Chapter Text
Sesshoumaru olhava pra Rin com intensidade, enquanto ela parecia não saber o que responder.
- Creio que isso não seria adequado. - começou olhando para a madre superiora que a interrompeu.
- Se você desejar ir, permitirei que vá com algumas ressalvas. - disse ela - Eu confio na reputação do senhor general e no nome da família Taishou. Desde que ela tenha seu próprio quarto, bem resguardado e seguro, e possa manter a rotina que desejar, e como o senhor disse possa voltar quando desejar, autorizarei que ela possa ir.
- O que as outras irmãs pensariam disso? Pensariam de mim? E o que faria com as crianças? - perguntou Rin a madre.
- Ninguém tem que pensar nada sobre você. Deixe tudo comigo. É uma situação especial.
- O que quer dizer com as crianças? - perguntou Sesshoumaru.
- Sou professora na escola do convento. - respondeu Rin.
- Eu fico grato pela confiança. - respondeu Sesshoumaru a madre superiora - Para esclarecer eu não moro sozinho. Moro com meu irmão e a esposa dele que está grávida. - Inuyasha deu um sorriso caloroso a Rin - Temos também a nossa governanta a senhora Kaede e mais alguns funcionários na residência principal. Você não precisa me responder agora, partiremos amanhã às 7h e passaremos por aqui. Espero que esteja pronta para partir conosco. - disse ele se levantando.
- E se eu não estiver pronta? - perguntou ela.
- Vou torcer para que isso não aconteça. - respondeu ele simplesmente - Mas poderá vir me encontrar em Éden quando desejar. O convite sempre estará de pé. Então Até amanhã. - e assim partiu junto com o irmão deixando uma Rin pensativa para trás.
- No outro dia de manhã passaram pelo convento mas apareceu na porta apenas a irmã Kaori informando que a jovem Rin não demonstrou interesse em ir e assim os Taishou partiram em direção a Éden.
- Depois de todo barulho que você fez, vai simplesmente partir assim? - perguntou Inuyasha enquanto cavalgavam - Não vai nem mesmo insistir?
- Achei que era você que queria que eu desse um tempo a ela. - respondeu Sesshoumaru, Inuyasha fez uma careta - Não pense que está sendo fácil partir, mas se estivermos mesmo certos sobre o laço ela não terá outra alternativa a não ser vir até mim. Ou eu perder a cabeça e vir até ela. Espero que não precisemos chegar a isso, que ela decida vir antes. Agora apresse esse seu cavalo manco, quero chegar em casa logo. - e assim partiu a toda velocidade sobre Apolo.
No andar de cima Rin pela cortina entreaberta via os homens na porta do convento, ela não teve coragem de ir. Tudo aquilo ainda lhe parecia loucura. Não era cabível que saísse do convento para se hospedar na casa de um homem que ela nem conhecia e que tinha segundas intenções com ela. Rin achou que a madre superiora nem permitiria tal coisa, mas ela estava mesmo convencida dessa coisa de laço, já Rin continuava com incertezas sobre o assunto. Por isso nos dias seguintes esforçou-se para conseguir esquecer tal situação trabalhando intensamente com as crianças, rezando e cumprindo suas obrigações no convento e assim o tempo foi passando, já haviam passado quase dois meses quando coisas estranhas começaram a acontecer. Durante o dia Rin acordava com dor de cabeça e ao longo do dia ia aumentando, as vezes sentia como um puxão, uma fisgada intensa, necessitando tirar um momento para se sentir melhor. A noite sonhou algumas vezes com Sesshoumaru, sonhos estranhos e sem sentido onde na maioria das vezes ele corria perigo. Ao longo dos meses ele mandou mensageiros afirmando que o convite estava de pé, mas Rin nunca respondeu, assim supunha que ele estava bem e os sonhos não faziam sentido. Rin também estava constantemente com olheiras resultado das noites mal dormidas.
- Eu acho que você tem emagrecido. - comentou uma jovem irmã que trabalhava com Rin na escola do convento - Você tem se alimentado bem?
- Sim, mas minha saúde está sensível ultimamente. - respondeu a irmã.
Duas semanas depois Rin não conseguiu levantar da cama mais, sentia-se esgotada. Nervos a flor da pele e uma fraqueza imensa. A irmã Kaori chamou a madre superiora. Rin passou o dia de cama tomando chá e descansando, a madre superiora tentou chamar um médico, mas ele só poderia vir daqui a 3 dias pois estava fora da cidade. Então ela pensou em outra coisa.
Rin abriu os olhos sentindo-se um pouco melhor, a dor de cabeça havia ido embora e havia uma calma agora na sua alma. Percebeu que estava segurando em algo quente e quão grande foi sua surpresa ao ver Sesshoumaru sentado numa cadeira ao lado da sua cama ressonando. Ele também parecia ligeiramente abatido com olheiras sob os olhos. Rin sentou-se devagar limpando a garganta fazendo Sesshoumaru despertar.
- Desde quando está aí? - ela perguntou.
- Cheguei um pouco antes do raiar do dia. - disse ele espreguiçando-se - Foi uma longa noite.
- Você viajou a noite? - perguntou Rin com um que de preocupação.
- Foi necessário. A mensagem da madre superiora chegou quase a tarde, sai assim que recebi, mas cheguei apenas de madrugada. Passei na estalagem e vim o mais cedo que considerei entrar.
- Não precisava se preocupar assim. - disse ela - Quanto tempo de viagem do seu condado até aqui?
- Depende muito do transporte - respondeu Sesshoumaru - A cavalo conseguimos fazer em um dia inteiro, de carroça um dia e meio. Precisa pernoitar na Cidade do Vale e seguir viagem pela manhã, chegando em Éden pela hora do almoço.
Percebendo que ainda estavam de mãos dadas, Rin fez menção de recolher a mão rapidamente mas Sesshoumaru a segurou.
- Deixe assim por enquanto, o contato faz com que os sintomas melhorem. Você está se sentindo melhor? - perguntou.
- Estou, pelo menos minha dor de cabeça incomoda foi embora. - respondeu ela - Você também estava tendo essas coisas?
- Estava. Sentindo muita dor de cabeça também principalmente. - respondeu ele ainda segurando a mão dela.
- É o tal laço chamando? - perguntou Rin.
- É sim. - respondeu Sesshoumaru - O laço continua tentando se estabelecer enquanto você continua a sufoca-lo.
- Então eu não tenho outra opção a não ser aceitar isso? - perguntou ela.
- Para ser sincero eu escrevi a meus amigos perguntando mais detalhes sobre o laço, se você quiser eu posso lhe conceder as cartas para que leia. - respondeu ele - Mas não, você pode recusar o laço, é só fazer o que estávamos fazendo. Cada um continua na sua vida, até que a ligação se desfaça. Só teríamos que aguentar firme esses sintomas até o fim.
- Entendi. - disse Rin - Eu gostaria de ler a cartas se possível.
- Eu não as trouxe comigo, estão na estalagem, mas mando pra você por um mensageiro quando retornar.
- E quando vai partir? - ela perguntou.
- Quando você estiver melhor. - respondeu ele - Depois de amanhã provavelmente. Vou aproveitar que estou aqui e resolver umas pendências também, encomendar umas ferramentas e suprimentos, ir ao palácio conversar com o rei sobre assuntos do exército e ao alfaiate pegar umas roupas. Mas Rin, tem uma coisa que preciso lhe dizer, se passaram quase dois meses desde que nos vimos e tem sido um inferno esse laço incompleto, você bem sabe. Eu mal consigo pensar direito com essa dor de cabeça e essa fraqueza esquisita, não tenho tempo pra ficar doente e esmorecido. Acho que não podemos continuar assim. Não pretendo ficar doente dessa forma de novo. Quero que me diga se quer que essa seja a última vez por todas que nós vemos. Se dessa vez disser que não me quer partirei e não voltarei. Então esperaremos firmemente que o laço se desfaça.
Rin abriu a boca para responder algo.
- Não me diga nada agora. - disse ele alisando a mão dela de leve - Pense que essa pode ser a última vez. Só precisa me dizer depois de amanhã quando partirei, ou virá comigo ou ficará.
- Certo. - ela respondeu pensativa - Então como é em Éden?
- Éden é um lindo condado fundado pelos meus antepassados, a família Taishou. - disse Sesshoumaru com orgulho - Há lindas paisagens verdes e lagos cristalinos. Temos uma incrível variedade de frutas e agora na primavera, Éden se enche cores e se torna ainda mais bonita. Nossa propriedade fica na zona rural do condado.
- Parece um lugar acolhedor. - comentou ela - Como tempo de administrar Éden e ser general do exército? - perguntou com curiosidade.
- Na verdade eu não administro Éden, tenho um prefeito, pode-se dizer assim, que administra por mim, Miroku e eu nos conhecemos da infância. - respondeu ele - Eu sou consultado sobre as principais decisões, mas meu esforço maior é mesmo no exército. Na propriedade, a esposa de Inuyasha, Kagome, e a senhora Kaede administram a casa, os campos são administrados por meu homem de confiança Jaken.
- Os campos? - perguntou ela.
- Nós plantamos para nosso sustento vários tipos de frutas, verduras e legumes. E temos animais também. - respondeu ele - Mas também plantamos para negócios, somos excelentes produtores de café.
Sesshoumaru sentia-se satisfeito por finalmente ela demonstrar interesse em algo relacionado a ele por isso respondia todas as perguntas com paciência.
- E o que você fez nesses meses que se passaram? - perguntou Rin.
- Trabalhei bastante. Estamos construindo um novo celeiro em casa e no exército estamos sendo convidados a auxiliar o reino da água na batalha contra os monstros. - respondeu ele.
- E vocês vão?
- É uma possibilidade. O rei ainda não decidiu se devemos nos arriscar sem uma aliança concreta. - respondeu Sesshoumaru – Além do mais temos nosso próprio território para defender no momento, os ataques de monstros estão crescendo sem explicação. Nosso primeiro esforço tem que ser em nosso reino.
- Em outras palavras o Rei quer saber o que vai ganhar com isso. - disse Rin.
Sesshoumaru riu.
- Exatamente. - respondeu - Rin eu posso ver a sua marca outra vez?
Rin levantou um pouco a manga do hábito mostrando a meia lua no pulso a Sesshoumaru, quando ele tocou a marca acariciando de leve Rin sentiu como se uma pequena descarga elétrica percorresse seu corpo deixando-a arrepiada no mesmo momento, Sesshoumaru também deve ter sentido algo pois aproximou-se ainda mais dela. De repente a porta se abriu e a irmã Kaori entrou, Rin recolheu rapidamente a mão que estava com Sesshoumaru.
- Tudo bem? - perguntou a irmã Kaori - Você se sente melhor? Está com um rosto bem melhor.
- Sim. Eu estou bem melhor. Acredito que consigo até ir a escola a tarde. - respondeu Rin afastando-se rapidamente de Sesshoumaru.
- Tem certeza?
- Sim. Eu tenho. - respondeu Rin levantando-se.
Então acredito que essa seja minha hora. - disse Sesshoumaru levantando-se também - Mandarei as cartas como prometi e estarei na estalagem caso precise de mim. Amanhã passo aqui para ver como você está. Até logo.
- Até logo. - respondeu Rin.
- Quer a minha sincera opinião? - perguntou a irmã Kaori quando Sesshoumaru deixou o quarto.
- É claro que quero.
- Se você não quiser casar com ele eu caso. - disse a irmã Kaori rindo.
- Irmã Kaori!
- Meu bem estamos falando de um dos solteiros mais cobiçados do reino.
- Rin sabia que a irmã Kaori era dada a fofoca, ou como ela gostava de chamar, a colher informações, então ficou ouvindo-a contar como Sesshoumaru era bonito, forte, inteligente, rico e alguns de seus feitos heroicos no exército.
- Colhi bastante informações pra saber que toda a cidade admira esse homem! - disse ela - Se ele me quiser, eu caso! - continuou rindo muito - Agora vamos tomar o desjejum, já passou do horário e a madre superiora mandou te chamar.
A noite Rin parou pra pensar em tudo que estava acontecendo, em como foi fácil conversar com Sesshoumaru mais cedo e como foi bom descobrir mais sobre ele. Agora ele tinha lhe dado o ultimato, o que ela deveria fazer?
