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Merry Christmas, Jeonju.

Chapter 2: Capítulo 1

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

Ahn Suho estava parado ali, diante de si.

 

A mesma jaqueta vermelha e preta, os olhos redondos brilhantes, as bochechas salientes e avermelhadas pelo frio. Segurando uma cesta de pêssegos: Ahn Suho.

 

Um calafrio percorreu o corpo de Sieun dos pés à cabeça. Por mais brilhantes e arredondados que os olhos de Suho tivessem permanecido, havia algo novo na maneira como eles o fitavam — algo azedo e contido, que Sieun não reconhecia. Como se recebesse a visita de um fantasma natalino indesejado.

 

 Tsc. Park Humin está consumindo meus miolos.

 

Apertou a maçaneta da porta com força, como se isso pudesse aliviar a crescente tensão em seu peito. Ao notar as pontas dos dedos esbranquiçados de Suho segurando a cesta, percebeu que ele fazia o mesmo. Curioso.

 

Passeou o olhar pelo resto do garoto, parando antes de encará-lo diretamente nos olhos. Percebeu, então, o maxilar cerrado — e, ah... os lábios dele...

 

– Vocês vão se beijar? – Uma cabeça surgiu atrás de Suho, com o cenho franzido. 

 

Sieun prendeu a respiração, pego de surpresa. Desviou o olhar, folgando o aperto na porta. Não havia notado a presença de outra pessoa além dos dois ali. Que idiota, praguejou internamente.

 

– Ya! Go Hyuntak! – repreendeu Suho, se virando para encarar o garoto. 

 

Gotak, irmão mais novo de Suho. Ou melhor, meio-irmão mais novo.

 

– Vocês estão debaixo do visco! – Hyuntak justificou, fazendo beicinho. – E também ficaram um tempão se encarando… 

 

O sussurro malcriado de Gotak fez as bochechas de Sieun ficarem quentes, mesmo naquele frio. 

 

Não fazia ideia por quanto tempo aquela troca de olhares perdurou. Com certeza o suficiente para deixar Hyuntak impaciente.

 

Vocês… – Com um fio de voz, Sieun começou a falar.

 

Um farfalhar alto o interrompeu. 

 

– Tak, ajude ele com pêssegos. – Suho entregou a cesta nas mãos do irmão mais novo, colocou as mãos no bolso da jaqueta, virou as costas e caminhou para fora da residência dos Yeon.

 

…querem entrar?

 

– O que deu nele… – Hyuntak suspirou, envergonhado, intercalando o olhar entre Suho e o Yeon parado na porta. Com um sorriso gentil e meio amarelado, quebrou o clima deixado pelo irmão. – Bom te ver de novo, Hyung… 

 

Sieun suavizou o rosto, que nem havia notado estar franzido, acenando com a cabeça e abrindo espaço para Gotak passar pela porta. 

 

– Gotak, quanto tempo!

 

– Trouxe pêssegos!

 

A conversa abafada entre seu pai e Hyuntak acontecia enquanto Sieun encarava o lado de fora, com a porta ainda aberta, sentindo o frio maltratar sua pele. 

 

Pfft. O que estou esperando?

 


 

Já era hora do jantar. 

 

Pouco após a curta visita de Gotak, sua mãe retornara do mercado. Por mais que Sieun tivesse insistido em ajudar na cozinha, os pais o asseguraram que não seria necessário e que ele poderia usar o tempo para desfazer as malas.

 

 Se sentia um hóspede na própria casa.

 

Ao entrar no antigo quarto, seu coração vacilou por um momento. Estava exatamente como deixou.

 

Até seus post-its grudados na parede e livros pré-vestibular. Sentiu os olhos lacrimejarem. Não havia sinal algum de poeira. Como se fosse mantido sempre limpo e esperando por ele.

 

Se recompôs e passou a desempacotar os pertences. Enquanto realizava a tarefa, lembrou de Suho e daqueles olhos indecifráveis. Repassou a cena inúmeras vezes na própria mente.

 

– Sieun? 

 

Estava na mesa, jantando com seus pais. Tinha dissociado a ponto de esquecer, preso em pensamentos; não lembrava nem como havia chegado ali. 

 

– Desculpa… – Tomou um gole de suco e oscilava o olhar entre a mãe e o pai. – O que diziam? 

 

– Sobre a fazenda do vovô… – As palavras da mãe eram cuidadas e cheias de cautela. – Estávamos pensando em comemorar o Natal lá…

 

Ah, a herança.

 

– Quer dizer, agora que ela é sua, nada melhor do que se familiarizar enquanto organiza os preparativos! – Seu pai continuou.

 

Ambos pareciam um misto de hesitação e entusiasmo. E Sieun estava lá, inexpressivo.

 

– Foi pra isso que eu vim? – indagou, brincando com o Bibimbap no prato. – Organizar a fazenda do vô? 

 

Seus pais se entreolharam. 

 

– É sua, afinal… – justificou a mãe, sem jeito. – Ele ficaria feliz se cuidasse bem dela, pelo menos um pouco… – O tom de voz dela era contido. 

 

Deixo tão na cara que a culpa nunca me permitiria ficar ali por muito tempo?

 

– Hm…

 

Com o murmúrio, Sieun encerrou a conversa. O jantar seguiu sem mais tensões. Logo, seus pais já tratavam de outros assuntos. 

 


 

– Mãe, não vou conseguir sozinho!

 

Sieun não se recordava de ter realmente aceitado tomar conta da fazenda do falecido avô.

 

Como poderia? Estudar era a única coisa que sabia fazer!

 

Imaginou, durante o jantar, que os pais também estariam presentes na arrumação. E aí, nesse caso, Sieun poderia só fingir que estava contribuindo ao invés de realmente ajudar. 

 

– Seja mais confiante, sim? – A mãe, prestes a sair de casa, ao menos fitava o filho. Ou o bico enorme que o mesmo fazia. – Não vai estar sozinho, de qualquer forma! – Antes que Sieun pudesse questionar, a porta da frente bateu, deixando-o apenas com a dúvida. 

 

O que, agora? O espírito do avô vaga por lá? Quem mais o faria companhia?

 

A caminhada até a fazenda não foi longa, tudo em Jeonju era ridiculamente próximo. No entanto, Sieun teve tempo de apreciar as ruas e esquinas onde cresceu até chegar ao destino. Sentia muita falta daqueles dias. Apesar do sol forte, o vento frio beijava seu rosto trazendo-o para o momento presente, por mais que a saudade ardesse no peito, lembrando do objetivo principal.

 

À primeira vista, a fazenda parecia com o que Sieun se lembrara dela: muito bem cuidada e organizada. Se perguntou por que, exatamente, os pais pediriam para ele, dentre todas as pessoas, cuidar daquelas terras em boas condições.

 

Por mais que agora fosse sua, não tinha grandes pretensões em relação ao lugar. Mudar-se de Seul para Jeonju estava fora de cogitação, então acabaria alugando, ou algo parecido. Mas, como última homenagem ao avô, ficaria para esse Natal.

 

Conforme refletia sobre esse turbilhão de coisas, os pés de Sieun o foram guiando pelo terreno extenso. Os campos de arroz já estavam vazios e tomados pelas frias geadas de ar. Os talos bem cortados e a ausência de folhagem bruta denunciavam o cuidado com a terra. 

 

Enquanto se aproximava da sagrada plantação de morangos do avô, pôde enxergar o vislumbre de um chapéu de palha adentrando uma das estufas. 

 

Ah, deve ser minha companhia!

 

Apressou o caminhar pela estrada de terra, até estar na porta da estufa. 

 

Porém, antes que pudesse dar outro passo, foi surpreendido com um impacto abrupto.

 

A figura de chapéu carregava uma caixa plástica enorme e repleta de morangos recém colhidos. O baque acabou derrubando a colheita no chão.

 

Desculpe… – Sieun sussurrou, prontamente agachando e recolhendo o estrago.

 

– Porquê veio aqui? 

 

A voz atrelada ao chapéu de palha fez Sieun olhar imediatamente para cima. Se não fosse a sombra projetada por causa das abas grandes e circulares de palha, protegendo-o do sol, não conseguiria ter reconhecido as feições de sua companhia.

 

Sinceramente, preferia a alma atormentada do avô.

 

– Hm? Yeon Sieun? Porquê veio aqui? – Ahn Suho estava de pé, encarando-o de cima com seu chapéu de palha. – Decidiu brincar de fazendinha? Foi isso? 

 

O tom de voz de Suho era desdenhoso e seu rosto se enrugava em irritação. Como se Sieun fosse um pulgão atrofiando sua plantação, sugando a seiva de seus morangos para deixá-los apodrecendo depois.

 

– O que? – indagou Sieun, indignado. 

 

Quem Ahn Suho pensa que é? 

 

Levantou-se, trazendo junto de si a caixa plástica e os morangos. Agora estavam cara a cara. Sieun não sabia se era a raiva ou a porta aberta da estufa, mas um calor aquecia todo o seu corpo.

 

– Ninguém vai ter coragem de te perguntar, e eu queria muito saber… – Os olhos de Suho eram afiados e firmes, seu tom de voz calmo e controlado. – Foi o remorso? Porque não veio ao velório? 

 

As perguntas atravessaram o Yeon como lâminas, mas Suho não parou por aí. 

 

– Quer dizer, dentro de três anos você nunca fez uma única ligação e de repente o garoto de Seul decide vir a Jeonju trabalhar na fazenda? As contas não batem… – Ele era sarcástico, sorria enquanto o insultava e fazia parecer sem querer. – Ah, será que você veio só vender o terreno e fugir pra capital com o dinheiro? 

 

A última pá de terra. 

 

– Qual é o seu problema?! – Sieun questionou, enraivecido. Os olhos não desviavam um segundo, sequer, do outro garoto. Não entendia o motivo de estar sendo tratado com tanto desprezo. – Você é o mesmo Ahn Suho que eu conhecia?! 

 

– Qual é o seu problema? – Tomou a cesta plástica das mãos do Yeon com suas próprias, envoltas em luvas grossas. – As pessoas mudam. Não é como se você estivesse aqui pra notar. – Com um leve choque entre os ombros, Suho atravessou Sieun e passou a caminhar em direção ao anexo próximo a estufa. 

 

– Eu tô aqui agora e essa fazenda é minha, você gostando ou não! – Não ficaria por baixo.

 

Suho cessou os passos, virando-se de novo para Sieun. 

 

– É, mas eu quem esteve cuidando dela todo esse tempo enquanto você ostentava estudando em Seul. – Dessa vez, Suho não carregava sarcasmo em seu tom de voz ou expressão facial. – Então, eu acho bom você fazer por onde. 

 

O chapéu de palha, moletom cinza e botas pretas voltaram a se afastar de Sieun. Que não conseguiu formular uma resposta satisfatória, sendo deixado para trás com seu casaco longo de lã marrom. 

 

 

Notes:

feliz ano novo, pessoal!! <3

esse capítulo deveria ter saído antes, mas viajei pra um lugar onde o sinal é péssimo :/

o que estão achando? espero que estejam gostando!!

eu fiz uma playlist com músicas que acho que combinam com a história, músicas que escuto enquanto escrevo, etc. pra quem quiser: https://open.spotify.com/playlist/5ERxwhAyfToxboiTkyKtbH?si=5ahoPItxQw6WfBzDpocpEA

ah, e pretendo postar um capítulo por semana (sem dia fixo). então, até semana que vem! :)

twitter: choii1jjang

Notes:

espero que tenham gostado!! sou meio lenta com atualizações, então conto com a paciência de vocês hehehe,,,

minha ideia era postar tudo na véspera do natal, mas já é amanhã e eu só tenho algumas coisas prontas... plano fustrado :/

mesmo assim, espero que acompanhem e se divirtam independentemente!! beijos <3 perdoem qualquer erro!!

todo comentário é bem vindo e ajuda muito essa autora que ama feedbacks...........

twt: @choii1jjang