Chapter Text
Euphemia e Fleamont Potter, os tão amados pais de Marlene e James estavam mortos, eles havia falecido de varíola do dragão, uma doença comum e fatal entre os bruxos, eles tiveram apenas 2 meses e decidiram não contar para seus filhos, assim os poupando do desespero.
No entanto, a lei bruxa é clara: um omega menor de idade, sem responsáveis legais, deve ser colocado sob a tutela do Ministério da magia, assim o Instituto Lotus, uma entidade enigmática e dedicada ao cuidado de órfãos magicamente talentosos, tornou-se o novo guardião das crianças Potter.
Mas o que todos sabiam era que o instituto era responsável por “disciplinar” e procurar alfas para os omegas, ou de melhor maneira dizendo, eles obrigavam os omegas as esquecer boa parte de sua vida, sua história, sua ancestralidade e então os mandavam, se fossem de sangue puro, para uma familia pura onde se casariam com o alfa herdeiro e seriam obrigados a ter herdeiros para ele, em um casamento que nenhum dos dois gostaria de ter.
James e Marlene eram omegas e não tinham alfas ou parentes vivos.
O diretor do instituto Lotus iria buscar ambos, em aproximadamente quinze dias, duas semanas de desespero.
Marlene tinha uma namorada, Dorcas Meadowes, uma alfa de sangue mestiço, mas para que Marlene fosse negada por Lotus, teria que estar marcada ou casada.
James não tinha ninguém, nenhum amigo Alfa que o assumisse, se casasse ou o marcasse.
Sirius era comprometido com Remus, ambos alfas, Lily atualmente estava namorando uma garota corvina, Pandora, Mary gostava de mulheres independente do subgênero e Peter era um beta.
Minerva McGonagall tinha dito que se eles estivessem marcados, até o final do mês, o diretor de Lotus seria obrigado a voltar.
Marlene se recusava a deixar James, jamais deixaria seu irmão sozinho.
A notícia corria solta pelos corredores de Hogwarts, ele notou os olhares em si, notou os sussurros, ele notou tudo e mesmo assim apenas ignorou, enquanto as lágrimas pesadas escorriam por suas bochechas.
Ele correu pelos corredores e se escondeu na Torre de Astronomia.
James sabia que se seus pais estivessem vivos jamais teria passado por isso, eles queriam que James se casasse por amor, não por dever.
E agora, tudo estava destruído.
— Potter? — Evan Rosier era uma das últimas pessoas que James gostaria de ver, ele era arrogante e sarcástico pela visão de James, e o odiava, ao invés de dizer coisas arrogantes e impróprias para o momento, Rosier se sentou ao lado de James e o abraçou.
O abraço de Evan era o abraço mais aconchegante que James já havia sentido, e o mais verdadeiro.
— sinto muito por seus pais. —A voz de Evan era suave, um contraste gritante com a persona arrogante que James estava acostumado a ver nos corredores de Hogwarts. O abraço, firme e quente, parecia criar um escudo contra o mundo despedaçando-se ao redor de James. Ele, que sempre se vira como um forte protetor, agora era aquele que precisava ser protegido. E, por alguma razão inexplicável, era Evan Rosier, um Sonserino, quem estava oferecendo esse porto seguro.
— Eles... eles nem me contaram — a voz de James saiu trincada, abafada contra o casaco de Evan. — Dois meses. Eles estiveram doentes e morreram, e nós nem sabíamos. E agora... Lotus...
A palavra "Lotus" saiu como um veneno, carregada de todos os horrores que os rumores atribuíam ao lugar. O destino que aguardava ele e Marlene era uma das piores sentenças no mundo bruxo, aprisionados em um casamento apenas para reproduzir com um alfa totalmente desconhecido, provavelmente agressivo.
— Eu sei o que o Instituto Lotus faz — disse Evan, sua voz ainda baixa, mas com uma seriedade cortante. — Todo mundo sabe, mesmo que finjam não saber. Eles não vão te quebrar, Potter. Você é muito teimoso para isso.
James puxou o rosto para trás, esfregando as lágrimas com as costas da mão.
— Teimosia não vai impedi-los de apagar a minha memória, de me casar à força com algum alfa idiota e de me transformar numa... numa incubadora para produzir herdeiros! — a voz dele falhou novamente. — E a Marlene... ela tem a Dorcas. Ela pode escapar. Mas ela não vai me deixar. Ela vai ser teimosa comigo e vamos ser arrastados juntos.
Evan observou James, seus olhos claros analisando cada tremor, cada sombra de desespero no rosto do Potter. Ele não parecia mais o arrogante de sempre; havia uma calculista seriedade em seu olhar.
— Case comigo. Seja meu marido.
James ficou paralisado. O ar pareceu sair completamente de seus pulmões. Ele puxou o corpo para trás, o suficiente para encarar Evan de frente, procurando qualquer traço de sarcasmo ou zombaria naqueles olhos claros. Ele não encontrou nenhum.
— O quê? — a palavra saiu como um sopro atordoado.
— Você me ouviu, Potter — a voz de Evan era firme, sem vestígios de sua habitual ironia. — Case comigo, seja meu marido, meu omega, você terá total liberdade, teremos quantos filhos você quiser, eu vou te proteger, te amar.
O silêncio pairou entre eles, pesado e carregado de incredulidade. James olhou para Evan Rosier, realmente olhou, e não viu nem sombra do rival arrogante e provocador que enfrentava nos corredores e nos campos de Quadribol. Em seus olhos claros, havia apenas uma determinação serena e absoluta, como se a proposta mais absurda do mundo fosse a única coisa que fazia sentido.
— Mas… você me odeia — James sussurrou, a frase soando fraca e tola diante da magnitude do que estava sendo oferecido.
Um sorriso quase imperceptível tocou os lábios de Evan. — Eu odeio o que você representa. Odeio a máscara que você veste, porque eu sei que você não é assim, você é leal, corajoso, amável, você se importa com o que os outros pensam sobre si mesmo e sobre o que você faz. Você protege aqueles que ama e se importa com eles mais do que se importa consigo mesmo. — Ele fez uma pausa, seus dedos, por própria vontade, encurralando suavemente o pulso de James, como se estivesse ancorando-o à realidade. — Eu nunca odiei você, James. Eu sempre vi a verdade sobre você, que você era bom, apesar de tudo que você faz.
— Por que? — a voz de James era um fio de som, uma mistura de esperança e desconfiança. — Por que você faria isso? Se casar com um Omega… e um Potter, ainda por cima. Sua família… os Rosier… eles são…
— Comensais fiéis? — Evan completou, e pela primeira vez, um vislumbre de algo sombrio e cansado passou por seus olhos. — Eu sei no que minha família acredita. E sei que os Potter sempre se recusaram a escolher um lado, mantendo-se neutros. Mas isso não importa. Isso é sobre você e eu. É sobre mantê-lo seguro.
— E o que você ganha com isso? — James insistiu, sua mente de estrategista, mesmo atordoada pela dor, tentando entender o ângulo. — Você não precisa de um matrimônio arranjado. Você é o herdeiro Rosier. Você poderia ter qualquer um.
— Eu ganho um marido que é corajoso, leal e teimoso até o limite. Ganho alguém que não se curvará a mim, mas que caminhará ao meu lado. Alguém que acreditasse em mim, alguém que gostasse da minha irmã e a respeitasse. Alguém que quer ser pai tanto quanto eu quero, alguém que me entendesse. — A voz de Evan manteve-se estável, mas havia uma intensidade nela que fazia o estômago de James se contrair. — E ganho a certeza de que você não será apagado. Que James Potter não desaparecerá atrás das paredes brancas do Instituto Lotus.
A menção ao Instituto fez James estremecer. A imagem de salas estéreis, de vozes suaves que lavavam cérebros, da sensação de seus próprios pensamentos sendo apagados como se nunca tivessem existido… era um terror pior do que a morte.
— E o amor? — James sussurrou, a pergunta mais vulnerável escapando de seus lábios. Seus pais, Euphemia e Fleamont, tinham tido um amor tão profundo, tão real. Eles haviam sacrificado seus primeiros amores — Walburga e Alphard — pelas expectativas de suas famílias, mas encontraram um ao outro e construíram algo lindo. James sempre quis isso. Só isso.
O olhar de Evan suavizou-se. — Eu não estou oferecendo um conto de fadas, James. Estou oferecendo uma aliança. Um porto seguro. Mas o amor… — Ele encostou a testa na de James, um gesto surpreendentemente íntimo. — O amor pode crescer. Eu já respeito você. Já me importo com o que acontece com você. Isso é mais do que muitos casamentos arranjados já começaram. E eu prometo tentar. Todos os dias. Tentar ser o Alfa que você merece.
Era uma promessa terrivelmente honesta. Não eram promessas vazias de um amor digno de um conto de fadas, como Cinderela ou a pequena sereia, mas uma fundação sólida de respeito e proteção. James sentiu uma calma em seu peito e sua mente. Ele tinha uma saída. Uma saída louca, perigosa e imprevisível, mas era uma saída.
Ele pensou em Marlene. Ele sabia que ela nunca, jamais, o deixaria para trás. Se ele aceitasse, se ele estivesse seguro, ela poderia ficar com Dorcas sem remorso. Ele estaria libertando a irmã. Ele estaria se libertando.
James olhou nos olhos de Evan, procurando por qualquer traição, qualquer dúvida. Tudo o que viu foi convicção.
— E os Comensais da Morte? — James pergou, finalmente. — E a guerra?
— Minhas lealdades familiares são minhas para lidar — a voz de Evan ficou mais firme, mais sombria. — Você, como meu marido, estaria sob minha proteção. Isso significa a proteção dos Rosier. Ninguém o tocará. Nem mesmo os que tem a marca negra. Minha família pode amar o poder, mas eles amam mais a sobrevivência. Meus pais podem amar o poder, mas eles querem que seus filhos encontrem a felicidade, eles não vão se importar, e se se importarem será pelo seu bem, sua proteção.
Ele respirou fundo, o ar frio da Torre enchendo seus pulmões, limpando um pouco do nevoeiro de pânico. Ele pensou em seus pais. Em como eles queriam que ele se casasse por amor. Mas acima de tudo, eles queriam que ele e Marlene estivessem seguros e felizes. Às vezes, o amor podia nascer de um ato de salvação.
Com um tremor final que percorreu seu corpo, James Potter endireitou os ombros. O luto ainda estava lá, uma ferida profunda e latejante, mas agora havia uma centelha de determinação renascendo em seus olhos castanhos.
— Certo — ele disse, sua voz recuperando um vislumbre de sua força habitual. — Certo, Rosier. Vamos fazer isso. Vamos nos casar.
O rosto de Evan iluminou-se com um alívio genuíno, um sorriso verdadeiro — talvez o primeiro que James já viu nele — curvando seus lábios.
— Evan — ele corrigiu suavemente. — Você pode me chamar de Evan agora, fiancé.
James assentiu, uma sensação estranha de calma pairando sobre ele. O caminho à frente era nebuloso e cheio de perigos, mas ele não estava mais sozinho. Ele havia acabado de aceitar a mão do homem mais improvável, e de repente, o futuro não parecia mais tão sombrio.
— Então, Evan — James disse, o nome soando estranho, mas não desagradável em sua língua. — O que fazemos agora?
— Agora — disse Evan, levantando-se e estendendo a mão para James — Eu vou te levar para o seu dormitório, vou mandar uma carta para os meus pais, e vou te cortejar, pedir a permissão de sua irmã, e vou te marcar antes que seu tempo acabe, tudo bem?
— Vai me cortejar? — James sorriu, um gesto frágil mas genuíno que iluminou seu rosto ainda marcado pelas lágrimas. A ideia parecia ao mesmo tempo absurda e deliciosamente normal em meio ao caos que suas vidas haviam se tornado.
— É o mínimo que você merece — respondeu Evan, seu tom sério, mas os cantos de seus olhos suavizaram. — Não será um noivado convencional, eu sei. Teremos que ser rápidos. Mas não vou simplesmente colocar uma aliança no seu dedo e uma marca no seu pescoço sem você saber o que está recebendo. Você merece um pouco de romance, mesmo que sem o amor.
A mão que Evan ainda estendia estava firme, e James, após um momento de hesitação, aceitou-a. O toque foi quente, e puxou-o para cima com uma força suave. Ficar de pé, de frente para Evan na vastidão silenciosa da Torre, fez a nova realidade pesar sobre ele. Ele estava noivo. De Evan Rosier.
De Evan Thaddeus Rosier, filho do Lord Rosier, um comensal da morte e herdeiro dos títulos Rosier.
Porra. Ele estava fodido, e não era do jeito ruim.
☆
Evan cumpriu o que tinha dito, ele levou James até seu dormitório, se certificou de que ele estivesse bem, como já estava tarde, ele foi para sua própria comunal para começar a escrever a carta endereçada para seus pais.
“ maman et papa,
Como estão? Sinto falta de vocês e do pequeno Felix, Dora e eu estamos bem.
Continuo esperando ansiosamente pelas suas cartas. Escrevo hoje com notícias que podem parecer repentinas, mas que, para mim, são a decisão mais certa que já tomei.
Conheci meu futuro marido, James Potter. Sim, eu sei o que esse nome representa em certos círculos, e peço que leiam esta carta até o fim com o coração aberto, como sempre fizeram comigo. Os pais de James, Euphemia e Fleamont, faleceram recentemente de Varíola do Dragão. Ele e sua irmã, Marlene, estão sob a ameaça iminente do Instituto Lotus.
Não posso, em boa consciência, permitir que tal destino se abata sobre alguém com o espírito e a coragem de James. Ele é teimoso, leal e possui uma força interior que desafia qualquer tentativa de ser quebrado. Ofereci a ele minha proteção, meu nome e uma aliança matrimonial. Ele aceitou.
Não estou pedindo permissão, mas sim a vossa bênção. Peço que recebam James não como um Potter, mas como o homem que escolhi para estar ao meu lado. Ele me completa de uma forma que nunca imaginei possível, e acredito que, conhecendo-o, vocês entenderão. Quero construír uma família com ele, baseada no respeito e na confiança que vocês, pais, sempre nos ensinaram.
Preciso agir rapidamente. O Diretor do Lotus chegará em quinze dias. Preciso marcar James antes disso. Peço, por favor, que venham a Hogwarts o mais breve possível para que possamos falar pessoalmente e para que possam conhecê-lo.
Com todo meu amor e carinho,
Seu filho, Evan.”
☆
Quando James passou pelo quadro e entrou na Comunal, foi bombardeado por duas garotas, Mary Macdonald e Alice Forstecue.
— Onde você estava, James? — Mary indagou, sua voz em um tom calmo mas preocupada, ela parecia estar abatida, afinal, seus melhores amigos estavam condenados e ela não poderia fazer nada, a não ser observar. — Ficamos preocupados…
— Estavam todos te procurando… — Alice disse, ela ainda estava com sua roupa que usou durante o dia, roupas características do uniforme da Grifinória, assim como Mary. — Sirius e Marlene estavam surtando, eles saíram para a floresta proibida, acharam que você estava lá… a McGonagall foi atrás deles e os trouxe de volta, Sirius pegou detenção, Marlene não.
McGonagall podia ser tudo, mas jamais colocaria uma aluna, que já estava com a vida inteira escrita por algo ruim na detenção, ainda mais quando ela tinha tão pouco tempo livre.
James sentiu alguém pulando sobre si, um pouco leve, ele tinha certeza de que era sua irmã.
— Você ficou louco!? — Resmungou irritada, quando se soltou do abraço. — Seu idiota maldito! o que diabos você pensou!?
— Oi pra você também, Marls. — James murmurou, descontente. — Estava na torre de Astronomia, com Rosier.
— Com Dora? — Mary perguntou confusa, James nunca falava com Pandora, somente quando necessário.
— Com Evan.
— Que se tava fazendo lá? — ela cruzou os braços e bufou. — Ainda por cima com ele?
Evan não tinha uma boa reputação na Grifinória, ainda mais por ser melhor amigo de Regulus que era odiado pelos grifinórios.
— Ele foi gentil…
Euphemia e Fleamont Potter, os tão amados pais de Marlene e James estavam mortos, eles havia falecido de varíola do dragão, uma doença comum e fatal entre os bruxos, eles tiveram apenas 2 meses e decidiram não contar para seus filhos, assim os poupando do desespero.
No entanto, a lei bruxa é clara: um omega menor de idade, sem responsáveis legais, deve ser colocado sob a tutela do Ministério da magia, assim o Instituto Lotus, uma entidade enigmática e dedicada ao cuidado de órfãos magicamente talentosos, tornou-se o novo guardião das crianças Potter.
Mas o que todos sabiam era que o instituto era responsável por “disciplinar” e procurar alfas para os omegas, ou de melhor maneira dizendo, eles obrigavam os omegas as esquecer boa parte de sua vida, sua história, sua ancestralidade e então os mandavam, se fossem de sangue puro, para uma familia pura onde se casariam com o alfa herdeiro e seriam obrigados a ter herdeiros para ele, em um casamento que nenhum dos dois gostaria de ter.
James e Marlene eram omegas e não tinham alfas ou parentes vivos.
O diretor do instituto Lotus iria buscar ambos, em aproximadamente quinze dias, duas semanas de desespero.
Marlene tinha uma namorada, Dorcas Meadowes, uma alfa de sangue mestiço, mas para que Marlene fosse negada por Lotus, teria que estar marcada ou casada.
James não tinha ninguém, nenhum amigo Alfa que o assumisse, se casasse ou o marcasse.
Sirius era comprometido com Remus, ambos alfas, Lily atualmente estava namorando uma garota corvina, Pandora, Mary gostava de mulheres independente do subgênero e Peter era um beta.
Minerva McGonagall tinha dito que se eles estivessem marcados, até o final do mês, o diretor de Lotus seria obrigado a voltar.
Marlene se recusava a deixar James, jamais deixaria seu irmão sozinho.
A notícia corria solta pelos corredores de Hogwarts, ele notou os olhares em si, notou os sussurros, ele notou tudo e mesmo assim apenas ignorou, enquanto as lágrimas pesadas escorriam por suas bochechas.
Ele correu pelos corredores e se escondeu na Torre de Astronomia.
James sabia que se seus pais estivessem vivos jamais teria passado por isso, eles queriam que James se casasse por amor, não por dever.
E agora, tudo estava destruído.
— Potter? — Evan Rosier era uma das últimas pessoas que James gostaria de ver, ele era arrogante e sarcástico pela visão de James, e o odiava, ao invés de dizer coisas arrogantes e impróprias para o momento, Rosier se sentou ao lado de James e o abraçou.
O abraço de Evan era o abraço mais aconchegante que James já havia sentido, e o mais verdadeiro.
— sinto muito por seus pais. —A voz de Evan era suave, um contraste gritante com a persona arrogante que James estava acostumado a ver nos corredores de Hogwarts. O abraço, firme e quente, parecia criar um escudo contra o mundo despedaçando-se ao redor de James. Ele, que sempre se vira como um forte protetor, agora era aquele que precisava ser protegido. E, por alguma razão inexplicável, era Evan Rosier, um Sonserino, quem estava oferecendo esse porto seguro.
— Eles... eles nem me contaram — a voz de James saiu trincada, abafada contra o casaco de Evan. — Dois meses. Eles estiveram doentes e morreram, e nós nem sabíamos. E agora... Lotus...
A palavra "Lotus" saiu como um veneno, carregada de todos os horrores que os rumores atribuíam ao lugar. O destino que aguardava ele e Marlene era uma das piores sentenças no mundo bruxo, aprisionados em um casamento apenas para reproduzir com um alfa totalmente desconhecido, provavelmente agressivo.
— Eu sei o que o Instituto Lotus faz — disse Evan, sua voz ainda baixa, mas com uma seriedade cortante. — Todo mundo sabe, mesmo que finjam não saber. Eles não vão te quebrar, Potter. Você é muito teimoso para isso.
James puxou o rosto para trás, esfregando as lágrimas com as costas da mão.
— Teimosia não vai impedi-los de apagar a minha memória, de me casar à força com algum alfa idiota e de me transformar numa... numa incubadora para produzir herdeiros! — a voz dele falhou novamente. — E a Marlene... ela tem a Dorcas. Ela pode escapar. Mas ela não vai me deixar. Ela vai ser teimosa comigo e vamos ser arrastados juntos.
Evan observou James, seus olhos claros analisando cada tremor, cada sombra de desespero no rosto do Potter. Ele não parecia mais o arrogante de sempre; havia uma calculista seriedade em seu olhar.
— Case comigo. Seja meu marido.
James ficou paralisado. O ar pareceu sair completamente de seus pulmões. Ele puxou o corpo para trás, o suficiente para encarar Evan de frente, procurando qualquer traço de sarcasmo ou zombaria naqueles olhos claros. Ele não encontrou nenhum.
— O quê? — a palavra saiu como um sopro atordoado.
— Você me ouviu, Potter — a voz de Evan era firme, sem vestígios de sua habitual ironia. — Case comigo, seja meu marido, meu omega, você terá total liberdade, teremos quantos filhos você quiser, eu vou te proteger, te amar.
O silêncio pairou entre eles, pesado e carregado de incredulidade. James olhou para Evan Rosier, realmente olhou, e não viu nem sombra do rival arrogante e provocador que enfrentava nos corredores e nos campos de Quadribol. Em seus olhos claros, havia apenas uma determinação serena e absoluta, como se a proposta mais absurda do mundo fosse a única coisa que fazia sentido.
— Mas… você me odeia — James sussurrou, a frase soando fraca e tola diante da magnitude do que estava sendo oferecido.
Um sorriso quase imperceptível tocou os lábios de Evan. — Eu odeio o que você representa. Odeio a máscara que você veste, porque eu sei que você não é assim, você é leal, corajoso, amável, você se importa com o que os outros pensam sobre si mesmo e sobre o que você faz. Você protege aqueles que ama e se importa com eles mais do que se importa consigo mesmo. — Ele fez uma pausa, seus dedos, por própria vontade, encurralando suavemente o pulso de James, como se estivesse ancorando-o à realidade. — Eu nunca odiei você, James. Eu sempre vi a verdade sobre você, que você era bom, apesar de tudo que você faz.
— Por que? — a voz de James era um fio de som, uma mistura de esperança e desconfiança. — Por que você faria isso? Se casar com um Omega… e um Potter, ainda por cima. Sua família… os Rosier… eles são…
— Comensais fiéis? — Evan completou, e pela primeira vez, um vislumbre de algo sombrio e cansado passou por seus olhos. — Eu sei no que minha família acredita. E sei que os Potter sempre se recusaram a escolher um lado, mantendo-se neutros. Mas isso não importa. Isso é sobre você e eu. É sobre mantê-lo seguro.
— E o que você ganha com isso? — James insistiu, sua mente de estrategista, mesmo atordoada pela dor, tentando entender o ângulo. — Você não precisa de um matrimônio arranjado. Você é o herdeiro Rosier. Você poderia ter qualquer um.
— Eu ganho um marido que é corajoso, leal e teimoso até o limite. Ganho alguém que não se curvará a mim, mas que caminhará ao meu lado. Alguém que acreditasse em mim, alguém que gostasse da minha irmã e a respeitasse. Alguém que quer ser pai tanto quanto eu quero, alguém que me entendesse. — A voz de Evan manteve-se estável, mas havia uma intensidade nela que fazia o estômago de James se contrair. — E ganho a certeza de que você não será apagado. Que James Potter não desaparecerá atrás das paredes brancas do Instituto Lotus.
A menção ao Instituto fez James estremecer. A imagem de salas estéreis, de vozes suaves que lavavam cérebros, da sensação de seus próprios pensamentos sendo apagados como se nunca tivessem existido… era um terror pior do que a morte.
— E o amor? — James sussurrou, a pergunta mais vulnerável escapando de seus lábios. Seus pais, Euphemia e Fleamont, tinham tido um amor tão profundo, tão real. Eles haviam sacrificado seus primeiros amores — Walburga e Alphard — pelas expectativas de suas famílias, mas encontraram um ao outro e construíram algo lindo. James sempre quis isso. Só isso.
O olhar de Evan suavizou-se. — Eu não estou oferecendo um conto de fadas, James. Estou oferecendo uma aliança. Um porto seguro. Mas o amor… — Ele encostou a testa na de James, um gesto surpreendentemente íntimo. — O amor pode crescer. Eu já respeito você. Já me importo com o que acontece com você. Isso é mais do que muitos casamentos arranjados já começaram. E eu prometo tentar. Todos os dias. Tentar ser o Alfa que você merece.
Era uma promessa terrivelmente honesta. Não eram promessas vazias de um amor digno de um conto de fadas, como Cinderela ou a pequena sereia, mas uma fundação sólida de respeito e proteção. James sentiu uma calma em seu peito e sua mente. Ele tinha uma saída. Uma saída louca, perigosa e imprevisível, mas era uma saída.
Ele pensou em Marlene. Ele sabia que ela nunca, jamais, o deixaria para trás. Se ele aceitasse, se ele estivesse seguro, ela poderia ficar com Dorcas sem remorso. Ele estaria libertando a irmã. Ele estaria se libertando.
James olhou nos olhos de Evan, procurando por qualquer traição, qualquer dúvida. Tudo o que viu foi convicção.
— E os Comensais da Morte? — James pergou, finalmente. — E a guerra?
— Minhas lealdades familiares são minhas para lidar — a voz de Evan ficou mais firme, mais sombria. — Você, como meu marido, estaria sob minha proteção. Isso significa a proteção dos Rosier. Ninguém o tocará. Nem mesmo os que tem a marca negra. Minha família pode amar o poder, mas eles amam mais a sobrevivência. Meus pais podem amar o poder, mas eles querem que seus filhos encontrem a felicidade, eles não vão se importar, e se se importarem será pelo seu bem, sua proteção.
Ele respirou fundo, o ar frio da Torre enchendo seus pulmões, limpando um pouco do nevoeiro de pânico. Ele pensou em seus pais. Em como eles queriam que ele se casasse por amor. Mas acima de tudo, eles queriam que ele e Marlene estivessem seguros e felizes. Às vezes, o amor podia nascer de um ato de salvação.
Com um tremor final que percorreu seu corpo, James Potter endireitou os ombros. O luto ainda estava lá, uma ferida profunda e latejante, mas agora havia uma centelha de determinação renascendo em seus olhos castanhos.
— Certo — ele disse, sua voz recuperando um vislumbre de sua força habitual. — Certo, Rosier. Vamos fazer isso. Vamos nos casar.
O rosto de Evan iluminou-se com um alívio genuíno, um sorriso verdadeiro — talvez o primeiro que James já viu nele — curvando seus lábios.
— Evan — ele corrigiu suavemente. — Você pode me chamar de Evan agora, fiancé.
James assentiu, uma sensação estranha de calma pairando sobre ele. O caminho à frente era nebuloso e cheio de perigos, mas ele não estava mais sozinho. Ele havia acabado de aceitar a mão do homem mais improvável, e de repente, o futuro não parecia mais tão sombrio.
— Então, Evan — James disse, o nome soando estranho, mas não desagradável em sua língua. — O que fazemos agora?
— Agora — disse Evan, levantando-se e estendendo a mão para James — Eu vou te levar para o seu dormitório, vou mandar uma carta para os meus pais, e vou te cortejar, pedir a permissão de sua irmã, e vou te marcar antes que seu tempo acabe, tudo bem?
— Vai me cortejar? — James sorriu, um gesto frágil mas genuíno que iluminou seu rosto ainda marcado pelas lágrimas. A ideia parecia ao mesmo tempo absurda e deliciosamente normal em meio ao caos que suas vidas haviam se tornado.
— É o mínimo que você merece — respondeu Evan, seu tom sério, mas os cantos de seus olhos suavizaram. — Não será um noivado convencional, eu sei. Teremos que ser rápidos. Mas não vou simplesmente colocar uma aliança no seu dedo e uma marca no seu pescoço sem você saber o que está recebendo. Você merece um pouco de romance, mesmo que sem o amor.
A mão que Evan ainda estendia estava firme, e James, após um momento de hesitação, aceitou-a. O toque foi quente, e puxou-o para cima com uma força suave. Ficar de pé, de frente para Evan na vastidão silenciosa da Torre, fez a nova realidade pesar sobre ele. Ele estava noivo. De Evan Rosier.
De Evan Thaddeus Rosier, filho do Lord Rosier, um comensal da morte e herdeiro dos títulos Rosier.
Porra. Ele estava fodido, e não era do jeito ruim.
