. Em uma noite em específico, quando foi levar comida para Jaiden, que descansava em sua casa, se lembra do choro desolador que ouviu vindo do quanto de Bobby, os lamentos de Jaiden soavam quase como um uivo - "O que eu faço agora? Ser mãe de Bobby é o que eu sou! … sem ele o que eu faço?!" - até que a fala se tornou apenas lamúrias incompreensíveis. Uma melodia que tocava no quarto, a música "Descansa Mi Amor" soava ao fundo como se tentasse consolá-la, Cellbit apenas se afastou em silêncio da porta da casa, indo ver seu próprio filho que dormia pacificamente no banco de trás do carro, estacionada a poucos metros dali, Cellbit apenas observou seu filho enquanto as lágrimas que tentou a todo custo segurar durante um mês, agora rolavam pelo seu rosto silenciosamente, quando uma mãe perde um filho, todas as mães do mundo perdem um pouco também.

Bobby acordou poucas semanas depois, causando uma grande comoção e fazendo a alegria de todos, aquela criança sapeca apesar do acidente continuou fazendo suas travessuras, mesmo que os adultos agora tivessem atenção redobrada sobre ele e sempre preocupados, tudo voltou ao cotidiano, às vezes as crianças são mais fortes do que os adultos.

Agora Cellbit estava ali, sentindo se um pouco apreensivo e assustado, era sua primeira vez cuidando de uma bebê, não sabia se estava indo bem mas ao olhar para ela, todo o medo e apreensão desaparecia e apenas restava um sentimento quentinho, a pequena balbuciava para ele como se estivessem tendo uma conversa profunda enquanto Cellbit sorria para ela prestando atenção em cada palavra.

Quando Roier finalmente conseguiu pegar o coelho, quase gastando todo o dinheiro em sua carteira, ele sorriu vitorioso, comemorando sua enfim sua vitória, pegando a pelúcia e indo entregar para a bebê.

-Não é melhor lavar antes? - questionou Cellbit uma sobrancelha levantada, fazendo Roier parar segurado o coelho a poucos centímetros da bebê que tentava alcançar a pelúcia esticando as mãozinhas.

-No ¡ayuda a crear anticuerrpos! [não, ajuda a criar anticorpos!] - respondeu Roier dando a pelúcia para a pequena, que agarrou o coelho dando gargalhadas fofas, quando foram seguir passeio pelo shopping um vulto azul surgiu no meio da garagem, era Pac, amigo e co-pai de Richarlyson, ele vinha a passos pesados e cara de poucos amigos, em direção de Cellbit.

-Como assim você tem uma nova filha? e não me disse nada?!??? Achei que éramos amigos. - fala Pac, fazendo drama.

-Pera, mas como você sabe disso? - pergunta Cellbit surpreso com a chegada do amigo.

-Não revelo minhas fontes - Pac respondeu desviando o olhar para um ponto qualquer da garagem, logo Mike e Felps chegaram com Richarlyson, que tinha um copo de milk-shake nas mãos, ali estava o fofoqueirinho caminhando tranquilamente até eles.

Roier apenas ria assistindo a cena, enquanto segurava o carrinho da bebê, quando recebeu uma ligação de Jaiden, o questionando sobre a bebê, Bobby deve ter contado para ela também, sem muita opção o casal decide explicar a situação de uma vez, chamando Jaiden para o shopping, todos se dirigiram até uma área mais privada e silenciosa dentro do shopping. Quando Jaiden chegou acompanhada de Bobby, as crianças foram brincar em um simulador de montanha russa, enquanto Cellbit começava a explicar sobre o dia anterior, desta vez de forma mais detalhada, contando sobre como os orfanatos haviam sido fechados por um tal de Cucurucho e de que iria investigar sobre o abandono da pequena, depois da explicação todos os parabenizaram sobre a nova integrante da família, Cellbit acabou pedindo ajuda de Mike e Pac para buscar pistas, já que sua irmã Bagi que também é detetive estava em uma viagem de lua de mel com Tina, sua esposa.

-Bem, temos que ir ao hospital agora e escolher um nome para ela! - disse Cellbit olhando a pequena, que babava na orelha do pobre coelho.

-Acho que podemos ajudar com isso … que tal Maria - Pac sugeriu fazendo com que uma enorme discussão se iniciasse todos começam a opinar ao mesmo tempo, até as crianças que estavam distraídas se juntaram à discussão, centenas de nomes foram sugeridos mas nenhum combinava com a pequena.

-Algodão doce, que tal ela parece um! ou chocolate! talvez refrigerante! - disse Richarlyson muito empolgado, listando tudo o que ele mais gostava.

-Si es así entonces marshmallow o conejito [se é assim então marshmallow ou coelhinha] - claro que Bobby não deixou de fazer suas próprias sugestões, os adultos ouviam as sugestões das duas crianças enquanto sorriam igual idiotas babões para os filhos, que discutiam entre si qual era o melhor nome.

-Bueno, todas las opciones son buenas, pero rayo de sol necesita un nombre con menos posibilidade de bullying. [bem, todas as opções são boas mas a raio de sol precisa de um nome com menos chance de bullying] - disse Roier rindo um pouco das crianças, que discutiam seriamente em um nome.

-Raio de luz? haha adorei o novo apelido, mas temos que ir agora se não o hospital pode achar que roubamos ela - falou Cellbit se levantando para ir embora - Nos encontramos na minha casa, peçam alguma comida hoje a noite iremos comemorar a chegada da pequena raio de sol. - finalizou a conversa, se dirigindo junto de Roier para o carro, enquanto o restante se arrumavam para ir embora, debatendo qual comida comprar.

Ao chegarem no hospital a bebê foi prontamente examinada, ela estava saudável e comendo bem até mesmo os alimentos sólidos, o que significa que o antigo tutor fez a introdução alimentar, o que é estranho comparado a forma como ela foi encontrada, bem Cellbit pensaria nisso depois, terminado os exames, eles foram finalizar a documentação com a enfermeira que Cellbit conheceu no dia anterior.

-Ela é muito forte! manteve a esperança de que algo bom viria, após ter sido abandonada na noite fria e agora tem dois papais maravilhosos! - falou a enfermeira brincando com a bebê, enquanto o casal tentava decidir um nome, a única coisa que faltava para terminar a papelada e poderem voltar para casa, onde Jaiden, Pac, Mike, Felps e as crianças estavam esperando, Jaiden tinha uma chave reserva da casa, então não foi surpresa nenhuma quando Roier recebeu uma foto deles sentados no sofá da sala, assistindo algo na televisão.

-¡Es eso! ese es el nombre perfecto ¡Esperanza! [é isso! esse é o nome perfeito, Esperanza!] - Roier falou com convicção, triunfante por ter escolhido o nome da bebê.

-É um bom nome, eu gostei! Esperanza, o que você acha? - perguntou Cellbit para a pequena que apenas balbuciou sorridente, batendo palminhas como resposta.

-Acho que ela concorda, então o nome será Esperanza - disse a enfermeira escrevendo o nome no último documento, finalmente poderiam ir para casa.

Quando chegaram à casa, depararam-se com Mike, Jaiden, Felps, e Richarlyson jogando just dance no meio da sala, eles haviam empurrado o sofá e a mesa de centro para o canto, fazendo assim da sala uma excelente pista de dança, enquanto isso Pac e Bobby estavam sentados na mesa de jantar cercados por folhetos de pizzarias, seria noite de pizza por sugestão de Bobby, afinal era sua comida favorita e ele guardava todos os folhetos de pizzarias que encontrava.

-¡Permítame presentar a Esperanza! el nuevo miembro de la familia [permítame apresentar Esperanza! o novo membro da família] - falou Roier chamando a atenção de todos e levantando a bebê no ar, recriando a famosa cena de "Simba" em "Rei Leão" enquanto Cellbit segurava o celular com a música "O Ciclo sem Fim" tocando, todos caíram na risada esquecendo completamente o que faziam, a noite foi recheada de muita dança, pizza e conversa.

Tarde da noite, quando as visitas foram embora e as crianças dormiam no quarto do casal junto com a bebê, os donos da casa estavam descansando no sofá, apenas aproveitando a companhia um do outro, Cellbit bebia uma taça vinho, enquanto Roier lia uma história em quadrinhos apoiando sua cabeça no ombro do marido.

-¿Qué piensas tanto? [o que pensa tanto?] - perguntou Roier parando de ler e se virando para olhar o marido, desde que saíram do hospital notou Cellbit distraído.

Quando seus olhos se encontraram teve certeza do porque seu marido estar tão pensativo, muitas vezes Cellbit e Roier precisavam apenas de uma troca de olhares para se entenderem, como se conversas inteiras ocorressem entre os dois, eles dividiam um universo próprio dentro de seus olhares, seus amigos achavam bonito como em qualquer lugar os dois podiam criar aquela atmosfera, como se apenas os dois existissem, um lugar só deles onde toda atenção era um do outro, pareciam conversassem por telepatia, mas eles não precisavam de algo como telepatia quando seus olhos já diziam tudo um para o outro.

-Quieres adoptarla, ¿no? [quer adotá-la, não é?] - Roier perguntou retoricamente, adotar uma nova criança não é algo simples, ainda mais uma que seu marido traz para casa em uma quinta-feira a noite sem avisar, eles não esperavam ter outra criança, nem se sentiam muito prontos, mas não existe algo como estar pronto quando se trata de ter filhos, a pequena Esperanza já havia roubado seus corações em tão pouco tempo, que parecia sempre ter feito parte da família, mas antes de começar o processo de adoção era preciso descobrir o misterioso passado da pequena. Quem a abandonou e se alguém estava buscando por ela?

O dia seguinte começou caótico como de costume, Richarlyson e Bobby corriam de um lado para o outro enquanto Cellbit tomava seu café, olhando para o marido que perdeu no jokenpô e agora estava tentando dar mamão para a bebê, Roier tinha pedaços de fruta no cabelo e roupas, estava completamente sujo, enquanto Esperanza sorria satisfeita pelo trabalho que fez, Jaiden chegou na casa a tempo de ver a cena, obviamente tirando sarro do amigo, ela havia se oferecido para cuidar das crianças enquanto Cellbit iria investigar e Roier tinha trabalho para fazer, ele e sua prima Melissa tinham um consultório psicológico e haviam acabado de reformar o local.

Cellbit chegou no beco onde encontrou a bebê logo pela manhã, Pac e Mike já o esperavam. Apesar da rua movimentada e cheia de estabelecimentos abertos, o beco estava vazio, com apenas caixas e latas de lixo. A caixa onde encontrou a bebê ainda estava lá, da mesma forma como havia deixado, indicando que a bebê não teria sido encontrada se não fosse por Cellbit.

Mike foi atrás das imagens das câmeras de segurança, algumas lojas próximas poderiam ter filmado algo útil, enquanto isso Cellbit e Pac vasculhavam o beco, que apesar de pequeno estava cheio de lixo, o que dificultou a busca, quando ambos estavam quase desistindo Pac viu o reflexo de alguma coisa embaixo de uma das latas de lixo, ao se aproximar encontrou um anel, com uma insígnia de dragão cravejado de pedras preciosas, com certeza era um artigo de luxo que não deveria estar ali, não encontrando mais nada eles foram até Mike, que entregou as gravações para Cellbit, se despediram e seguiram seus caminhos, havia sido uma longa manhã e todos estavam exaustos.

Ao chegar em casa, Cellbit foi direto para seu escritório pessoal no porão, Jaiden e as crianças estavam em um zoológico, onde encontraram Baghera a irmã de consideração de Cellbit, que acabou descobrindo sobre a bebê. As centenas de mensagens no celular de Cellbit provavam que sua irmã não estava nem um pouco feliz de não ter sido informada, com certeza não seria a única enxurrada de mensagens que receberia, disso ele tinha certeza, a fofoca sobre sua nova filha já estava se espalhando como água, era questão de tempo até todos saberem.

Em seu escritório Cellbit olhava as imagens das câmeras, até que encontrou uma pista, o ângulo da câmera não pegou muita coisa, mas era possível ver um carro, mais especificamente o Tesla Cybertruck, um dos piores design de carro que já existiu. Com certeza não seria difícil encontrar o dono, por outra câmera ele conseguiu ver uma pessoa de terno segurando o que provavelmente seria a bebê, mas nenhuma das câmeras capturou o rosto do sujeito que mais parecia um vulto pela péssima qualidade da imagem. Cellbit separou as imagens relevantes e as pesquisou no sistema de buscas policial, mesmo que fosse ilegal as informações como placa de carro e identidades, eram registros importantes que facilitariam a busca, enquanto o sistema carregavam, Cellbit aproveitou para pesquisar sobre a insígnia de dragão no anel, talvez pertencesse a alguma máfia ou a um clã de família importante.

Horas mais tarde Roier chega em casa, estranhando um pouco o silêncio, ele vai até o escritório do marido, que está sentado de costas para si, bebendo café, concentrado demais em sua investigação para notá-lo. Roier aproveita a oportunidade, caminhando de fininho sem que o marido perceba e coloca suas mãos nos ombros do marido, Cellbit dá um pulinho de susto virando-se para o marido, os dois riem da situação e logo começam a contar sobre seu dia, Roier conta sobre sua prima que ao descobrir sobre a bebê, passou o dia todo o incomodando, para conhecer Esperanza. Cellbit contou do andamento da investigação e por fim as ameaças de Baghera, que jurou raspar sua cabeça da próxima vez que tivesse que descobrir pelos outros, fofocas do próprio irmão, apesar de preocupado com os cabelos do marido Roier não pode deixar de rir e caçoar dele.

Enquanto Cellbit fazia o jantar, as crianças chegaram se jogando no sofá, Esperanza dormia profundamente no bebê conforto e Jaiden tentava recuperar seu fôlego, o dia todo ela ficou correndo, de um lado para o outro atrás das três crianças, enquanto um descansava, outro aprontava. A pior parte do dia foi quando Richarlyson e Bobby ficaram quietos, em questão de segundos ambos, haviam sumido, certamente Jaiden e Baghera nunca irão esquecer aqueles dois segundos, do mais puro desespero, centenas de cenários terríveis surgiram em suas mentes e quando Baghera ia ligar para a emergência, viu as crianças quase passando a grade de segurança em direção ao habitat dos leões, no instante em que o alívio veio, ele se foi. Jaiden correu, conseguindo segurá-los a tempo de evitar o pior. Baghera não teve tempo de reação, segurando Esperanza nos braços com o celular na mão, aquilo foi o estopim para ambas decidirem ir embora, com certeza não repetiriam a dose tão cedo.

Quando a comida ficou pronta, todos foram jantar, Richarlyson estava tão cansado, que quase dormia com o garfo na boca, enquanto Bobby tombava a cabeça para o lado quase caindo de cara na comida, Jaiden não estava em situação muito melhor, quase não conseguindo levantar o garfo até a boca, Cellbit e Roier comiam em silêncio, apenas cuidando para que nenhum deles se machucasse. Esperanza havia acordado apenas para tomar sua última mamadeira e finalmente voltar a dormir até o outro dia. Quando ela terminou, Cellbit a levou para o berço.

As crianças adormeceram na mesa de jantar assim que terminaram de comer, Roier carregou Richas para a cama, enquanto Cellbit levava Bobby. Jaiden apenas conseguiu chegar até o sofá onde caiu em sono profundo, o casal apenas a ajeitou como puderam, tentando deixá-la mais confortável e apagaram as luzes. Os dois foram para a varanda da casa olhando as fotos que Jaiden e Baghera tiraram do passeio, em uma delas Richarlyson dava alface para as girafas, segurando bem na ponta da folha com medo, em outra Bobby imitava o lagarto de gola em posição de ataque fazendo uma careta engraçada, mas a melhor na opinião de ambos foi a de Jaiden com cara de desespero, enquanto Bobby e Richas mais ao fundo tentavam pular a cerca para o habitat dos leões, com certeza essa iria para o álbum de fotos da família, mesmo estando um pouco borrada (Baghera a havia tirado sem querer enquanto tentava ligar para a emergência).

A manhã de domingo amanheceu calma e silenciosa, Jaiden ainda dormia no sofá, enquanto Cellbit preparava o café da manhã e Roier arrumava as crianças, hoje Jaiden foi a escolhida para tentar alimentar Esperanza.

-¡Te despertaste! alimentarás a Esperanza. Ayer parecías divertirte mucho mientras le daba de comer. Así que hoy serás tú [você acordou! vai alimentar a Esperanza. ontem você pareceu se divertir muito enquanto eu alimentava ela. então hoje será você] - disse Roier assim que Jaiden acordou, ela estava completamente descabelada e parecia cansada, mesmo sem entender muito bem ela seguiu até a cozinha para a grande batalha, tudo ocorreu como o esperado. Cellbit sentiu como se estivesse tendo um déjà vu. Quando a bebê terminou de comer Jaiden estava coberta com pedaços de melancia, seu cabelo antes bagunçado agora estava completamente arruinado enquanto a artista sorria dando risadinhas fofas, Cellbit foi limpar Esperanza enquanto Jaiden se recuperava ainda desnorteada.

Algum tempo depois Felps chegou buscando Richarlyson, ele iria cuidar do pequeno naquela semana, Bobby e Jaiden foram embora logo em seguida, apesar dela ainda ter pedaço de melancia no cabelo Cellbit e Roier preferiam não falar nada. Roier pegou Esperanza e se despediu do marido, ele tinha que apresentar a pequena para Melissa ou seria um homem morto.

Com a casa vazia Cellbit partiu com sua caneca de café para seu escritório, era hora de continuar a investigação, não conseguiu muitas informações sobre o anel no dia anterior, então era hora de continuar as buscas, depois de muita pesquisa nos registros da cidade ele encontrou uma fotografia antiga com uma senhora usando o anel com insígnia de dragão, por sua aparência incomum ele tinha certeza de que era o mesmo anel que encontrou, Cellbit se sentia cada vez mais empolgado e estava pronto para virar a madrugada em busca de mais.

Em uma cobertura de luxo do outro lado da cidade, Cucurucho descansava pensando no ocorrido de dias atrás, um bebê foi deixado em sua porta no pior momento possível, se houvesse sido em outro momento, teria ligado para a polícia e se livrado do incômodo, mas depois de sua atitude, perante os orfanatos, a população estava lhe caçando. Eram só alguns órfãos ,ele não imaginou que alguém se importasse, mas estava errado, desde que fez aquilo a imprensa está de olho nele. Com medo de que rumores aparecessem ele escondeu o bebê dentro de casa.

Esconder o bebê não foi uma tarefa muito difícil, já que os empregados só iam uma vez por semana, mas ele não parava de chorar, acabando com a pouca paciência do homem, Cucurucho precisava se livrar daquilo. Não era a primeira vez que uma criatura desagradável cruzava seu caminho, iria livrar-se dela assim como fez com todos os gatos e cachorrinhos de rua, criaturas fracas eram apenas estorvo e perda de tempo. A primeira coisa que fez foi acabar com aquele som estridente, usando a chupeta que estava junto do bebê, ele a amarrou tendo certeza que não sairia do lugar e saiu da casa com seu carro, em busca de algum lugar para abandonar o bebê, andou até encontrar um beco escuro distante de sua casa, perfeito para que ninguém o visse, apressadamente, deixou o bebê em um lixo qualquer e saiu, torcendo para que ninguém a encontrasse.

Após uma longa semana de investigação e muitas madrugadas em claro, Cellbit finalmente tinha provas o suficiente contra o homem que abandonou a pequena, as enormes olheiras embaixo de seus olhos denunciavam seu cansaço, enquanto ele que comemorava em silêncio afinal eram três horas da manhã, finalmente enviava as provas que coletou em formas denúncia anônima para o departamento policial, Esperanza dormia em seu colo após uma longa noite tentando fazê-la dormir, isso o lembrava das madrugadas acordado que passava resolvendo casos e cuidando de Richarlyson quando ele havia acabado de ser adotado e não conseguia dormir direito, mas dessa vez, era a pequena Esperanza ,dormindo tranquilamente em seus braços. Cellbit levanta-se com Esperanza no colo, sai de seu escritório e vai até seu quarto colocar a bebê no berço, era hora de soltar as informações na mídia, mas antes ele precisava dormir.

A tarde naquele dia, quando o sol quase se punha Cellbit enfim acordou, faminto como já fazia um tempo que não tinha uma refeição decente, sobrevivendo apenas de café, ele se dirigiu para a cozinha encontrando Roier e Esperanza, a pequena brincava com seu coelhinho de pelúcia enquanto seu marido assistia o jornal, a notícia se tratava de Cucurucho mais especificamente a denúncia que Cellbit enviou para a polícia naquela madrugada, durante o pequeno cochilo de Cellbit a informação acabou vazando para a mídia, pelo menos isso facilitava as coisas. Em pouco tempo, Cucurucho foi afastado de seu cargo e preso em flagrante enquanto tentava fugir, a denúncia de Cellbit causou um efeito dominó escancarando diversos crimes cometidos pelo deputado, se tornando a assunto mais falado do ano.

A investigação entorno do anel com a insígnia de dragão trouxe algumas informações valiosas, o artefato pertencia a um clã familiar conhecido no submundo, mas que nos dias de hoje estava quase extinto com apenas um membro conhecido, uma mulher conhecida por sua grande tatuagem de dragão que cobria metade de seu corpo, seu nome verdadeiro nunca foi descoberto por ninguém. Os membros da família só eram vistos quando patrocinavam alguém, não importando a área de atuação, o patrocinado era incomparável no que fazia, recebendo muitas vezes reconhecimento mundial, o anel representava o apoio do clã sobre essa pessoa, podendo ser usado apenas pela pessoas escolhidas pelo clã, nunca estando nas mãos de alguém que não fosse merecedor e escolhido, nunca vendido ou comprado. A única maneira de se obter o artefato era por meio da família, como uma profecia. Os rumores que Cellbit conseguiu encontrar soavam quase como lendas urbanas pouco críveis. Então sem muita informação Celbit decidiu esperar para ver se alguém viria atrás do objeto.

Pouco tempo depois da prisão de Cucurucho, em uma noite tranquila onde Cellbit, Roier e Esperanza jantavam, a campainha tocou, o detetive foi o primeiro a se levantar indo verificar a porta, encontrado apenas um envelope no chão, curioso sobre o conteúdo, ele o abre encontrando uma carta.

Clã dos dragões,

Venho por meio desta carta informar que a pequena Esperanza é um membro de nosso clã. Como sua mãe biológica é incapaz de criá-la, o destino definiu um novo responsável pelo bebê, sua família foi a escolhida para mantê-la em segurança, a crie adequadamente. Estaremos observando.

Cellbit termina de ler e volta para a mesa de jantar, entregando a carta para Roier, apesar das perguntas terem sido respondidas uma leve tensão se mantinha no ar.

-Bem, acho que isso significa que temos a autorização que precisávamos para adotá-la - disse o detetive sorrindo, não se importava que clã observasse pois caso eles ousassem encostar em um único fio de cabelo de Esperanza ou em qualquer membro de sua família, não restaria clã algum para contar a história.

Fim