Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-03-02
Completed:
2025-03-23
Words:
8,952
Chapters:
4/4
Kudos:
2
Hits:
70

Fora de Alcance

Chapter 4: Magia é real

Notes:

Como já dito anteriormente, essa fanfic faz parte de um projeto, o mesmo onde outra fanfic minha, chamada R.I.P, fez parte, em que eu e outros fãs da série de TV Arquivo-X, que também escreviam fanfics, procuramos criar uma décima temporada virtual, em resposta ao primeiro cancelamento da série no começo dos anos 2000, após a conclusão da nona temporada. Por uma série de razões esse projeto não foi concluído, mas resultou em várias fanfics. Postei a segunda delas no site, e fiz questão de dar os devidos créditos, pelo menos nas anotações, pois não consegui colocar esses nomes nos créditos da história. Eu perdi completamente o contato com os demais autores, mas faço questão de citar aqui que Bruno Lem fez o argumento da história, e que eu a escrevi e parceria com Mariana Jannuzzi. Enfim, créditos dados, espero que quem acompanhou tenha apreciado a história. Até a próxima.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

RESIDÊNCIA DE WAGNER NORTON

Otto Fontaine estava ansioso para terminar tudo aquilo logo. A chance de tornar-se sócio da empresa estava cada vez mais perto. A riqueza com que sempre sonhara não ia escapar dele. Foram quase dois anos de preparação para esse momento, e agora nada iria impedi-lo de alcançar o seu objetivo. Otto ainda estava pensando no que fazer com Liam depois de tudo. Ele sempre foi o elo mais fraco entre os três e agora que não tinha mais utilidade, talvez fosse mais prático livrar-se do sujeito. Isso teria que ser feito com cuidado para não levantar mais suspeitas do que já havia acontecido com a morte de Norton.
Otto Fontaine tinha muitas coisas na cabeça, mas livrou-se de todas elas enquanto fazia a sua parte no ritual. Ele não queria esperar Liam chegar. Quando terminou a sua parte, sentiu um arrepio de prazer e excitação percorrendo o seu corpo, agora só faltava a parte de Liam. Foi então que ouviu a porta do porão abrir-se, tratando de preparar-se. Otto ouviu passos de alguém que descia as escadas, mas não viu ninguém.

-Quem é você?

-Você sabe quem sou eu Otto, – disse a voz invisível – diga o meu nome.

-Dizer o seu nome? – Otto deu uma gargalhada – Você não existe meu caro!

-Isso não é verdade!! – a voz gritou pra ele – Devolva a minha vida!

-Você nunca teve vida meu caro, – Otto continuava rindo – mas alegre-se, pelo menos agora ela vai servir para alguma coisa.

-Não vai conseguir o que quer seu desgraçado! – Otto viu quando uma barra de ferro agitou-se no ar e sacou a arma que carregava.

-Acha que eu não estaria preparado depois da morte de Wagner?

A barra voou na sua direção, acertando-lhe a cabeça. Otto ficou tonto, mas conseguiu disparar um tiro antes de cair no chão com um sangramento na cabeça. Ele se levantou e apontou sua arma para várias direções, mas não sentiu qualquer presença além da dele. Tratou de subir a escada lentamente até chegar na sala. Ele viu algumas gotas de sangue pelo caminho e sorriu, um sorriso que desapareceu de seu rosto quando os agentes Doggett, Reyes e Harrison entraram na sala.

-Largue essa arma Otto – gritou Doggett, ele e suas parceiras sacaram suas armas.

-Ele está aqui e quer me matar! – gritou Otto.

-Está falando de Charles Smith não é? – pergunta Reyes, Otto nada diz, continuando com a arma na mão, ele apontava-a para todos os cantos.

-Já disse para soltar essa arma Otto! – Doggett parecia pronto a atirar, até perceber que Otto Fontaine, aos poucos, ia baixando a arma, até ser dominado pelos agentes e devidamente algemado.

-Vocês não têm nada contra mim! – disse ele sem preocupações em soltar-se da algema.

-Você é no momento o principal suspeito da morte de Wagner Norton e Liam Parker. – disse Reyes.

-Liam está morto? – ele parecia realmente chocado com aquilo.

-Ele foi morto antes que vocês completassem o trabalho, – disse a agente Harrison – sabe o que isso significa?

 

DELEGACIA DO MUNICÍPIO DE SALEM
UMA HORA DEPOIS

Otto Fontaine estava sentado naquela sala. Ele procurava aparentar calma, mas por dentro se sentia perdido. Com a morte de Liam, todo o trabalho que eles haviam feito estava perdido. A entrada dos dois agentes na sala deixou-o na dúvida sobre o que fazer na atual situação.

-Pode começar a explicar Otto – disse Doggett – como foi que tudo isso começou?

-O senhor acredita em bruxaria agente Doggett?

-Depende! – exclamou Doggett – Está falando de Harry Potter? – Otto deu uma risada e Doggett cruzou os braços irritado.

-Nada disso agente Doggett, não existe Hogwarts, vassouras voadoras, quadribol, essas coisas.

-Do que é que está falando então? – pergunta Doggett.

-Estou falando da capacidade de explorar as fraquezas e medos das pessoas. Estou falando de usar isso contra elas mesmas.

-Foi isso que vocês fizeram com Charles?

-Exatamente agente Reyes – havia uma sugestão de insanidade no sorriso de Otto – aquele pobre infeliz sempre foi um zero a esquerda durante toda sua vida e sempre soube disso. – Otto levantou-se de onde estava e começou a andar pela sala, gesticulando enquanto falava, dava pra sentir o entusiasmo por trás do medo que sentia – bruxaria não é usar uma estúpida varinha contra alguém, bruxaria é a arte de convencer uma pessoa a fazer o que você quer, por mais absurdo que isso possa ser.

-Fazer um homem sumir como se nunca existisse! – exclamou Reyes indignada.

-Exatamente minha cara. – ele voltou a exibir o sorriso insano – As coisas que nosso cérebro é capaz de fazer quando é adequadamente sugestionado. É claro que não dá para fazer isso com todo mundo. Com certeza devia ser mais fácil na idade média, as pessoas eram mais crédulas, mais supersticiosas.

-E hoje em dia não?

-O ceticismo é uma grande barreira agente Reyes, – ele aponta pra Doggett – seria quase impossível enfeitiçar o seu colega por exemplo.

-Que bom ouvir isso. – disse Doggett.

-E curiosamente, o mesmo acontece com você agente Reyes. Você parece ter uma mente tão aberta que talvez encontrasse os meios de neutralizar o feitiço, mas... – o sorriso dele alargou-se – sujeitos como o Charles são perfeitos. Vivendo suas vidinhas medíocres e sem perspectiva. Dizendo que não acreditam nessas coisas, mas sempre com seus medos e pequenas superstições a guiar-lhes pela vida afora.

-Como foi que fizeram isso?

-É bem mais fácil do que se imagina quando se tem o talento para coisa agente Reyes. Encontrar a pessoa certa para determinado feitiço e depois trabalhar com ela sutilmente. Induzi-la, sugestioná-la, entrar na mente delas. Descobrir seus medos e anseios, estar sempre por perto para minar suas esperanças, até tê-las a sua mercê.

-Porque tudo isso? Porque destruir a vida de um homem desse jeito?

-Pelo que mais podia ser agente Doggett? De que adianta ter o poder se este não for usado?

-Vocês fizeram isso de farra? – a indignação dele superando o ceticismo a respeito daquilo tudo.

-É muito mais do que uma simples farra agente Doggett, – disse Otto – acho que não preciso dizer para quem nós fizemos tudo isso. – Doggett e Reyes olharam um para o outro – Se o feitiço que lançamos em Charles tivesse sido concluído “Ele” teria nos dado qualquer coisa que nós desejássemos.

-Vocês fizeram um acordo com o Diabo? – havia um quê de nojo em Doggett ao falar aquilo, até mesmo olhar para Otto estava sendo difícil pra ele – fizeram tudo isso pra conseguir os favores dele?

-Você não tem idéia do que se pode conseguir com os favores dele agente Doggett – disse Otto – eu estava de olho na possibilidade de ser elevado a sócio da firma.

-E quais eram as ambições de Wagner Norton e Liam Parker? O que foi que eles conseguiram? – Otto nada disse a ele.

-Por que o feitiço não foi concluído na noite da morte de Norton? – pergunta Reyes.

-Quando o Norton foi morto eu e Parker começamos a desconfiar um do outro. Nós íamos encontrá-lo naquela noite para completar o feitiço, mas tanto eu como ele não conseguimos chegar por uma série de estranhas coincidências.

-Do que está falando Otto?

-De coisas que não deveriam ter acontecido agente Doggett. Nossos carros não ligavam, os pneus esvaziavam sozinhos, o motor morria de repente. Simplesmente não conseguimos chegar na casa de Norton naquela noite.

-E você achou que era bruxaria?

-Eu não seria um bruxo se não reconhecesse um feitiço quando vejo um agente Reyes.

-O que está querendo dizer com tudo isso Otto? Que há um quarto bruxo nessa história?

-No começo eu e Parker desconfiamos um do outro agente Doggett, mas agora eu sei que tem outro bruxo que nós desconhecíamos envolvido nisso. – o sorriso desaparecera de seu rosto e agora só havia ódio nele – Alguém que também fez um pacto com o Diabo em troca de poder, e acho que sei quem é.

 

RESIDÊNCIA DE LESLIE SWANSON

Haviam duas xícaras de chá à mesa quando ela veio da cozinha com um bule cheio. Sentou-se calmamente na cadeira e serviu as duas xícaras. Colocou adoçante no seu ao mesmo tempo que viu três colheres de açúcar sendo despejadas na outra xícara. Nada parecia surpreendê-la, nem mesmo quando a xícara ergueu-se sozinha no ar e seu conteúdo foi sumindo como se tragado por lábios invisíveis:

-Só falta um agora. – disse Leslie.

-Você me prometeu. – disse uma voz cujo corpo não podia ser visto.

-E vou cumprir Charles, mas só depois que você fizer a sua parte.

-Vai desfazer o que eles fizeram?

-Muito mais do que isso meu querido, – ela parecia acariciando o próprio ar – você vai ter o que sempre desejou, a atenção que sempre quis, eu prometo.

-Onde será que ele está agora?

-Na delegacia do município, foi para lá que o levaram.

-Como você pode saber?

-Eu conheço alguém que me mantém informada meu querido, – um sorriso diabólico surgiu no rosto de Leslie – muito bem informada.

 

DUAS HORAS DEPOIS

Monica Reyes deixou a sala onde estava Otto, com um policial tomando conta. Por mais que seu senso de dever determinasse que ele era alguém a ser protegido, ela não conseguia evitar o profundo asco que aquele homem lhe provocava. A agente do FBI pegou uma caneca de café quando viu Doggett chegando na companhia da agente Harrison.

-Acharam alguma coisa?

-Nem sinal dele agente Reyes, – disse Leila Harrison – o problema é como achar um homem invisível.

-E o pior é que ninguém parece lembrar que ele existe naquela empresa ou no edifício onde morava.

-Ele tem de estar em algum lugar John. – disse Mônica – talvez esteja até aqui.

-Ele não vai ser maluco de tentar matar Otto Fontaine aqui.

-Eu não contaria com isso John.

Otto estava cada vez mais nervoso. Ele sabia que algo estava para acontecer, podia sentir isso nos ossos. Foi mesmo uma besteira pensar que poderia contar com esses agentes para protegê-lo. Ele sabia com o que estava lidando e precisava de ajuda de verdade. Em seu desespero, Otto teimava em acreditar que essa ajuda não poderia lhe ser negada, não após todos esses anos de dedicação. Ele se levantou e exigiu um telefone, queria ligar para o seu advogado. Otto sabia que precisava sair daquele lugar o mais rápido possível.
O policial que estava com ele fez menção de abrir a porta e ir buscar alguém com quem Otto poderia falar, quando foi atirado no chão. Ele nem teve tempo de se recuperar do susto quando sua arma foi retirada de seu coldre e uma dura coronhada na cabeça o fez desmaiar. Otto só teve tempo de gritar por ajuda quando os tiros os atingiram em cheio.
Doggett, Reyes e Leila Harrison estavam a caminho da sala onde estava Otto quando ouviram os tiros. Outros policiais estavam perto e foram com eles. Não foi preciso arrombar a porta, eles entraram e viram o corpo de Otto no chão. O policial atingido com a coronhada estava acordando. Todas as armas apontaram para um canto da sala. Ali em pé, estava um homem de estatura mediana e rosto comum. Ele estava com a arma do crime ainda fumegando na mão e parecia bem feliz.

-Solte a sua arma Charles! – gritou Doggett, ele apenas viu Charles olhar pra ele, uma expressão de grande felicidade no rosto – Solte a arma vamos.

-Está mesmo conseguindo me ver policial? – todos ali puderam notar lágrimas descendo do rosto sorridente dele – jura mesmo que consegue me ver, todos vocês conseguem – o sorriso em seu rosto alargou-se ainda mais – então ela não mentiu para mim afinal.

-Todos nós conseguimos Charles. – disse Mônica – Acabou tudo, solte a arma por favor.

Charles se colocou de joelhos e depositou calmamente a arma no chão. Ele não deu nenhum trabalho aos policiais. Leila Harrison verificou o corpo de Otto e comprovou a sua morte.

 

PARQUE MUNICIPAL DE WASHINGTON
UMA SEMANA DEPOIS

Antonio Reyes e Marieta Reyes caminhavam juntos no parque enquanto observavam algumas crianças brincando num playground. Marieta sorriu ao ver esse quadro. Quem a conhece sabe que é apaixonada por crianças. Já cansou de pedir para sua filha Mônica Reyes casar-se logo e arranjar um neto para ela cuidar e paparicar o tempo todo. É o seu maior sonho atualmente. Antônio observava sua esposa; por conviver com ela a muitos anos, sabe muito bem no que estava pensando naquele instante.

-Não tenha tanta pressa, Marieta. Mônica terá um filho no tempo certo, não queira antecipar as coisas. – Disse Antônio também observando as crianças brincarem.

-Não estou com pressa, só fico a imaginar como seria o nosso netinho. Aliás, hoje Mônica levará o seu parceiro de trabalho para nos conhecer, não é?

-É sim. Mas me parece que antes de voltarem, eles precisam terminar um caso que estavam investigando.

PENITENCIARIA FEDERAL DE VIRGINIA

Não havia muitos carros no estacionamento quando uma mulher abriu a porta do veículo em que veio. Ela não chegou a entrar no carro, pois viu as duas figuras vindo em sua direção.

-Agente Doggett e agente Reyes – disse Leslie – como vocês vão?

-Não tão bem como você Leslie – disse Doggett – soubemos que foi promovida.

-... depois de tantos anos acho... que finalmente viram o meu valor.

-Veio visitar o Charles?

-Isso mesmo. Achei que ele precisava de uma visita amigável, se bem que, eu creio que ele está muito contente com a atenção que vem tendo da mídia.

-Para alguém que passou a vida inteira meio invisível tudo isso deve estar sendo muito interessante.

-Pode ter certeza que sim agente Doggett.

-Tão interessante que ele não parece disposto a dividir essa fama com mais ninguém. – disse Reyes – Ele ainda insiste em dizer que fez tudo sozinho.

-E vocês... têm como provar que ele está mentindo? – Leslie parecia absolutamente calma ao fazer essa pergunta, Doggett e Reyes ficaram calados alguns segundos antes de responder.

-Não Leslie, não temos como provar. – disse Doggett.

-Isso significa que o cúmplice dele vai escapar impune – disse Reyes – embora eu ache que no final das contas essa pessoa vai acabar tendo o mesmo destino de Wagner Norton, Liam Parker e Otto Fontaine. Como eles, um dia essa pessoa acabará por encontrar alguém tão perigoso e ambicioso quanto ela pela frente.

-Talvez isso aconteça agente Reyes, talvez... – Leslie mantinha uma expressão muito calma ao entrar em seu carro.

Doggett e Reyes a viram ir embora. Havia uma raiva muito grande dentro deles por saber que não conseguiriam pegá-la. Os dois agentes caminharam para o carro em que vieram juntos. Ambos tentavam se consolar com a sensação do dever cumprido, e a esperança de que um dia Leslie Swanson teria o que merecia.

FIM

Notes:

Último capítulo postado como prometido.

Notes:

Primeiro capítulo postado. Próxima atualização será dia 09/03. Aguardem.