Chapter Text
Cady Heron era o tipo de garota que parecia sempre deslocada em novos ambientes — quieta, reservada, uma introvertida com aquele olhar curioso de quem ainda está tentando entender as regras de uma realidade totalmente diferente do que estava acostumada. Era sua primeira semana na North Shore High, então ainda não conhecia muita gente para conversar, e o colégio, com seus corredores barulhentos e grupos sociais claramente divididos durante todas as atividades, parecia mais um zoológico do que uma escola. Esse pensamento a fez sentir saudades de sua antiga casa, das selvas africanas repletas de animais selvagens e uma paisagem linda durante o entardecer, onde o sol tingia o horizonte de cores alaranjadas.
Na hora do intervalo, uma silenciosa Cady se afastava da fila longa da cantina com uma expressão concentrada ao equilibrar o sanduíche, a caixinha de suco e uma maçã na bandeja, andando de cabeça baixa para não chamar atenção e também para olhar os próprios pés, visualizando o caminho que percorria. A última coisa que desejava era derrubar tudo diante de uma plateia de adolescentes, ela sabia que morreria de vergonha se isso acontecesse. Seu olhar estava fixo no chão até que, por acaso, desviou para a região perigosa que seus novos amigos tinham alertado mais cedo: a mesa das Poderosas.
De acordo com as informações valiosas que aprendera nas últimas horas com Janis e Damian, as Poderosas eram praticamente a realeza adolescente da North Shore. Se o colégio fosse uma revista, elas estariam sempre na capa, as protagonistas que infuenciavam tudo e todos ao redor, até mesmo a autoridade do diretor era questionada diante do comportamento delas. O trio era formado pela sorridente Karen Smith, que seguia o estereótipo de "loira burra" e estava sempre fazendo perguntas constrangedoras; a menor delas era Gretchen Wieners, endinheirada por ser filha do inventor do strudel instantâneo e era uma fofoqueira inigualável, sabia de todos os segredos da escola — por isso seu cabelo era tão grande, estava cheio deles. E, acima delas, havia Regina George, o mal encarnado em forma de gente, uma verdadeira ditadora, a famosa abelha-rainha com os zangões leais orbitando ao seu redor. Era traiçoeira, egoísta e descarada, o tipo de garota que fazia você se sentir inferior apenas com um único olhar.
Cady tentava não as encarar por muito tempo, mas a curiosidade a venceu. Regina estava sentada no centro da mesa, os cabelos loiros perfeitamente alinhados, a postura impecável e o olhar afiado enquando olhava momentaneamente para aqueles ao seu redor, até que voltava a conversar com Gretchen e Karen. De repente, um moreno de sorriso convencido surgiu bem na frente dela, bloqueando seu caminho, bem ao lado da mesa das Poderosas.
— Oi, estou fazendo uma pesquisa com novos alunos, pode responder algumas perguntas? — disse ele com um sorriso, inclinando-se um pouco em sua direção, o tom de voz fingindo inocência.
— Claro — respondeu Cady, com um sorriso educado, completamente alheia às intenções sujas dele.
— Já entregou o ouro? — perguntou o garoto, e o grupo de rapazes atrás dele começou a rir alto, observando a cena com atenção. Cady franziu a testa, confusa. — Quer que a gente mande alguém pra você entregar o ouro pra ele?
— Que ouro?
Regina revirou os olhos com desprezo. Ela olhava a cena patética com uma expressão enojada. — Ele está te incomodando? Jason, por que você é tão cafajeste?
Jason deu de ombros. — Eu só tô tentando ser legal.
— Era pra você ter me ligado ontem à noite! — chiou Gretchen, olhando fixamente para ele como se o repreendesse por não ter dado mais atenção à ela nos últimos dias.
— Não é correto você ir pra uma festa com a Gretchen e dar em cima de uma pobre menina inocente uma semana depois. Ela não está interessada. Você quer transar com ele? — perguntou Regina, com um sorriso afetado. Cady arregalou os olhos no mesmo segundo e balançou a cabeça depressa, chocada ao descobrir o verdadeiro significado de “entregar o ouro”. — Ótimo, então tá resolvido. Agora pode voltar pra sua caverna, Jason. Tchauzinho!
O garoto engoliu em seco, e se afastou sob as risadas abafadas dos colegas. — Vagabunda — resmungou baixo.
Cady, até então parada no meio do refeitório, tentou seguir seu caminho de volta até a mesa onde Janis Ian e Damian Hubbard a esperavam. Os dois acenavam freneticamente de longe, como se quisessem resgatá-la, mas antes que pudesse dar mais um passo, a voz suave e autoritária de Regina George soou atrás dela:
— Espera. Senta aqui com a gente.
Cady congelou por um instante, indecisa. Sua curiosidade falou mais alto, então ela obedeceu o comando e se sentou com cuidado, ajeitando a bandeja diante de si, enquanto as três garotas a observavam em silêncio. Regina cruzou as pernas e apoiou o queixo na mão, estudando-a com interesse. A garota era ruiva, com um punhado de sardas salpicadas pelo rosto delicado e de traços finos. Usava uma camisa xadrez azul desbotada, um jeans gasto e tênis pretos comuns, como se tivesse comprado aquelas roupas em uma liquidação de brechó. O cabelo de tamanho mediano estava preso num coque improvisado, com algumas mechas escapando aqui e ali. Nada em seu visual combinava com o padrão das garotas daquela mesa, mas ainda assim, havia algo nela que chamava atenção. Regina percebeu isso imediatamente, havia muito potencial.
— Então, por que eu não te conheço? — perguntou Regina, a voz carregada de curiosidade e interesse.
— Eu sou nova aqui, acabei de chegar da África — explicou Cady, sem notar o pequeno espanto que atravessou o rosto das três.
A loira piscou, inclinando-se um pouco pela surpresa. — Como?
— Eu era educada em casa.
— Espera aí, como é?
— Minha mãe me ensinava em casa-
— Não, eu entendi que você foi educada em casa, não sou uma retardada — cortou Regina, levantando uma sobrancelha. — Quer dizer que nunca esteve em uma escola antes?
Cady apenas assentiu, meio sem graça. A loira recostou-se na cadeira, cruzando os braços, como se processasse aquela informação surpreendente. — Isso é muito interessante… Até que é bonitinha.
— Obrigada.
Regina arqueou as sobrancelhas. — Então concorda? Você acha que é bonitinha?
Cady desviou o olhar, como se estivesse incerta do que dizer. De repente, Regina estendeu a mão, segurando delicadamente o pulso dela, o brilho colorido de pequenas contas havia chamado sua atenção. — Meu Deus, adorei essa pulseira. Onde foi que comprou?
— Foi a minha mãe, ela que fez pra mim — explicou Cady, tocando no bracelete. Era uma peça simples, mas especial: feita à mão, tradicional do lugar onde morava, e usada por muitas mulheres e jovens de lá como símbolo de beleza.
— Isso é tão barro! — exclamou Gretchen.
Regina virou lentamente o rosto para ela, os olhos semicerrados com um toque de desconfiança. — O que é barro?
Gretchen engoliu em seco, gaguejando ao responder. — É uma gíria na… Inglaterra.
Regina manteve o olhar fixo em Gretchen por mais alguns segundos, tentando decidir se acreditava ou não. Então, por fim, apenas balançou a cabeça com leve ironia e voltou a encarar Cady. Karen, que até então permanecia calada e com o olhar vago, finalmente abriu a boca.
— Se você é da África, por que você é branca? — perguntou ela, com a expressão mais genuinamente confusa que alguém poderia ter. O silêncio que se seguiu foi desconfortável. Cady ficou imóvel, tentando processar a pergunta, e Regina, por outro lado, respirou fundo, visivelmente lutando contra o impulso de empurrar Karen da cadeira.
— Não pode sair perguntando pras pessoas porque elas são brancas! — exclamou Gretchen, horrorizada.
Karen apenas deu de ombros, parecendo sinceramente não entender o problema. Regina massageou a têmpora com os dedos, respirando fundo mais uma vez, enquanto Gretchen olhava para Cady com um sorriso nervoso, tentando apagar o constrangimento da amiga. Então, Regina se endireitou e forçou um sorriso perfeitamente calculado, as covinhas aparecendo na bochecha do lado direito. — Será que pode nos dar licença um instantinho?
Cady hesitou, mas a loira piscou para ela, sinalizando que era só um instante. Então, assim que a novata desviou o olhar, as três se inclinaram sobre a mesa, sussurrando entre si por alguns segundos até que Regina se virou novamente, agora com um sorriso que escondia as reais intenções por trás de dentes perfeitamente alinhados. — Olha, você deveria saber que a gente não faz muito isso, é um lance muito importante... — começou ela.
Gretchen assentiu com entusiasmo, a voz ligeiramente empolgada, como se estivesse prestes a conceder uma honraria. — Queremos convidar você pra almoçar com a gente durante a semana! Então a gente se vê amanhã.
Karen, que já havia voltado a parecer distraída, acenou alegremente para ela. — E nas quartas usamos rosa.
Cady apenas assentiu, surpresa. Recolheu a bandeja, se levantou com cuidado e começou a se afastar até a mesa onde deveria estar desde o começo. Enquanto isso, Regina a acompanhava com o olhar, o rosto impassível, até que algo, ou melhor, alguém, chamou sua atenção.
Na mesa dos “esquisitos”, Rodrick Heffley estava sentado de forma relaxada. Ele segurava um par de baquetas entre os dedos, batucando distraidamente na cadeira enquanto conversava com alguns colegas. O cabelo desgrenhado, o sorriso torto e o ar de quem não se importava com nada davam a ele uma espécie de charme rebelde que irritava Regina profundamente.
E, para piorar, ele sorriu para Cady.
Regina George revirou os olhos com um suspiro impaciente e virou o rosto, fingindo desinteresse. Mas, no fundo, o incômodo estava lá, aquela pontada de irritação que ela jamais admitiria sentir.
[...]
Almoçar com as Poderosas era, para Cady Heron, como deixar o mundo real e entrar no mundo das garotas que tinham muitas regras. Ela se esforçava para sorrir, tentando não parecer completamente perdida enquanto Gretchen Wieners falava sem parar em sua frente. — Calça jeans e moletom só são permitidos às sextas. Suéter não pode ser usado por dois dias seguidos e rabo de cavalo, apenas uma vez por semana. E nada de coletes, são completamente proibidos.
Ela falava com tanta convicção que Cady chegou a se perguntar se alguém já tinha sido exilado por violar uma dessas regras. Enquanto isso, Regina George estava mais silenciosa do que o normal naquela manhã. Vestia uma regata branca sob um suéter rosa e uma saia preta justa, combinando perfeitamente com seus saltos. Ela segurava uma barrinha de cereal entre os dedos, olhando as informações nutricionais com atenção. — Cento e vinte calorias e quarenta e oito gramas de gordura… Que percentagem é essa?
Gretchen piscou algumas vezes, hesitante. — É… Quarenta em cento e vinte?
Regina fez uma careta, como se a resposta fosse um insulto pessoal. — Só como alimentos com menos de trinta por cento de calorias da gordura.
Cady, que até então apenas observava, respondeu sem pensar:
— É quarenta por cento.
Três pares de olhos se voltaram para ela imediatamente, e Cady corou. Vestia um blusão rosa emprestado de Damian, largo demais para ela, e um jeans folgado. Era uma combinação que gritava “empréstimo de última hora”, mas era o melhor que conseguiu fazer para obedecer à regra das quartas-feiras. Tentando disfarçar, ela começou a explicar seu cálculo mental com naturalidade, mas logo percebeu que ninguém à mesa parecia minimamente interessado em matemática.
Regina suspirou, desistindo do assunto. — Tanto faz, vou querer fritas com queijo.
Ela se levantou, caminhando até a fila da cantina, o som dos saltos batendo contra o piso até perceber que talvez o destino estivesse brincando com ela, ou talvez o puro azar, em sua opinião. Rodrick Heffley estava encostado no balcão, segurando uma garrafa de refrigerante e tamborilando as baquetas nos dedos, inquieto como sempre. Regina fingiu que não o tinha visto, mas Rodrick parecia não compartilhar a mesma visão que ela. Assim que a loira entrou na fila, ele apareceu ao seu lado, um sorriso ansioso estampado no rosto.
— Quando vamos ter mais uma aula de química? — perguntou ele, num tom provocador, se referindo à última vez que se viram em sua casa e precisaram fingir que estavam estudando para que seus pais não descobrissem que tinha dado uma festa escondido.
Regina nem mesmo virou o rosto. — Apenas nos seus sonhos, Heffley. Por que está falando comigo?
Rodrick apoiou o braço no balcão, se fazendo de desentendido. — Não posso? Achei que fôssemos amigos depois de todo o lance das férias.
A garota bufou, pegando uma bandeja. — Isso nunca vai acontecer. Agora fique longe de mim de uma vez por todas.
Ela pegou as fritas com queijo e se afastou com passos firmes e o queixo erguido. Mas, atrás dela, Rodrick parecia determinado a não desistir de fazer algo acontecer entre ambos. — Minha banda vai tocar sexta no clube, se quiser aparecer por lá!
[...]
O grupo das Poderosas seguiu direto para o shopping assim que o sinal da última aula tocou, e fizeram seu ritual de toda semana: compras de acessórios de marca e fofocar enquanto passeavam pela praça, onde olhavam conhecidos do colégio. Depois de passarem por uma sequência de vitrines, decidiram encerrar a tarde indo para a casa de Regina.
A entrada da mansão de Regina George era um esplendor. Um portão de ferro se abria para revelar um gramado perfeitamente aparado, uma fonte de água cristalina no centro da rotatória e um jardim com flores coloridas e exóticas. Esculturas de mármore branco ladeavam o caminho, e o casarão de fachada branca, colunas e varandas amplas parecia mais um palácio moderno do que uma casa. Cady Heron desceu do carro de olhos arregalados. — Nossa, sua casa é demais — elogiou, incapaz de esconder o espanto.
Regina subiu os degraus da entrada e abriu as portas duplas, sem sequer olhar para trás. — Eu sei, tá.
Gretchen Wieners se inclinou discretamente em direção à nova amiga, baixando o tom de voz. — Dá uma sacada na plástica dos peitos da mãe dela, são duros feito pedra! — comentou, arrancando um sorriso sem graça de Cady.
O interior da casa era ainda mais impressionante. Tudo parecia caro, desde o carpete, as cortinas de seda, os móveis de design europeu até os lustres de cristal que refletiam a luz do fim da tarde. Na sala, a irmã mais nova de Regina que mais parecia sua versão mais jovem, Kylie, dançava empolgada em frente à televisão, imitando coreografias de videoclipes de famosas. Foi então que a Sra. George surgiu, radiante, com um chihuahua minúsculo nos braços.
— Oi, como estão as minhas melhores amigas?! — exclamou ela, aproximando-se com entusiasmo exagerado.
Gretchen retribuiu o sorriso com naturalidade. — Olá, senhora George! Essa é a Cady.
A mulher piscou, surpresa, como se só naquele momento tivesse notado a presença da ruiva ali. Em poucos passos, ela já estava abraçando Cady, que ficou rígida ao sentir o peitoral firme da mãe de Regina. — Olá, querida, seja bem-vinda! Quero que saiba que se precisar de alguma coisa não faça cerimônia, não temos regras nessa casa, sou uma mãe descolada. Não é, Reggie?
Regina, já subindo as escadas, suspirou e virou o rosto com impaciência. — Mãe, dá pra ir pentear seu cabelo?
A mulher soltou uma risada leve, completamente imune à ironia da filha. — Vocês me deixam jovem, por isso amo vocês! — disse, mandando beijinhos estalados no ar antes de sair balançando os quadris, o cachorro ainda nos braços.
As meninas subiram para o andar de cima, e Cady sentiu o queixo quase cair quando Regina abriu a porta do próprio quarto. O espaço era gigantesco, com uma varanda com guarda-sóis e vista privilegiada para a área da piscina, lareira de mármore e tapetes combinando, cortinas de cetim, uma cama enorme com dossel vermelho e o letreiro “PRINCESA” brilhando em cima da cabeceira.
— Esse era o quarto dos meus pais — explicou Regina com um meio sorriso, vendo o olhar impressionado de Cady. — Mas eu consegui trocar com eles há algum tempo.
No canto, o closet chamava atenção pelas fileiras de sapatos, cabides de roupas organizadas por cor, prateleiras de bolsas e perfumes importados. As portas tinham colagens cuidadosamente montadas, fotos de Regina com as amigas, recortes de revistas, ídolos famosos e frases motivacionais estilizadas. De repente, uma batida pop animada começou a tocar pelas caixas de som embutidas nas paredes.
Regina virou-se com um sorriso, balançando levemente a cabeça no ritmo. — Cady, você pelo menos sabe quem canta isso?
— As Spice Girls?
A loira riu. — Eu adoro ela, até parece uma marciana.
Cady sorriu, sem graça. Enquanto isso, Karen Smith se examinava no espelho, torcendo o nariz para o próprio reflexo. — Meus quadris estão enormes.
Gretchen suspirou ao se aproximar, ajeitando o cabelo enquanto também se olhava minuciosamente. — Eu odeio minhas coxas, são muito grossas.
Regina puxou a alça da blusa e olhou-se no espelho com um olhar crítico. — Eu não posso usar regatas, tenho ombros largos demais.
Cady apenas observava, confusa. Na cabeça dela, os únicos defeitos que alguém poderia ter eram ser magra demais ou gorda demais. Mas ali, parecia que toda garota tinha algo para odiar em si mesma, mesmo quando eram praticamente perfeitas. As três se viraram para ela, esperando sua confissão, e Cady precisou pensar por um instante. — Eu tenho mal hálito de manhã.
Karen, distraída como sempre, agora caminhava entre as estantes repletas de CD's, discos e revistas de moda, arrastando os dedos pelas capas coloridas. Então, algo chamou sua atenção, um brilho suave vindo da lombada de um caderno rosa. — Meu Deus, eu me lembro disso!
Gretchen, curiosa, se apressou em se aproximar. Ela pegou o livro das mãos de Karen com cuidado, e o abriu com um sorriso cúmplice. As páginas estavam cobertas de colagens, recortes e frases escritas com canetas coloridas. — Saca só isso, Cady — disse, acenando para que a ruiva se aproximasse. — É o Livro do Arraso, cortamos as fotos do anuário e escrevemos comentários.
— “Tang Pak é uma galinha nojenta” — leu Karen, arqueando as sobrancelhas. — Ainda é verdade.
Gretchen passou a próxima página. — “Dawn Schweitzer é uma virgem gorda".
Regina, que ainda se observava atentamente no espelho, ajustando os fios de cabelo dourados sobre o ombro, lançou um sorriso enviesado pelo reflexo. — Agora é meio-verdade.
O som de risadas femininas encheu o quarto, com exceção de Cady.
— “Janis Ian sapata” — leu Gretchen, franzindo a testa quando olhou pro garoto que também aparecia na foto. — Quem é esse?
Cady reconheceu imediatamente a figura sorridente ao lado da amiga. O cabelo curto, o rosto redondo e o jeito alegre eram inconfundíveis. — É o Damian. Ele é gay demais da conta.
Regina se virou devagar, finalmente tirando os olhos do próprio reflexo. — Engraçado. Escreve isso aí.
Cady hesitou, sentindo um leve desconforto. Aquilo soava diferente agora, o que antes parecia engraçado quando Janis dizia, de repente soava cruel. Ela se aproximou lentamente do livro, folheando com atenção. Entre nomes de pessoas que ela mal conhecia, começou a reconhecer rostos familiares — colegas de classe, atletas, até professores. Até que uma foto chamou sua atenção: um garoto moreno e sorridente, com olhos pintados de preto, tocando bateria.
Ela se inclinou para ler a legenda e sua expressão mudou de leve, surpresa com o conteúdo. — “Rodrick Heffley, talvez perca a virgindade com a própria bateria na garagem de casa. Também é obcecado por Regina desde o fundamental.” — leu Cady, fazendo uma careta. — Esse não é o primo da Janis?
Regina, agora sentada na cama, cruzou as pernas e ergueu o queixo com um sorriso de desprezo. — Uma família de estranhos. Dois punks problemáticos obcecados por mim, que irônico, não acha?
Enquanto Gretchen e Karen riam, comentando mais sobre as pessoas presentes no Livro do Arraso, Cady quis defendê-lo, mas sabia que era melhor ficar calada e guardar as informações para repassar depois para os amigos. Achava Rodrick engraçado, autêntico, alguém que não parecia se importar com o que os outros pensavam.
E a única verdade naquela página era que ele realmente estava apaixonado por Regina George.
